11 de jul de 2009

AMOR É O VERÃO DA VIDA!


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AMOR É O VERÃO DA VIDA!




Era verão, mas a morte é fria como dias de inverno...

Lina estava desolada. A gravidez que foi programada, esperada e desejada, naquele momento era sua única fortaleza. Ao lado da mãe, Lina tentava encontrar palavras e respostas...

- Como isso foi acontecer com uma pessoa cheia de vida, tão amiga...voltando para casa e levar um tiro que nem era para ele... Uma bala perdida que foi encontrar logo meu amor para matar!!!

Dona Nicole não conseguiu confortar a filha, pois ela mesma estava perplexa com a violência urbana. A jovem futura mãe de vinte e cinco anos que ficou casada por apenas dois anos com Otto, de vinte e oito anos, seu colega de faculdade que se formara Cirurgião Pediatra, ele que não via a hora de ter em seus braços um menino ou menina para ouvir chamá-lo de "papai". Agora não estaria lá para participar desse momento único de glória.

A revolta tomou conta do coração, da alma e da mente da doce Lina. Num raro ato de fúria, entrou no carro e saiu acelerada, deixando dona Nicole com os nervos abaladíssimos, temendo que a filha cometesse algum ato insano por encontrar-se desequilibrada pela tamanha perda.

Chorando demais, não muito longe de sua casa, Lina pára com o carro defronte a Prefeitura. Usando a dor da perda do seu grande amor como força para gritar e se fazer ouvir, começa a desabafar:

- Cambada de usurpadores, cretinos, malditos, CORRUPTOS, CORRUPTOS!!!

A rede de Tv que estava gravando entrevista com um candidato à Prefeitura, logo que ouviu os primeiros protestos de Lina, foi para o local cobrir aquele ato de revolta e desabafo. O repórter, reconhecendo aquela jovem mulher, correu e chamou o cinegrafista:

- Vamos lá, Zero! É a viuvinha da Almirante Barroso...

- De que vale tanto incentivo aos esportes, aos estudos, tantas Ongs espalhadas em prol do bem social, se vocês prefeitos, deputados, vereadores e demais corjas, não se preocupam com nossa segurança, com nosso direito de ir e vir... De ir para o trabalho e retornar para casa e para as pessoas que amamos são e salvos... VIVOS!!! Chega de hipocrisia! Chega de enganação! Estamos cansados de tudo isso!!! De que adianta esportes, lazer, cultura se o cidadão não vai viver para usufruir de tudo isso!!!???

Mas, quando alguém pisa na ferida política, aparece sempre um "cala-boca" para pôr panos quentes na situação. Antes que o secretário da Prefeitura fosse falar com Lina, ela desmaia.

Foi muita pressão para uma grávida de apenas três meses. O desconforto do atual prefeito aumenta, pois sabe que a repercussão deste episódio pode custar caro para sua reeleição. E ele tem motivos para preocupar-se, pois defende com veemência duas Ongs de índoles suspeitas...

Breno vai socorrer a graciosa Lina. Toma-a em seus braços, leva-a até o carro para conduzí-la ao hospital mais próximo. O celular de Lina não pára de tocar, Breno hesita em atender. Como se trata de emergência, ignora a falta de ética em fazer uso do celular alheio e atende a ligação. Do outro lado, uma voz fraca e rouca, assusta-se com a voz de Breno.

- Meu Deus! Quem é você? Onde está minha filha, moço? - desespera-se dona Nicole.

- Calma, senhora, está tudo bem... - Breno tenta confortar a mulher ao telefone.

- Quem é você? Que faz com o celular da minha filha? Ela sofreu acidente? Bateu com o carro? Fala pelo amor de Deus! - grita exaltada a pobre mãe aflita.

Perspicaz, experiente e hábil, com segurança o repórter vai respondendo cada pergunta da mulher ao telefone.

- Sou eu, Breno, o repórter que cobriu o acidente da Rua Almirante... Do Otto... Sua filha veio fazer um protesto em frente a Prefeitura, ficou um pouco alterada e desmaiou. Estou levando-a para o Hospital da Lagoa. Assim que chegar lá, retorno a ligação para a senhora, está bem?

