13 de nov de 2009

COMO ESQUECER UM GRANDE AMOR


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COMO ESQUECER UM GRANDE AMOR


Se chorar fosse possível lavar toda a dor de amor, a mágoa da separação, choraria um dia inteiro, um mês inteiro, quiçá um ano. Mas, chorar não resolve nada e só me traria mais um desgosto, o de ficar com a cara vermelha e as pálpebras inchadas semelhantes às de um sapo olhudo.

Engraçado é que nessas horas aparecem muitos “especialistas” com as dicas mais variadas para curar o fim do amor. É! Todo mundo tem uma dica infalível como o inútil plano do Cebolinha para roubar o Coelhinho da Mônica dentuça. Nunca dá certo!

A lista de sugestões é bárbara! “Faz um curso de sei lá o quê, disso ou daquilo outro, você se distrai e tira essa ilusão da cabeça”, diz um. “Viaja! Nada melhor do que uma viagem para esquecer fim do amor”, garante outro. “Arranja logo outro amor e num instante você se esquece do traste que se foi”, mais um me consola.

Veja se vou seguir esses conselhos! Eu poderia fazer todos os cursos possíveis e inimagináveis, ainda assim o amor continuaria comigo. Amor igual ao que sinto não se esquece tão fácil. Para que viajar se tenho certeza de que tudo me faria lembrá-lo. Sua presença seria constante uma vez que não me sai do pensamento. Uma flor, nossa música, os aromas, sabores, uma piada, um conto, um detalhe, um objeto que ficou guardado, uma palavra mais carinhosa, aquela frase apaixonada. Tudo são lembranças que me acompanham por onde eu for.

Não. Não adianta viajar! A não ser que seja uma viagem para dentro de mim. Ir bem dentro do coração, apertar o “stop”, deletar quereres, acertar o ponto de equilíbrio que me deixou fora do eixo e recomeçar a vida. Só sendo mesmo esta viagem ao interior do corpo. Arrumar outro amor? Que pensam meus amigos? Que meu amor é qualquer coisa moderna de “ficar”, “tamu junto”. Essa coisa de beijo descartável, sem paixão, sem sentido, sem despedida ou certezas de nos veremos amanhã? Isso não é amor!

Amor é o que sinto... Essa coisa de arrumar outro alguém para esquecer o ser amado é brincadeira! Imagina se vou querer brincar com sentimentos alheios... E se esse alguém se apaixona por mim do mesmo jeito que estou apaixonada e, de repente, eu o dispenso por descobrir que o que sinto é apenas um carinho fraterno que valha uma relação sincera?

Depois de tê-lo enchido de esperanças, feito acreditar que meu amor era sincero, eterno, de repente, sem aviso prévio o dispensasse com um adeus mais frio do que a Antártica, dizendo-lhe com a voz mais suave:

- Quero conservar a sua amizade...


Fala sério! Quando alguém ama o que menos deseja ser do ex-amor é amigo. É como se a pessoa recebesse uma carta franca ou um bônus de consolo de eterna compaixão. Melhor seria ter rasgado o verbo:

- Escuta, descobri que o sinto não é amor, vamos terminar.

Deve ser assim. Ponto final sem piedade. Querer sair bem de uma relação, oferecendo ombro amigo não é boa atitude. Faz o outro sentir-se coisa nenhuma, um ser incapaz de despertar sentimento de afeto. Não que seja errado querer ser amigo de quem você recebeu amor. Mas, oferecer amizade nessas horas de fim de relacionamento, não funciona bem.

Meu coração está assim como uma bomba que implodiu. De fora ninguém percebe. Por dentro estou toda ferida, sangrando imagens de saudades, moída de decepção, repleta de caquinhos de tristeza. Sobras da ruína da separação.

É... Não adianta chorar! Devo tomar logo a decisão em restaurar os estragos, arrumar a bagunça que se instalou. Preciso construir uma fortaleza e proteger meu coração de possíveis novas investidas apaixonadas que hão de vir. O desprezo que obtive desse amor que se foi, a saudade que insiste em me machucar, as mentiras que provei e este medo de amar novamente que restou em mim vão me servir de redoma. Hei de cercar o coração a fim de evitar reter-me no passado e me acautelar do futuro caso entre um amor desavisado. Preciso me precaver das investidas de falsas promessas, do amor fugidio, das ilusões de meros momentos.

Ninguém tem a receita certa de como curar de um amor verdadeiro, mesmo que esse amor seja unilateral. Eu, porém, tenho umas ideias. Tomarei doses de amor próprio, olharei bem mais para mim, vou me redescobrir e assim, poder ver no brilho dos meus olhos a esperança luzindo bons motivos de querer amar outra vez.

Por isso não sigo os conselhos dos amigos, apesar de serem bem intencionados. Não adianta substituir o que sinto por cursinhos, viagens ou nova paixão. Porque sei que um grande amor não deve ser visto como um simples objeto de permuta.



Djanira Luz