31 de mar de 2011

DOM DE DIZER...


Imagem do meu arquivo pessoal. Folha de exercício com efeito difusor por privacidade e cautela da minha filha.
DOM DE DIZER...
Na folha contendo exercícios de Literatura Brasileira, está o poema de Vinícius de Moraes, Soneto da separação. Disposto sobre a cama, o papel parece enternecido com as letras inseridas em si. Uma honra para ele ter impresso tão belos e ricos versos.
O Soneto da separação, para mim, é um dos mais belos a falar sobre desuniões. A riqueza do lirismo empregado em cada linha faz-nos sentir toda dor e desconsolo dessa hora de separação.
Quem já não viveu um momento assim? Quem não se rasgou em rimas, versos, letras, pingos e reticências. E na falta de intimidade com as palavras soltou o grito cortante dos que sofrem pela perda afetiva. Há quem silencie no choro. Prefira a mudez dos sentires, calando no coração toda tristeza do adeus sem volta.
“(...)De repente, não mais que de repente/Fez-se de triste o que se fez amante/E de sozinho o que se fez contente...”, não vê quanta beleza nestas linhas? Divina arte de escrever. Escrever vai além dos anos em salas de estudo. Escrever é dom. É talento de veia. É visceral!
Admiro essa capacidade que poetas têm. A habilidade em arrumar as palavras recheando-as com sentimentos. Quando lemos, provamos de tudo o que eles desejam transmitir. Se as letras são de amor, nosso coração arde. Quando versos soluçam de separação, nossa alma chora ausências. Agora, se as letras riem de alegria, até acreditamos que a felicidade não tem fim. Nas letras de zanga, tomamos as dores para nós.  Enfim, um espetáculo são todos os poetas, escritores e compositores que têm a sensibilidade de transformar vocábulos frios em sonetos, poemas, prosas e versos puros chamas de emoção.
Poesias surtem efeitos quando bem elaborados. E ficam para sempre em nossas vidas brindando ocasiões memoráveis. Alegres ou tristes, não importa. O relevante é nossa sensibilidade de absorvermos tudo o que poetas querem transmitir. E, geralmente, quem tem o dom, sabe bem dizer.
E lá, em cima da cama, onde pela pressa para ir ao colégio, minha filha deixou a folha de exercício, o soneto de Vinícius a espera pacientemente para que, um dia, no seu tempo de florir  ideias amadurecidas para novas emoções, possa entender todo o sentido e significado de um amor quando acaba. 

A vida é pura poesia que nos escreve todo instante belas histórias!rs

Seja feliz todo dia!






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;Djanira LUZ