17 de mar. de 2010

TEMPO DE FLORIR O CORAÇÃO...



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TEMPO DE FLORIR O CORAÇÃO...


Todos os órgãos e sentidos estavam atentos ao que aconteceria no interior do corpo de José quando a bela Maria surgisse diante dele ali na estação onde a aguardava.

Antes que os olhos pudessem vê-la chegar, o nariz captou o doce aroma impregnado em sua pele. O cérebro diante de tal informação pôde visualizar a imagem da mulher querida guardada na memória do homem apaixonado.

Os sentidos foram tomados por grande euforia, fazendo José experimentar novos e involuntários sentires. Era frio e suor. Era calor e arrepio. Era tremor e tontura. Eram variadas sensações de ansiedade e de prazer. O corpo de José previa mudanças. De atitudes e de sentimentos. A boca quis dizer, não conseguiu. A voz no peito calou-se de emoção. No instante em que os olhos contemplaram Maria, um novo tempo de delícias nasceu.

Dentro em José, o peito bombeava jatos sanguíneos de paixão, explodindo felicidade por todo corpo levando sorriso a boca e brilho aos olhos. José jamais havia provado tão incrível reação! Olhos, boca, nariz e todos os demais órgãos finalmente identificaram os sintomas de um coração apaixonado diante do ser amado.

Abraçado a Maria, o interior de José fez-se bom tempo de Primavera, a estação do amor.
Tempo de florir o coração...


Djanira Luz

10 de mar. de 2010

A CISMA MATA SEM MEDIDA EXATA!



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A CISMA MATA SEM MEDIDA EXATA!


Bastou uma leve oscilação na pressão para ouvir ladainhas de suposições assustadoras:

"- Olha, não brinca com a saúde... Quando foi sua última consulta ao médico?"

"- Cuidado... Viu aquele técnico do São Paulo, tem a mesma idade sua e sofreu um AVC!"

"- Você anda preocupada? Tenho notado que está abatida..."

"- Olha, é bom diminuir a ingestão do sal e sódio..."

Acho que eu morreria de qualquer coisa naquela hora mesmo estando em perfeito estado de saúde! Meu coração começou acelerar, tive uma sensação de desmaio. Imaginei estar enfartando, senti aperto no peito. De repente me vi com todos os sintomas de um AVC. Saí daquele ambiente imaginando ir direito para o cemitério tamanho horror a que fui envolvida. Só fiquei pensando na frase do meu epitáfio - Aqui DJAz. Cruzes!

Uma coisa é fato. A cisma é capaz mesmo de matar mais que a própria doença! Naquela noite não consegui dormir. Tive a ligeira impressão de ouvir um ritmo diferente nas batidas do coração. Acho ter ingerido quase um litro de suco de maracujá para me acalmar, mas surtiu efeito inverso deixando-me "acesa" madrugada afora!

Sabe o que fiz quando amanheceu? Marquei consulta com o cardiologista para um check-up! Ele sim faria um diagnóstico preciso quanto ao que senti. Se é que senti alguma coisa anormal. Depois da consulta, examinada a pressão, feitos os exames cardiológicos e hemograma completo, veio o alívio, graças a Deus!

Não fosse aquela aferição da minha pressão por leigos, eu não teria sofrido feito peru de véspera até receber o “tudo bem” do doutor que tudo sabe do meu coração. Agora entendo bem e gosto mais ainda daquela frase “a ignorância é uma dádiva”. Por crer que estava hipertensa, perdi uma noite de sono e por pouco quase desenvolvi doenças psicossomáticas de tão cismada que fiquei.

Então, caro leitor, sugiro que não escute diagnóstico de leigos. Procure sim um especialista para sanar quaisquer dúvidas.

Depois de eu ter feito uma bateria de exames, recebo a ligação:

- Oi! É... Sabe aquele aparelho novo digital que comprei e medi sua pressão naquele dia? Pois é... Veio com defeito
de fábrica, aferição estava toda maluca! Troquei por outro analógico mesmo...

Aí, nessa hora eu quase enfartei mesmo foi de fúria!rs



Djanira Luz

9 de mar. de 2010

ROMANCE NO JORNAL...




