22 de nov. de 2009

MEU MUNDO EM SEU ROSTO (CONTO)




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MEU MUNDO EM SEU ROSTO ...


É incrível como havia passado por ele sem me dar conta do quanto era interessante e atraente. Bastou um esbarrão e meus papeis voarem para ouvir o mais agradável pedido de desculpas num sorriso que me ofuscou a vista de tão radiante em sinceridade.

Voltei para casa com aquela visão que se repetia como num flash de vídeo. Algumas vezes me pegava rindo sozinha em plena avenida com o canto direito dos lábios e sentia também meus olhos levemente esticados, do jeito que ficam quando muito feliz e encantada com algo especial.

Tive a impressão de que ele partiu de volta ao seu destino com o mesmo sentimento que me ocorreu naquele momento lindo. Fomos fisgados pelos olhos, enamoraram-se nossos sorrisos e o som da voz dele ficou gravado em mim. Pude ouví-lo pelo caminho que andei, na rua e dentro do corpo onde ele me percorria. E sei que a minha voz está lá bem em algum canto na vida dele.

Uma certeza me fez brotar um sorriso cheio, com vontade e alegria. Um riso de janelas e portas escancaradas como que dizendo, “venha dona Felicidade, pode entrar e fazer morada em mim, pois estou pronta para recebê-la”. É! Acho que é isso mesmo. Temos que estar preparados para abrigar uma grande quantidade de alegrias.

Aquele dia em que eu passei por aquele homem, muita coisa mudou. Depois que nos apaixonamos, ele já não é mais um rosto na multidão e sim o mundo num rosto. Porque visualizei nele, o meu mundo em sua face...


Djanira Luz

21 de nov. de 2009

CONTADOR DE VISITAS












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CONTADOR DE VISITAS

Quando comecei a postar meus textos neste Blog, nem imaginava que receberia visitas. A conselho de amigos que insistiam que eu criasse um para mim, atendendo ao apelo do meu “povo” querido e amigo criei o EM QUATRO ELEMENTOS. Sabe que me apaixonei por ele?rs É! É como um amigo mesmo que me entende e tem tudo o que gosto, por isso partilho um milésimo do que sou aqui. Parece pouco, um milésimo, mas é em relação ao mundo. Sou um milésimo do Universo, um serzinho insignificante diante a grandeza deste mundo chamado Terra. Então, poder ocupar esse pequeno número já é um privilégio para mim.
E só hoje, depois de nove meses, tempo de uma vida, atendi outra sugestão de pessoas queridas, a de adicionar o contador de visitas e a proteção anti-cópias. De onde me sai as ideias tem sempre mais, mas cada textos são como minhas digitais, são únicos e distintos, portanto, bem amados e importantes para mim. Ninguém gosta de ter filho clonado, ou melhor, de ser plagiado...rs
Obrigada, leitor querido que me prestigia com sua visita. Muitos vêm e voltam. Alguns manifestam gostares em comentários. Outros apenas olham, mas o importante é que saiam satisfeitos e que sintam o desejo de voltar!rs
Beijoquinhas com muito carinho,
Djanira Luz

A NOSSA HISTÓRIA DE AMOR...


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A NOSSA HISTÓRIA DE AMOR...


Quando me viu parecia tão feliz feito um menino que desembrulha o presente e certifica que ganhou exatamente o esperado. Havia tanto brilho em sua expressão que refletia em mim toda aquela alegria. O meu contentamento era recíproco em grau e quantidade. A vida fez-se festa naquele instante.

Os quatro elementos celebravam nosso encontro. O fogo da paixão ardia-nos de bem quereres; a água purificava-nos o corpo com a leveza do sentimento, o ar renovava a esperança de dias felizes e a terra semeava certezas de eternas horas com doces entregas físicas e espirituais.

Ainda posso vê-lo sorrindo no exato instante em que me olhou pela primeira vez. Foi um momento mágico, lúdico e lindo! Havia pureza e desejos mesclados em perfeita sintonia. Não saberia expressar com palavras as sensações do meu corpo à medida que ele aproximava-se de mim.Conforme chegava mais perto, aumentava a vontade em eternizar aquela cena e tudo o que sentia.

Meu corpo respondia de forma como nunca havia experimentado antes e pelo o que pude captar no ar romântico que se fez naquele ambiente, o meu amado manifestava igual emoção e alegria. Era amor acontecendo. Era amor confirmando. Era amor enchendo corações de vida, fazendo-os pulsar numa mesma batida e num só desejo. O da feliz entrega, o de estar junto.

Palavras fizeram-se desnecessárias. Olhares, gestos, toques foram as formas mais fáceis de comunicação e as melhores respostas a todas as nossas expectativas. Sim! Eu o amava e ele a mim. Era fato. Ele, a razão dos meus sorrisos largos em versos desajeitados e eu, suas horas encantadas em sonhos acordados.

