21 de mai de 2010

DEIXE SAíREM AS IDEIAS!



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DEIXE SAíREM AS IDEIAS!


A mulher acordou com o barulho:

- Deixe-nos sair! – Gritavam as ideias.

- Não posso, não posso. – Ela respondia hesitante.

- Não vê que estamos amontoadas uma nas outras como pessoas dentro do metrô superlotado em São Paulo? – As ideias espremidas protestavam.

- Sinto muito, mas não vai dar... - A mulher timidamente lamentava.

- Por favor, deposita-nos em algum papel ou em editor de textos no seu computador. Transforma-nos em palavras! – Sugeriram as ideias.

- Ando tão atarefada, não posso. – Insegura de suas respostas, a mulher disse.

- Para o que se ama encontra-se tempo! Nada de desculpas. Deixa-nos sair! – As ideias não queriam saber de engodo.

A mulher pensou por alguns instantes percebendo que as ideias fervilhavam-lhe a mente. Sim, era o momento de interromper seu silêncio. Precisava descarregar todos os sentimentos presos nas ideias, acumulados no tempo em que se fechou para o mundo das palavras.

As ideias empolgadas quiseram sair todas de uma só vez. Cada qual querendo virar palavra:

- Primeiro eu! Primeiro eu! - Disse uma.

- Aiiii, não me empurra! Nada disso que nasci primeiro e estou esperando mais de uma semana para sair! - Uma outra reclamou a vez.

- Dá licença que você pode ter sido a primeira, mas eu sou a melhor ideia dela! - Gabou-se ainda mais outra.

A mulher ria e bronqueava:

- Parem já todas vocês! Ordem nos meus pensamentos ou vão todas as ideias cair no esquecimento.

Calmaria feita, a mulher foi pouco a pouco pondo no papel as ideias. Depois transferiria para o computador. Tão logo que tivesse tempo. Prometera para as ideias nunca mais deixar de escrevê-las.

As ideias satisfeitas, multiplicam-se a todo tempo!