ROMANCE NO JORNAL...


Bruno havia conhecido Anne numa viagem de negócios. Foram cinco dias de muitas trocas. De experiências e ideias. Algo além da amizade permanecera entre eles. Ao retornarem para suas casas, sentiram não terem trocado números de telefone, nem mesmo o nome da empresa que representavam naquele curso.

Bruno buscou descobrir na empresa algo que o levasse até aquela mulher. A única lembrança que havia ficado de posse dele, era a foto dela ao lado de todo grupo empresarial.

Percebendo sua aflição, propus:

- Bruno, envia a foto para o Jornal de maior circulação com um recado para que ela entre em contato com você!

- Está louca!? Expor-nos deste jeito? Eu não tenho coragem...

- Você é quem sabe! É pagar mico ou perdê-la para nunca mais. Respondi com a certeza de que ele iria fazer o sugerido, pois confiava cegamente nas minhas opiniões.

Meia hora depois, com um envelope da empresa, pediu-me enviasse o quanto antes o anúncio para a Redação do Jornal. Na mesma semana veio me agradecer.

Anne havia telefonado, atendendo ao apelo do Jornal.


Djanira Luz

6 de mar. de 2010

UMA VIDA ILUMINADA!




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UMA VIDA ILUMINADA!



Depois de tempos sombrios, finalmente abriu as janelas. Da casa e da vida. Admirou a claridade sentindo quanto tempo desperdiçado na escuridão instalada, a qual se permitiu ter por companhia. Havia esquecido como era belo viver e respirar bons ares.

No reflexo da vidraça espelhada, viu pelas janelas dos seus olhos o quanto de si desejava liberdade para trilhar outras histórias, novos rumos. Apreciou o próprio sorriso e a luz intensa do olhar. Gostou de ver a face bem disposta, traduzindo como estava seu interior. Pronto para portas e janelas abertas do viver!

Um sentimento invadiu-lhe o peito. Assustou-me e ao mesmo tempo sentiu-se bem. Surpreendeu-se por não saber mais como era bom experimentar aquele sentir. Era a felicidade voltando fazer morada em seu coração. Novamente o peito enchera de luz e alegria por aceitar a claridade, o brilho, as cores e os variados sons do mundo!

De repente foi tomada por uma avalanche de pensamentos alegres. A sensação era que todas as boas ideias acumuladas estavam sendo derramadas de um só vez em sua mente. E gargalhou. Liberou todo o contentamento aprisionado na antes triste alma. Numa felicidade que não cabia em si e na casa, saiu para o quintal dizendo em alto tom:

- Voltei! Voltei a ser eu, livre, segura! Estive na redoma com o amargor que minava minha vida. Estou de volta para horas, dias e momentos alegres!

Havia mesmo magia naquele quintal, as flores nunca estiveram tão perfumosas e coloridas, nem o céu coloriu-se antes de intenso azul e o Sol ardia como um coração apaixonado. Anne e o Sol irradiavam raios de luz extasiados. Ambos celebravam mudanças.

Era como se o espectro de Anne tivesse ganho vida ou que o fantasma tivesse partido deixando a mulher viver outra vez. Havia luz e cor. Som e movimento. Amor e alegria. Sonhos e esperança. Era a vida acontecendo naquela casa e na alma daquela mulher renascida. Corajosa e fortalecida!




Djanira Luz

5 de mar. de 2010

COMEMORAÇÃO SOLITÁRIA...




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COMEMORAÇÃO SOLITÁRIA...

Tomou banho mais demorado, perfumou-se com o melhor aroma, vestiu-se de elegância confortável. Sentou-se no sofá da sala de estar segurando a taça de vinho branco. Pela primeira vez
comemorava sozinha aquela data. Não havia risos, barulhos, nem música quis ouvir. O som do coração era a única melodia naquele ambiente. Olhou a foto, um turbilhão de lembranças aflorou. Outra vez, saudade lhe feriu. Vazio na sala, na alma e na taça. Sentiu na boca o amargo da solidão, o sal das lágrimas e o doce do vinho. De todos os sabores, sobressaiu o gosto bom da bebida sinalizando esperança de novos e alegres momentos haveriam surgir em sua vida...



