17 de abr de 2009





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NÃO! NÃO SOU O SEU REFLEXO...


O grande erro de muitas pessoas é acreditar que o outro é espelho, que pode se ver refletido nele. Eis a causa de se cometer errôneas opiniões e injustiças.

Quem já ouviu, disse ou pensou?

“- Hum, ele é bonzinho demais... Aposto que está querendo alguma coisa em troca!”

Pelo fato de alguém realizar algo de bom, de ter o coração generoso já é motivo de levantar suspeitas... Sobretudo por pessoas que têm atitudes contrárias àquelas que ajudam despretensiosamente.

Geralmente, quem desconfia da bondade alheia é justo aquele que vive querendo tirar vantagens em tudo, o tido “interesseiro”, que não faz nada de graça, nada sai barato com ele, aquele que dá gato por lebre e que acha que todos somos iguais...

Não, não somos!

Fico contrariada quando me veem assim como reflexo. Muito mesmo. Não sou o seu reflexo. Não me julgue pelos seus atos, pelo seu modo de agir, de pensar.

O mundo anda assustadoramente num jogo de interesses que quase ninguém mais acredita na gratuidade das intenções.

É por esse motivo que nos julgam segundo seus próprios modos de agir, pois nos veem como espelhos que refletem aquilo que cada um traz sigilosamente dentro de si.

De uma coisa tenho convicção. Sou imagem sim, mas não seu reflexo!

Quando você olha seu semelhante, as intenções dele, você se vê? rs





Djanira Luz

O POODLE H²O24...






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O POODLE H²O24...



Aquela empresária, cheia de mimos com seu poodle
“Albert Fred” – é porque cachorro chique tem nome e sobrenome... Foi levá-lo ao salão para animais, a fim de tosar e pintar o pelo do animalzinho querido।


Chegando ao salão, Albert Fred está apavorado com aquele ambiente. Não imagina, coitado, o que irá lhe acontecer! A dona do Pet Salão, aproxima-se dizendo:

- Que coisinha fofa da titiiiia... Vamos fazer um penteadinho gracinha, vai ficar lindo, Eliz!

- Ah, Myle... Capriche, hein! Faça igual esse que está na revista Cães&Cia. Tosa completa: rosto, rabo, barriga, patinhas, estomacal, testículos. Tudinho! A cor, quero azul cian, ok?

- Ok, Eliz! Pode confiar nos meus serviços que vai ficar um arraso! – Garantiu Myle.

Albert Fred não estava entendendo patavina daquele diálogo, mas sabia que boa coisa não era. Ah, mas não era mesmo! Albert Fred pensava... “Acho que hoje vou me ferrar!”

Myle despediu-se de Eliz e foi logo fazer a tosa. Albert tremia, uivava qual um lamento, enquanto as mãos ágeis da tosquiadora iam dando novo formato ao seu pelo. Feito isso, ele é levado para tomar banho. Esfrega daqui, esfrega dali e Albert Fred já está enjoado, cansado, odiando aquela mulher que o trata como se ele fosse um bicho de pelúcia.

Albert Fred pensa... “Ai que vontade danada de morder esta mulher todinha!”. Após o banho, Myle passa para a coloração dos pelos do animal. Faz matiz para obter o tom do azul desejado e finaliza o serviço colorindo Albert Fred conforme foi solicitado pela dona dele.

Quando termina, Myle seca o cãozinho e o leva defronte ao espelho para que ele conheça e admire sua nova aparência. Ao se deparar com a própria imagem, a primeira reação de Albert Fred, foi a de saltar do balcão e ficar correndo em torno de si feito cachorro louco. Com muito custo, Myle conseguiu segurar o poodle e acalmá-lo.

Quando sua dona retornou para buscá-lo, ficou fascinada com o excelente trabalho da profissional.

-Tudo perfeito! Tosa e o tom da cor! Maravilha, Myle! Ficou Show de bola! – Disse Eliz toda satisfeita.

Albert Fred, muito contrariado, novamente ficou pensando... “Sua idiota! Lindo uma ova! Estou é ridículo e todo assado pela tosa e pelo exagero do xampu!!!

Quando Liz ia saindo com o poodle sendo conduzido pela corrente, ele empacou não querendo sair do salão. Eliz falou gentilmente:

- Vem Albertinho... Vamos meu amôôô...

Albert pensava: “Não arredo o pé daqui, sua dona desnaturada, destrambelhada! Não tá vendo que a rua tá cheia de amigos meus que vão cair na minha pele por causa desta aparência ridícula?”

Eliz, depois de muito insistir, foi puxando o cãozinho até sua casa que ficava próxima dali. Só que ao chegar a rua, haviam cães vira-latas e gatos de sarjetas que ficaram olhando aquele “cachorrinho de madame” já caindo na gargalhada além de ficarem fazendo comentários maldosos:

- Ai, Bigu... – Disse um vira-lata para outro. – Olha que coisa ridícula aquele filhotinho de papai! Hahahahaha...

-Caraaaca, meu... Essa "Coca é Fanta"! Hahahaha... É frutinha, cara! Olha a patinha e o rabinho... Tá parecendo pomponzinho e frufru. – completou o outro cão já se desmanchando de tanto rir...

- É mesmo... – completou um gato malandro. – aquilo é um maior H²O...24!

- O que é isso? H²O 24? – Quis saber o vira-lata.

- Aí, “mermão”... É água fresca... “cumpadi”! H²O é água, 24 é bicha fresca, entendeu? Por isso que digo H²O 24!– Esclareceu o gato sabido.

- Pô, gostei malandro! Essa é boa! Num conhecia não... Tinha que ser invento de gato de rua mesmo!!! Hahahaha

- Seus palhaços... Não entendem nada de moda! Nunca ouviram aquela frase da Tati Quebra Barraco... “Sou feia, mas tô na moda”? Raça de ignorantes!!! – Disfarçou Albert Fred.

Aquele poodle estava envergonhado e furioso com aquelas pilhérias dos cães e gatos vagabundos. Olhou para o céu e suplicou:

- Oh, São Francisco... Interceda por mim junto ao Criador de todas as coisas para que Ele me conceda retribuir tudo que me foi feito hoje... Faça com que numa outra encarnação, eu retorne como homem e minha dona, um cachorro!


Djanira Luz