11 de nov de 2009

A MENINA E A LIBÉLULA...


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A MENINA E A LIBÉLULA...


Aninha corria por entre as lindas flores do jardim na casa dos avós. De repente o laço do vestidinho se desfez indo parar no meio das flores emaranhando-se numa delas. Ao se aproximar, a menina percebeu que além da florzinha, junto também presa a fita, havia uma linda libélula.

Encantada com aquela cena, a menina sorria ao ver seu laço enroscado na libélula que tentava libertar-se daquele incômodo. O que era tortura para uma, era alegria para a outra. Ana segurou a fita e a libélula levantou voo tentando fugir. Em vão. A menina achava divertido e na sua egoísta inocência não percebia que sofria o pobre inseto.

Ana sentia como que soltasse pipas. Presa pelo corpo, a libélula voava em círculos sem poder partir em liberdade. Foi aí que a libélula olhou com mil olhos para a pequena Ana e disse:

- Linda menina, desfaça o laço que nos une para que eu possa voar livremente. – Pediu o inseto.

A menina entre espanto e alegria, exclamou entusiasmada:

- Você fala!? Não sabia que você falava, não! – A menina gritou pela mãe, mas a libélula advertiu:

- Não chame sua mãe, criança adorável...

- Por que não posso chamar a mamãe? Quero que ela veja você e ouça sua voz, pois se eu apenas falar, ela não vai acreditar em mim... – Afirmou a menina.

E a libélula com paciência esclareceu:

- Só quem está na idade da inocência consegue entender os insetos, as aves, os animais em geral, até mesmo as flores e as plantas. Este poder vai se perdendo à medida que o homem deixa de acreditar na magia e desaprende a sonhar acordado. Por isso que lhe disse que não adiantaria chamar a sua mãe, pois ela não conseguiria mesmo me ouvir.

- Puxa... É uma pena, minha mãe iria adorar conversar com você, ela anda muito triste desde o dia que o papai foi embora... – A alegria que era presença certa na bela face de Ana deu lugar a uma expressão triste e descolorida.

- Não fique triste, minha menina, a sua mãe precisa aprender a se desfazer de laços. Quando ela desfizer os nós que a prendem ao amor que se foi, certamente voltará a sorrir iluminando-lhe a face e os dias com alegres momentos. – Confortou a libélula.

Ouvindo aquilo, apesar da pouca idade, Aninha entendeu que mesmo amando muito aquela linda libélula, sabia que precisava libertá-la, desfazer o emaranhado que a conservava ali presa ao seu laço de fita rosa. E assim pensou e assim fez.

A libélula agradecida ficou fazendo piruetas num gracioso balé aéreo para que a menina não sofresse com o laço desfeito, mas partilhasse da alegria e da liberdade do próximo.

Aninha havia aprendido a lição do amor que liberta, que não deseja ver o sofrimento pelo egoísmo quando só um é feliz na relação.

Despedindo-se da linda libélula, a amável menina correu de volta para sua mãe e contou sobre tudo o que havia acontecido. A mãe, ficou admirada com a sabedoria da pequena filha. Entendeu que a menina imaginou toda aquela situação para que ela pudesse aceitar a separação do marido.

Sorrindo e abraçando ternamente a menina, a mãe revelou serenamente:

- Amanhã mesmo eu vou assinar o divórcio, vou desfazer-me dos laços e deixar seu pai voar para a felicidade dele e assim, quem sabe, como você muito bem disse, eu possa também partilhar dessa alegria e ter outra vez meus dias coloridos, não é?








Djanira Luz