18 de mai de 2009

A BRONCA DOS SANTOS


Capela Santo Antônio (interna) - Praça do Suspiro (do Teleférico) Nova Friburgo
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A BRONCA DOS SANTOS

Havia deitado tarde. Quando o despertador a acordou com a voz rouca do locutor, quis acertar o controle remoto para calar a voz alta dele. Eram sete e quinze de um domingo frio e não fazia sentindo levantar tão cedo num dia de folga.

Sabia que se fechasse os olhos mesmo que por uns segundos, perderia a missa e a catequista depois ficaria ligando para saber o motivo da ausência das crianças. Então, espreguiçou-se e numa raiva contida, não por ter que ir para a igreja, mas por sentir-se culpada de ter ido dormir tão tarde. O corpo estava cansado e ela totalmente desanimada, ainda deitada gritou:

- Ai, meu Deeeeusss!

Pronto, em três palavrinhas havia soltado toda fúria consequente da preguiça. Levantou-se, foi para o banheiro e debaixo do chuveiro achou graça do seu grito. “Meu grito do Ipiranga”, pensou enquanto se ensaboava.

Realmente, quando estamos chateados, nada melhor do que soltar a voz num grito de liberdade, para soltar os “demônios”, as preguiças, os fracassos, a fúria... E é bom que se faça sem que haja pessoa por perto, pois não devemos jogar nossa zanga ou descontentamento em cima de ninguém!

Tomado banho, feito o desjejum, encaminhou-se com a família para a missa.

Sentaram no quarto banco da lado direito da igreja. A missa transcorria normalmente. Transcorria normalmente até o momento do “ofertário” onde as crianças da catequese passam a cestinha para recolhimento das ofertas e dízimos. Silvia estava distraída olhando para as imagens dos santos, quando fixou olhar para o santo padroeiro da Capela onde frequentava, o Santo Antônio que estava lá bem ao fundo em destaque acima do altar.

Silvia olhava para o santo Antônio e teve a nítida sensação de tê-lo visto abrir a boca duas vezes como se falasse ou quisesse lhe falar alguma coisa. Achando que estava vendo coisas, um pouco assustada, olhou para o marido ao lado e não percebendo reação nenhuma dele, olhou para a filha e viu que ela também parecia-lhe normal.

A mulher ficou cismada com o santo e sua boca aberta. Para seu maior espanto, ao olhar para a imagem de São Judas Tadeu, viu que ele olhava sério para ela. Depois o santo colocou o dedo embaixo de um dos olhos e puxou levemente a parte inferior dele como se lhe dissesse:

“-Tô de olho! Fica esperta!”

Assombrada com aquela outra visão, Sílvia começa a acreditar-se louca. Temerosa, olha para o Sagrado Coração de Jesus que está em sua direção e o vê com o dedo em riste e quase pôde ouvi-lo pronunciar:

“-Ai, ai, ai, Minha filha... Veja bem o que anda fazendo!”

“-Não é possível! Devo estar sonhando ou maluca... Ou não devo ter acordado ainda, só pode!” – Pensou Silvia querendo uma resposta ou desculpa para aquelas “santas” broncas...

Silvia já nem levantava mais a cabeça com receio de encarar a Nossa Senhora do Carmo lá no canto direito do altar. O marido notando a posição da mulher assim cabisbaixa, tocou em seu ombro e perguntou:

- Está sentindo alguma coisa, querida? Está um tempo assim de cabeça abaixada...

- Não! Estou bem... Estou fazendo minhas preces...

- Ah... Tá bem!

“-Misericórdia, Senhor! Se os santos zangaram comigo, imagina a Nossa Senhora que é mulher! Vai me espinafrar e desconheço o motivo...” – Pensava Sílvia assustada.

Mas, mulher é mesmo bicho curioso e Silvia não se conteve e caiu em tentação. Olhou para a Nossa Senhora do Carmo e viu o que não queria.

Com o Menino Jesus nos braços, Nossa Senhora pareceu-lhe zangada. A santa fez para Sílvia aquele gesto de fechar a boca com zíper e depois sacudiu a mão como a mãe da gente faz para dizer que vai dar um boa e bela surra quando chegasse em casa, sabe como é? Pois é... Sílvia pareceu entender o recado e teve a sensação de ouvir Nossa Senhora sussurrar em seu ouvido:

“- Fica de boca fechada! E não adianta que hoje você não me escapa dos acertos de conta!!!”

Levantando-se rapidamente, demonstrando desequilíbrio e perturbação mental, Sílvia grita em plena missa:

- Vocês não podem me punir só porque dormi tarde e acordei sonolenta! Eu não volto mais aqui, eu não volto mais aqui, eu não volto mais aqui! - Saiu feito diabo fugindo da cruz aos berros.

E não é que ela nunca mais voltou para igreja católica! Hoje em dia é pastora da Igreja “Sede Santos”, irônico não?



Capela Santo Antônio (externa) Praça Suspiro (do Teleférico) Nova Friburgo
Djanira Luz

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;Djanira LUZ