3 de jul de 2009

A SEDUÇÃO DO ESCRITOR...


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A SEDUÇÃO DO ESCRITOR...



Mylena não estava mais suportando aquilo:

- Poxa, Ênio, você só vive grudado nesse computador!

Ênio era engenheiro-arquiteto renomado e escritor em ascensão, ele estava a cada dia mais dedicado em produzir textos em série.

- My, você sabe que tenho meus compromissos... Precisa entender e respeitar meu espaço...

- Pois é! Desde que você entrou para esse site de escritores parece que ficou alienado, só fala, só pensa, só respira isso! E olha quanta gente nesse site, meu Deus! O Brasil não tem esse número de escritores, olha o tanto de autores cadastrados! Agora qualquer Maria e qualquer João pensam que são escritores, faça-me o favor!

- Mylena! Que é isso? Falta de sensibilidade! Nós autores somos sensíveis, traduzimos com palavras o que muitos não conseguem fazê-lo...

- Ahhhh! E olha quanto comentário na sua página! Isso aí está parecendo site de relacionamento... Diz que é de escritores, mas é só de fachada!

- Com tanta facilidade, com tantos sites de relacionamentos, chats, você acredita que os autores fariam uma coisa dessas? Deixa de ciúmes, mulher!

Mylena não estava de toda errada. Não, o site não era de relacionamentos. Mas, sabe como é... Uma poesia mais envolvente, uma palavra mais sedutora pode ter várias interpretações. Depende da cabeça e da intenção de quem as lê ou escreve... Ênio por várias vezes se viu seduzido por leitoras ou algumas autoras do site. Havia uma que ele era até muito íntimo nas conversas... Por dia recebia vários e-mails de mulheres dizendo-se apaixonadas, admiradas pelo talento dele. E homem é fogo! Mexeu com o ego, fica logo de pêlo eriçado, dá corda, e quando vê, está com a corda no pescoço!

Mas, aquele último e-mail mexera demais com a cabeça do Ênio, aquela morena de olhos caramelos, cabelos longos cacheados, uma “chave-de-cadeia”, como ele mesmo dizia. Quando recebeu aquelas fotos, Ênio não pensava noutra coisa a não ser em ter a bela morena em seus braços.

E Mylena sempre reclamando a falta de atenção, as ausências do marido depois que entrou para aquele site onde postava seus textos. Aliás, Mylena tinha tanta raiva que nem lia os textos dele.

Ênio, depois de pouco mais de um mês sentia que estava apaixonadíssimo pela morena do site, sua leitora número um. Ela o chamava de “cute-cute” e ele a chamava de “docinho”. Ênio confessou ser casado, mas que a sua mulher sofrera um acidenta há sete anos e vivia em cadeira de rodas... Ele por “piedade” continuava casado por compaixão, por causa do filho, por ser um homem digno.

Estavam tão apaixonados que marcaram logo um encontro no La mole, da Joana Angélica, em Ipanema por volta das 13:00h. Tudo perfeito!

Perfumado, bem arrumado, lá se foi Ênio ao encontro da amada virtual...Coração acelerado, ele entrou no restaurante, correu os olhos e assustou-se com o que viu. Sua mulher numa conversa animada com um homem muito bonito e elegante.

“- Vagabunda! Está me traindo à luz do dia...” - Pensou Ênio encolerizado. Aproximando da mesa onde Mylena estava, disse em voz contida para não fazer escândalo naquele belo recinto:

- Que é isso? O que está fazendo aqui com esse cara?

- Isso, “cute-cute” é a sua esposa aleijada, de cadeiras de rodas! Seu safado, pilantra! E este é o advogado que vai tirar o teu couro! Você, seu otário, é quem vai ficar descadeirado, pois eu vou arrancar até o último fio de cabelo seu! - Mylena usou o apelido que a "morena" havia dado ao marido e viu nos olhos do Ênio e na expressão do rosto um misto de espanto e decepção em saber que não havia nenhuma morena e que havia sim caído na ardilosa armadilha da mulher...

Desconfiada do marido, Mylena arquitetou aquele plano e havia enviado umas fotos da filha de uma amiga sua que morava em Nova York para pegar o marido no flagra.

Ênio sentiu na pele a dor da decepção por querer arriscar-se numa aventura. E aquela dor não era nada virtual... Não era mesmo!




Djanira Luz

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;Djanira LUZ