Estamos unidos por
amor. Para sempre. Pois, eu bem sei que elos foram para não serem rompidos. Amor do jeito que nos aconteceu não é para apenas uma noite ou um dia inteiro. É para toda a vida, vivendo-o e saboreando-o a cada novo amanhecer. Porque descobrimos um no outro, um verdadeiro e gostoso amor...



Djanira Luz


20 de nov. de 2009

PONHA A MÃO NA CONSCIÊNCIA!








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"Devemos ser a mudança que queremos ver no mundo".
(Mahatma Gandhi)


PONHA A MÃO NA CONSCIÊNCIA!


Quando escrevi a crônica “Dá licença loirinha, que esse gingado é da mulata”, onde defendia o direito da raça negra ocupar seu espaço, nem se cogitava a candidatura do Barack Hussein Obama para a presidência dos Estados Unidos, muito menos se acreditava no seu sucesso.

Essa crônica ficou na gaveta por muito tempo, até há dois meses atrás. Por indicação de um amigo, aceitei postar no site Recanto das Letras.

Duvidei da vitória do Obama, não por falta de competência dele, mas pelo povo preconceituoso daquele país, onde várias organizações apóiam a hegemonia branca, cuja sigla é” KKK” e que repudio pronunciá-la.

Com o triunfo do Obama, dar-se-á a “Ébano’s Era”... E assim espero! Mas que ela não seja sazonal, momentânea, de modismo. Pois já está sendo cogitado o primeiro ator negro a fazer parte da Telenovela “Malhação”.

Novos rostos negros irão aparecer... Que o negro seja valorizado não somente pelo cargo importante que ocupa e sim pelo valor ocupado dentro de si.

O negro é rico em fatos, tradições e heranças. Repare quanto temos e trazemos da raça negra no nosso dia-a-dia, a começar pelas palavras que utilizamos como por exemplo, quando queremos um carinho, falamos: “cafuné” ou “dengo” e temos mais: “chuchu”, “fubá”, ‘calombo” entre tantas outras influências. Sem mencionar a enorme variedade de comida que preparamos ou apreciamos.

Temos a influência da capoeira, da música tendo como base os instrumentos de percussão e o candomblé e a umbanda como religiosidade.

Portanto, convido você a “rasgar” as vestes encardidas de longos anos de preconceitos e enxergar o negro como igual, não mais com desprezo, como inferior, como menos... Pois o preconceito cheira mal, é sujo, é desprezível!

Pelo o que sofreram os negros, pelo o que até agora sofrem... A você que, mascaradamente, traz resquícios de desprezo pela raça negra... Eu peço:

- Ponha a mão na consciência e liberte o negro aprisionado pela escravidão da sua atitude preconceituosa...

***

“Olha de novo: Não existem brancos, não existem amarelos, não existem negros: somos todos arco-íris....” (By Ulisses Tavares)

Djanira Luz

19 de nov. de 2009

AMOR, MUITO ALÉM DA CIÊNCIA DA MENTE...


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AMOR, MUITO ALÉM DA CIÊNCIA DA MENTE...



Ele não tem cor, raça, sexo, credo, classe social, nacionalidade ou forma definida. Foi isso o que pensei em relação ao amor, em se estar apaixonado. Após ouvir o testemunho de uma mulher no programa Palavra de Mulher da Rádio Amiga FM 105, 9 com a querida apresentadora e escritora Aline Romariz, comecei a questionar as afirmações científicas a respeito da paixão.

Segundo a Ciência, os neurotransmissores despertam a paixão pelo simples toque das mãos, a troca de olhares ou o cheiro estimulante e característico de uma pessoa específica. Quando nos agradamos de alguém, o cérebro fica com grande quantidade de feniletilamina, um neurotransmissor responsável por sensações agradáveis quando apaixonados.

Beleza! Até então, tudo bem. Mas, a mulher relatou que havia conhecido um homem num site de bate-papo sem fotografia ou voz e mesmo assim, tanto ela quanto ele se apaixonaram. Depois do encontro de fato, se confirmou e se fortaleceu tudo o que sentiam bem antes do contato físico. Hoje permancem juntos, felizes e apaixonados! Então! Não houve o toque, não houve a troca do olhar, nem o cheiro da atração. Como explicar a paixão?

Penso que o amor vai ser por toda a vida o mais belo de todos os mistérios, o mais difícil dos hieróglifos a ser desvendado, se é que conseguirão revelar. Quanto a mim, acredito que amor não tem mesmo explicação.

