14 de ago de 2009

AQUI CHEGUEI, CRIEI RAÍZES...


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AQUI CHEGUEI, CRIEI RAÍZES...

Vim do outro lado do oceano em busca de uma nova terra, um novo lar, uma nova vida, novas esperanças...

O clima tropical contrastou com a neve que tinha na memória desde meus tempos de menino. Estranhei, chorei, tive medo. Era homem, mas só por fora. A dor, a perda, a distância da pátria-mãe não me fez forte. Fez-me frágil, saudoso e cheio de receios. Haveria de superar. Aliás, tinha por obrigação. Minha família ficara no meu país de origem com a mesma saudade que trazia em meu peito.

Para ter ânimo ficava pensando: juntar-me-ei aos colonos, vou plantar. O que der. O que a terra abençoar. Irei plantar sementes e junto, os desejos secretos do meu coração que só eu mesmo conheço. Hei de vê-los brotar: frutos e sonhos.

E de novo, poder ter em meus braços a minha amada, a delicada presença amiga que torna minha caminhada mais fácil e branda. E nossos filhos queridos, a soma de nós dois. Darei a eles manhãs sorridentes de Sol; tardes com a algazarra dos pardais e noites serenas iluminadas, pingadas de olhares cintilantes das luzinhas das estrelas.

Passaram-se os anos e agora eu me vejo aqui, numa terra distante, num país estranho que se tornou minha paixão e que hoje é meu. É minha vida, minha terra, meu chão, meu berço. Sou seu, pertenço a você, Brasil!

Um brinde à terra generosa que me retribuiu com frutos, flores, cores, sabores, beleza, música, amizade, encanto, um canto, um lar. Sonho realizado!

Hoje, depois de tudo que passei e conquistei, sei que tenho uma dívida enorme de gratidão. Não quero mais voltar para o meu país, já me sinto em casa.

Sou como aquela primeira árvore que plantei. Aqui cheguei, criei raízes...


***


PARA OS COLONOS DE TODOS OS LUGARES DO MUNDO QUE VIVEM NO BRASIL, O MEU CARINHO, RESPEITO E HOMENAGEM!


Djanira Luz

O FINAL DO ÚLTIMO ENCONTRO...


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O FINAL DO ÚLTIMO ENCONTRO...


(Continuação do conto - O ÚLTIMO ENCONTRO)


Alguns dias depois Anne recebeu uma ligação dele dizendo que aceitava sim aquele último encontro, onde ambos deveriam devolver os sentimentos, cheiros, gostos e a lembrança do que ficou do outro em si. Seria um encontro formal, rápido, poucas ou nenhuma palavra. Um abraço, talvez, para devolver o calor dos corpos tocados com carinhos nos dias onde o amor fizera dos dois, uma só carne.

Ambos acreditavam que seria fácil, coisa assim como quem devolve uma roupa que provou. Compra-se, porém, depois de uma análise mais detalhada no espelho, vê que não lhe caiu bem. Acontece que estamos falando de amor e nada pode ser comparado a esse nobre sentimento. As roupas podemos descartar, fazer a troca com naturalidade. Amor não! Amor quando forte como o que viveram não se desfaz com a facilidade imaginada por eles.

Escolheram o mesmo local do primeiro encontro na tentativa de apagar desde o início toda a boa lembrança para que não restassem resquícios do grande amor entre os dois.

Sempre pontual, Anne aguardava por ele no charmoso Blue Coffe Cyber Café. Ensaiou várias falas formais para não se perder no momento do adeus. Estava segura apesar do coração estar acelerado e sentindo no corpo um leve tremor. Como estava frio, usou o clima como desculpas para aquelas sensações. De longe o avistou. O mesmo jeito de sempre de caminhar, a maneira de se vestir e à medida que se aproximava, Anne ia sentindo aquele conhecido aroma sedutor e presença em belos momentos.

A visão dele dosada com o seu perfume fez com que Anne ficasse receosa e vulnerável com as lembranças. As boas e adoráveis recordações.

Ao vê-la, ele reconheceu que não seria fácil o adeus, pois sentiu o quanto de amor trazia em seus olhos, em sua boca, em suas mãos, no corpo e na mente por ela. Aliás, os cinco sentidos dele, eram dela e desejavam-na. Ele constatou que nunca antes sentira tanto amor assim por nenhuma outra mulher.

Diante da Anne não foi possível dizer nada. Ficou imóvel como se o tempo tivesse parado para ficar contemplando sua amada. No fundo da sua alma tinha plena convicção de que ela era sua mulher e seu grande amor. Sabia que ali não seria o último encontro, mas o reencontro do amor do qual nunca deveria ter se distanciado.

Estendendo-lhe as duas mãos, sem nada dizer, a não ser pelo olhar que pedia para que Anne pousasse as suas sobre as deles. E, ela que aprendera a ler nos olhos, nas expressões do rosto, nos tiques que ele fazia, compreendera o pedido e num gesto delicado sem qualquer pensamento em relutar, pôs suas mãos sobre as deles e sentiu dois corações pulsando na mesma intensidade. Sem perceberem, as mãos desprenderam-se para envolverem-se em abraços quentes, apaixonados e cheios de saudades.

As falas decoradas, frias e breves deram lugar ao silêncio que durou bem mais de um minuto com aquele beijo atrasado, esperado que dizia tudo, sem palavra sequer.

O último encontro não houve nem haverá. Anne e ele combinaram que daquele momento a cada dia, a cada novo encontro seria como se fosse o início. Pois, amor quando é bastante é preciso vivê-lo a cada nova manhã como se fosse o último encontro e aproveitá-lo bem com a emoção do primeiro...


Djanira Luz