Djanira Luz

4 de mar. de 2010

E DEUS CRIOU-NOS, MULHER...


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E DEUS CRIOU-NOS, MULHER...


"-Sem graça e melodia no mundo não há alegria". Disse Deus. A escuridão à vontade de Deus fez jus. Fez-se, então, a Luz.

Houve noite e dia. O dia é clareado pelo Sol e a noite a Lua ilumina feito um farol.

A ausência de cores foi suprida semeando pela Terra as mais variadas e perfumosas flores.

Criou o homem. Ele se deslumbrou quando avistou o Paraíso! Pelo jardim se encantou. Ficou feliz muito mais quando descobriu os animais.

Faltava, porém, algo na Terra que desse um toque final, aquela pitadinha de sal...

Sorrindo serenamente o Criador, com sabedoria em mente, ao anjo ordenou:

“-Traga-me uma dose generosa de Amor e do barro, o melhor que tiver.”

E foi assim, com poesia e ternura que as mãos habilidosas de Deus, moldaram-nos, Mulher!







Para todas as mulheres do mundo na sua grande diversidade de raça, credo, cor, pensamento, o meu desejo é de que tenham dignidade, respeito, conquistas, igualdade, trabalho, qualidade de vida e, acima disso, sejam sempre admiradas e, para sempre, amadas! ;Dja

2 de mar. de 2010

AMOR QUE NÃO SE ACABA...



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AMOR QUE NÃO SE ACABA...


Passado algum tempo, depois da aceitação do fim, Paula finalmente pôde voltar aos lugares onde vivera um bonito amor. Ainda sentia tristeza no coração, vinha a vontade de chorar, embora a maturidade inibia maiores demonstrações dos seus secretos sentimentos.

Tudo parecia diferente naquela cidade. Dava a impressão que faltava cor. O céu parecia menos azul. Um certo desconforto ao respirar. O ar não estava tão fresco. Havia pouco brilho no céu. O Sol não luzia com seu habitual esplendor. Até o mar agitava-se triste. Quando quebrou na praia, Paula teve a sensação de ouví-lo lamuriar. Nem a bebida a estava agradando. Incomodada, Paula, desabafou:

- Puxa, que coisa mais insípida! – Deixando a bebida de lado, Paula pagou a conta e seguiu caminhando tentando compreender o motivo de tudo estar descontente.

Alguns passos a frente, olhando ao redor, sua mente clareou-lhe as ideias. Percebeu não haver defeito nenhum. Nem com o ar, com o Sol, com o céu ou com a bebida.
Nada. Tudo estava do jeito que sempre esteve.

Para todo aquele misto de sensações estranhas, de tudo parecer desagradável, havia uma única explicação. Precisava daquilo que tornava tudo mais bonito, saboroso e colorido. Faltava-lhe tempero. O amor. O amor é o que melhora as cores e sabores da vida.

Naquela hora, a saudade arrebatadora do amado encheu de amor o coração de Paula. Era amor que não se acaba...


Djanira Luz

1 de mar. de 2010

PARABÉNS, MINHA SENHORA GAY MARAVILHOSA!



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PARABÉNS, MINHA SENHORA GAY MARAVILHOSA!



Hoje, aniversário da minha cidade, não poderia deixar de prestar-lhe tributo.

Parabéns, minha senhora por mais um ano de vida em tantas vidas que sustentas. Obrigada por ter me acolhido e recebido de abraços abertos, batizando-me Carioca onde tu fizeste da casa de branco, também a casa do negro, do mulato, do índio e até casa para filhos de outras nações, como os amarelos orientais. Transformando o Rio de Janeiro num arco-íris de amor fraterno e universal.

Alegria imensa saber que foste reconhecida como a cidade mais gay do mundo! Sim, tu és alegre em cada face do povo que habita neste lugar “abençoado por Deus e bonito por natureza”, como bem escreveu o compositor. Sim, cariocas somos alegres! Seja o carioca do morro ou da mansão, o coração está sempre sorrindo! Cada um com seus sonhos e ideais. Mas, a mesma e intensa felicidade de viver a vida, curtir o Sol, a boemia, a paixão, as rodas de samba ou as batucadas dos terreiros.

