5 de fev de 2010

VIOLÊNCIA PARA EDUCAR!?


VIOLÊNCIA PARA EDUCAR!?

Aos oito anos de idade, a vida não sorriu farturas para João Batista. Na verdade, ele conhecera desde os primeiros anos, a feia face da pobreza.

Algumas vezes, pela carência de tudo, sobretudo da alimentação, antes de ir para escola via-se obrigado a ingerir no lugar do farto desjejum, um copo com água morna e açúcar. “Para enganar o estômago”, dizia consolando-lhe, a mãe. Tola ingenuidade imaginar ludibriar a fome.

Cansou das vezes que os pés enchiam de bolhas e cortes por não ter sapatos. Até para a aula precisava ir de pé no chão. Vida dura. Triste. Resignada.

No fim de tarde de mais um dia sem opções, no fundo do quintal, procurando talvez respostas para a miséria familiar, João Batista encontrou um ovo que a galinha do vizinho havia posto em seu quintal. Imaginou um presente. Talvez tenha passado em sua mentezinha pueril que poderia ser Deus atendendo umas das inúmeras preces chorosas da mãe sofrida.

Pegou o único ovo, como se fosse realmente o ovo de ouro da galinha encantada e chamou pela mãe:

- Mãe, achei um ovo! Frita ele pra mim?

O que o menino sequer imaginou foi a reação violenta da mãe. Começou a gritar, a chamá-lo de desonesto, que o ovo era do vizinho, que não teria filho ladrão! Zangada, ordenou ao menino que devolvesse o “roubo” no devido lugar. Enquanto caminhava obediente e choroso, João Batista sentiu um forte impacto atrás da cabeça, na altura das orelhas. Percebeu que escorria algo quente em sua nuca. Era sangue!

A mãe num ato impensado de fúria havia atirado uma leiteira que tinha em mãos na direção do menino atingindo-lhe numa área perigosa e delicada. Ao ver o sangue escorrendo, a mãe tomou consciência da violência estúpida investida no pequeno filho. Como o sangue escorria pelo corpo do menino, o remorso escorria corroendo a alma daquela mulher.

Não teve intenção de ferir o filho. Quis antes ensinar-lhe a ser honesto. Sem cultura, órfã, sem saber como agir, cometeu um grande erro que marcaria com uma cicatriz para a vida toda a cabeça do filho e a sua alma.

Contrariando suposições da família e amigos, o menino não cresceu revoltado, não se envolveu com o lado obscuro das drogas, não seguiu por sendas errantes. Cresceu honesto, bondoso, filho exemplar. Possuidor de um coração que não lhe cabe.

Passados os anos, um dia a mulher de João Batista acarinhando-lhe os cabelos, pergunta perto da sogra, sem saber da história de anos passados:

- O que é isso na sua cabeça?

Ele revela com graça para a mulher, sem qualquer vestígio de mágoa o triste fato - da miséria dos dias difícies e da ignorância da mãe, pois não soube agir adequadamente para educá-lo.

A sogra, num sorriso doído, sem jeito por recordar aquele momento que nunca conseguiu apagar, confessou:

- Como arrependo de ter feito aquilo, meu filho! Sofri todos esses anos. Se fosse hoje, além do ovo, eu mataria até uma galinha do vizinho para você não passar fome... Como fui ignorante, meu Deus!

Há quem ensine da pior maneira. Por ignorar o jeito certo de agir ou por estupidez de alma, por ser violento. Devemos ter cautela se quisermos criar bons filhos. Ensinar com brutalidade para que o filho não cometa erros não é o caminho mais sensato.

João Batista tornou-se um homem honesto e bondoso. Mas, nem todos os filhos são como João Batista que teve compaixão da mãe entendendo e perdoando seu ato infeliz.

Por isso, procure pensar bem antes de tomar decisões precipitadas. Educar com amor é sempre a melhor opção. Faça a escolha certa, viu?rs


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Djanira Luz