- Minha Nossa Senhora! Ela não pode perder o bebezinho dela... Estou indo para o hospital agora mesmo, até lá, meu filho. Obrigada pelo que está fazendo pela minha filha...

- Que isso... É o mínimo que posso fazer por ela, ainda mais agora em saber da gravidez... Um abraço.

Breno segue para o hospital, mas Lina já está reanimando e assusta-se ao ver aquele rosto um tanto familiar conduzindo seu carro.

- Você? O que faz aqui? Para onde está me levando? - questiona a confusa Lina.

- Para o hospital para ver como está esse bebê e a mamãe dele... - diz gentilmente o jovem repórter.

- Ah... - suspira Lina - não como quase nada há dois dias... - desculpa-se a jovem grávida.

- Imagino, foi um golpe duro... Mas, precisa preocupar-se com o bebezinho lindo. Ele precisa crescer saudável - encoraja Breno.

- É... Fui egoísta, né? Vou voltar a fazer as refeições na hora certa. Esta criança que trago em meu ventre, é a melhor parte de mim e do meu... - Lina começa a chorar baixinho sem conseguir completar a frase.

O repórter fica sem jeito, não sabe como reagir, com uma das mãos, acaricia os cabelos da Lia, confortando-a. Há momentos, que palavras são mesmo desnecessárias quando um gesto é bem oportuno.

Chegando ao hospital, dona Nicole já está esperando a filha, que a abraça com ternura e compaixão.

- Mãezinha... Perdoa esta sua filha... Não queria magoar você...

- Entendo seus motivos... Essa dor, Lina, esse dissabor, o tempo vai curar. - disse sabiamente dona Nicole.

- A morte, mamãe, é o inverno da vida... As lágrimas que rolam em minha face, são as chuvas finas e frias e a dor em meu peito, é o vento gelado e cortante.

***

Setembro. Nasce Beni. Nome escolhido pelo pai Otto, cujo significado é "abençoada". Linda, olhos vívidos como os do pai e beleza herdada da mãe.

Mais segura, confortada e fortalecida com o nascimento da filha, Lina já tem outra visão da vida. Sente que sua vida já não é mais um inverno. Sua filha abençoada trouxe a primavera para seu coração e agora aquela criança é mais uma flor no seu jardim.

Quando Beni completou dois anos de vida, Lina escreve uma mensagem sobre a menina como se estivesse escrevendo para Otto:

"Há dois anos, nascia nossa querida filha Beni. Foram anos de espera, mas que valeram aguardar... Beni é uma menina que preenche uma casa, um quintal, sobretudo nossas vidas. Sua alegria, sua simpatia contagia a todos que têm a felicidade de conhecê-la mais de pertinho. Deus atendeu nossas orações dando-nos uma criança feliz que traz em seu sorriso o esplendor e calor do Sol; traz em seus olhinhos todo o encanto e brilho das estrelinhas e em sua vozinha, a doçura que emociona cada vez que ouço pronunciar "mamãezinha"... A vida com Beni tem mais cor e sabor. Sou privilegiada por tê-la como filha."

Lina sentia que estava entrando o outono em sua vida, pois as tristezas, a dor e amargura, davam lugar a um sentimento de carinho, respeito e saudade do Otto. Saudade essa que não machuca, apenas conforta. Finalmente os seus sentimentos, como as folhas no outono, estavam sendo renovados, levados para longe, deixando uma brisa suave e refrescante. Lembrou-se das palavras proferidas pela dona Nicole e sentiu orgulho de ter a mãe sábia.

E vieram outros dias. Volta e meia Lina esbarrava com Breno pelas ruas do Centro do Rio. Aqueles momentos em que, despretensiosa, encontrava com Breno, sentia o coração queimar, como se estivesse em pleno verão. Lina sentia seu rosto ruborizar e não queria admitir que estava começando sentir algo pelo repórter. Breno sempre demonstrou estar apaixonado por ela, procurava se fazer presente nos locais que Lina frequentava, dava desculpas de estar cobrindo uma e outra matéria para a tevê.

Aos poucos, Lina vai aceitando que o amor é o verão que a faz ferver para a vida. Disse para si mesma:

- Que me venha outro verão, que o Sol brilhe e sorria para mim com toda intensidade!!!

E foi-se feliz de volta para sua clínica onde exercia a profissão de Nutricionista.


Djanira Luz