Cidade Maravilhosa que recebe a todos com calor humano e sorriso fácil e verdadeiro, pois a alegria vem da alma e reflete no olhar dos teus filhos amados e orgulhosos. Filhos sem preconceitos que acolhem todos os credos, todas as opções sexuais, respeitando e reconhecendo a beleza em cada gosto.

Rio de Janeiro parece mais uma nação por tantos baianos, paulistas, mineiros, gaúchos, pernambucanos, chineses, americanos, canadenses, suíços, portugueses, italianos, alemães que fazem do Rio sua região ou seu país. São baianos-cariocas, paulistas-cariocas, portugueses-cariocas. Enfim, todos que foram recebidos de braços abertos, hoje abraçam a Cidade Maravilhosa como sendo a pátria-amada-gentil!

Parabéns, minha senhora! Continue linda encantando a todos com tua beleza natural e com a alegria do teu povo que luta, trabalha e não desiste de sorrir, nem perde a esperança a cada novo amanhecer com teu jeito gay de ser feliz!

Djanira Luz

27 de fev. de 2010

O SIGNIFICADO DA VIDA...



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O SIGNIFICADO DA VIDA...


Sabia quando aqueles olhinhos não paravam de me fitar é que seria a sessão “tudo quero saber”. Seja a pergunta que fosse, embora algumas vezes nem eu soubesse as respostas, ela não contentava com engodos, queria entender os porquês de tudo. Por isso me esforçava ao máximo para lhe saciar as curiosidades próprias da idade.

Naquela tarde não foi diferente. Justo no dia em que eu também buscava respostas dos últimos acontecimentos, aproximou-se de mim e foi segurando minha mão alisando-a com ternura. Senti que comparava a minha mão a dela. Aquela mãozinha perdia-se na palma da minha. Duas vidas que se completavam, porém, seguiam por caminhos distintos, cada uma no seu tempo. Enquanto minha bagagem de passado estava cheia, a dela de presente pouco havia.

Distraí-me por um tempo entre nossas fases de vida. Não durou muito tempo minha divagação, pois o silêncio foi quebrado com uma pergunta surpreendente:

- Por que temos que morrer?

Estranhei por vir de uma menina de cinco anos. Por mais evoluídas que estejam as crianças, ela era só uma garotinha preocupada com a morte. Logo ela que havia tão pouco tempo de vida. Fiquei preocupada, porém, lembrei-me que a avó da Sarah, sua amiguinha do III Estágio, havia falecido dias antes.

Parei por alguns instantes pensando quantas vezes quis saber a resposta para aquela mesma pergunta – por que temos que morrer? - . Era como se a vida pregasse-me uma peça pondo-me diante de questões cujas perguntas nunca obtive respostas concretas. Para que minha filha não crescesse com aquele vazio, com uma lacuna inquietante e incômoda, tentei ser mais convincente dando-lhe boa explicação.

- Meu bem, veja quantas árvores e plantinhas que existem. Todas elas foram sementes que esperaram pacientemente até o tempo bom, até o momento certo para nascerem e se tornarem árvores para nos dar saborosos frutos ou uma planta para nos presentear com lindas flores. Acontece que se as sementes crescessem todas de uma só vez, não haveria espaços para caminharmos porque todos os lugares estariam ocupados com nova árvore a cada amanhecer. Por isso que as plantinhas e árvores um dia murcham, secam e morrem. Elas tiveram seu tempo na Terra. Cresceram verdinhas e felizes, deram bons frutos e, depois de tudo cumprido, de terem servido de sombra, de alimento, de enfeite para nossos olhos e de aroma perfumando-nos a vida, elas partem embora cedendo espaço a novas sementinhas para que cumpram seus destinos renovando a vida no Planeta. O mesmo acontece com as pessoas. Nascemos, crescemos saudáveis e felizes, depois de cumprirmos nossas missões, partimos para que novas sementes que são os bebês, continuem florindo, perfumando e frutificando a Terra com boas ações e renovado amor.

Após terminar minha explicação, senti que a mãozinha antes segurando a minha, afagava-me a face e um beijo quente recebi. Depois fui envolvida com um abraço. Minha filha nada disse. Ficou por um tempo com a cabecinha recostada em meu ombro e as mãos acariciavam minhas costas. Parecia que buscava palavras ou arrumava as ideias depois de tudo o que ouviu. Retirando a cabecinha do meu ombro, olhou-me com suavidade dizendo:

- Mamãezinha, seja uma árvore forte e aguente bastante tempo por aqui porque eu ainda vou precisar muito da sua sombra, tá bom?

Com aquelas palavras certifiquei-me de ter atingido meu objetivo. Ao menos minha filha não cresceria com aquele vazio inquietante na alma de pergunta sem resposta. Ela havia entendido o sentido da vida, sobretudo, o da morte.






Djanira Luz

25 de fev. de 2010

O MENINO QUE AMAVA O SOL!



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O MENINO QUE AMAVA O SOL!




Acordava já olhando para a janela vendo se o tempo estava do jeito que deixou na noite interior. Lindo, sem vestígio de alteração no clima. O menino amava o Sol. Era como se fossem grandes amigos de caminhada. O Sol, mais experiente de longas datas saboreava a convivência e ia com seu calor, aquecendo os dias daquela amizade enquanto o menino crescia saudável e feliz.

Cada manhã ensolarada dava a certeza de muitas horas alegres para o menino no decorrer do dia. A felicidade em sua face equiparava-se a grandeza do Sol. Por amar o Sol daquele jeito, imagino que seja por isso o menino nascera com aquelas características físicas – olhos azuis cor do céu, cabelos amarelos do Sol e nos lábios o sorriso brilhante de manhãs iluminadas!

Nos dias em que o Sol não vinha, lágrimas desciam dos olhos do menino como chuva que caía lá fora. Depois de um tempo é que entendi o tamanho daquele amor do menino pelo Sol. Tantas foram as vezes em que o menino testemunhou a mãe chorando por alguma dificuldade ou dor que ele sofria em ver dias de chuva. As muitas lágrimas da mãe lembravam-lhe chuvas. Por isso amava o Sol! Sol simbolizava vida feliz, contentamento, satisfação. Era o Sol quem ele via brilhar na face da mãe quando feliz. Ao passo que a chuva, inconscientemente, trazia-lhe doídas recordações da triste face materna.

Não que odiasse chuva, embora o deixasse nublado o coraçãozinho. Admirava, respeitava e sabia que tanto como o Sol, a chuva era necessária para a vida. Entretanto, em sua mente infantil tudo o que tinha cor e gosto bom precisava do Sol para aproveitar bem o dia. A praia, a piscina, a pipa no céu, o futebol, o sorriso da mãe, as brincadeiras na praça da cidadezinha, as pedaladas de bicicletas, sorvete liberado sem recomendações de “nada de sorvete, vai ficar resfriado”. Sim! Sol era sinônimo de alegria garantida. Horas felizes, dia bom de viver com riso fácil no rosto, voo livre sobre as horas esticadas de verão.

Vendo o menino penso o quanto de razão ele está coberto! Não que precisemos necessariamente do Astro Rei para tornar o dia melhor. Necessitamos é de ideias douradas, alegrias iluminadas, pensamentos acesos, enfim, precisamos de luz de quinta grandeza interior, de claros otimismos para tornar o dia pleno Sol a irradiar belas horas felizes.

Ainda que sua luz esteja ofuscada por alguma nuvem de dor, saiba que se o raio de Sol consegue penetrar densas camadas de nuvens, então, se você tiver apenas um filete de alegria e conservar a esperança, poderá romper a tristeza trazendo de volta para seus dias a felicidade ensolarada de bem viver! Seja feliz!rs



Esta crônica foi escrita agora (hora 14:40) em homenagem a minha querida amiga Cláudia Tomazoni.


Djanira Luz
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