Por isso que digo que paixão vai além da compreensão humana, pois é algo divinamente belo e grande. Portanto, não importa que o amor nos venha branco ou negro, amarelo ou pardo, gordo ou magro, cristão ou judeu, espírita ou ateu, italiano ou espanhol, alto ou baixo, homo ou hetero, rico ou pobre.

Além de tudo isso, dos toques e cheiros, a palavra tem o poder de nos tocar bem mais lá no fundo da mente e se abrigar no coração de um ser apaixonado. Isso vem provar que o amor não escolhe tão somente pela aparência da casca de um determinado corpo, e sim a essência. Então, a mente faz a leitura daquilo que lhe causou alegria e transfere para a imagem da pessoa transmissora de tantos êxtases e apaixona-se pela ideia que ela transmitiu.

Esse é o melhor momento em que podemos usar aquele dito “o amor é cego”. Sim! Cego para a superficialidade da aparência e uma cristalina visão para o que mais importa, a pureza de um coração verdadeiro.

Afinal, amor é isso. Inexplicavelmente belo de se sentir e de se viver. Sem complicações da mente ou demasiadas explicações científicas.




Djanira Luz


18 de nov. de 2009

NOVAS SENSAÇÕES...


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NOVAS SENSAÇÕES...

Viajaria bem longe no infinito espaço
Do queijo da Lua roubaria um pedaço
Com tanta doçura a ti eu ofereceria
Pela manhã com um alegre bom dia
A tua imagem vejo na minha mente
Algo gostoso meu corpo logo sente
Uma sensação jamais experimentada
Deixando-me sem jeito, atordoada
Alguma coisa em ti mexe comigo
Bagunça-me a vida e os sentidos
Imagino estar bem ao teu lado
Beijos, abraços, corpos colados
Já penso em ti em vários instantes
Momentos mágicos e apaixonantes
Dentro em mim bate forte emoção
Será isso, meu Deus, nova paixão?


Djanira Luz

17 de nov. de 2009

A MULHER SEM CORAÇÃO...


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A MULHER SEM CORAÇÃO...


Todos perceberam a drástica mudança no comportamento e no humor daquela mulher. Havia muitos dias que se fechara para as conversas que tanto amava. Antes atenta, agora era vista assim, dispersiva, divagando introspectivamente.

Ela que possuía riso fácil e que expressava energia em gestos elétricos do corpo numa alegria pulsante e contagiante que trazia em si, encontrava-se
naquele marasmo de causar compaixão.

Quem a encontrava nos últimos dias precisava falar-lhe duas ou três vezes para obter um fiapo da sua atenção. Distraída como que fora de órbita. Olhar fixo em algum ponto que lhe era precioso a procura de algo igualmente caro.

Sempre que a via, causava-me comoção. Tudo nela estava mudado. O jeito, as vestes, a aura. Quisera entender o motivo de tamanha transformação. Para onde deveriam ter ido os sorrisos constantes, os olhares brilhantes e alegres de mil diamantes, a fala adocicada e melodiosa, a empolgação de tantas andorinhas que fazia de um simples fato, a mais alucinante das histórias encantadas?

Não queria parecer indelicada ou ser vista como uma curiosa qualquer. Mas, eu precisava descobrir a razão do silêncio forçado, do sorriso desfeito, dos sonhos interrompidos e da boca emudecida que tomaram conta da vida dela.

Maior do que minhas interrogações era o desejo em ajudá-la. Foi o que me moveu aproximar-me da mulher. Um tanto sem jeito e um leve tremor na fala, dei quase inaudível uma “boa tarde”. Para minha admiração ela me olhou sem qualquer expressão de ódio ou desprezo. Havia sim, em sua face, a mesma expressão de insegurança e dúvida que eu tinha naquela hora.

Ambas estávamos receosas com a atitude da outra. Eu não sabia o que perguntar, ela o que responder. Depois de grande silêncio que me congelou a alma, a mulher outra vez me fitou. Desta vez mais pausadamente como que analisando em meus olhos as perguntas que a boca não ousou fazê-las.

Balançando a cabeça afirmativamente, num consentimento e aceitação em satisfazer minhas questões, finalmente falou:

- Quando se foi num adeus comprido, daqueles que sabemos sem chance de ver outra vez, ele levou de mim meu sorriso, meu canto e a claridade dos meus dias. Descolori, emudeci, já quase não existo... Era o que esperava entender, não era minha jovem?

A voz ainda era doce, embora a amargura sufocasse qualquer vestígio de contentamento. É! Ela estava certa. Em poucos minutos, sem qualquer pergunta, obtive todas as respostas que sanaram minhas inquietações.

Eu havia desvendado o mistério que assombrava a triste mulher. Pude perceber com minha intuição feminina e, talvez, ela sequer tenha desconfiado o motivo de encontrar-se naquela solidão sem esperanças. É que mais do que risos, brilhos e sonhos, o homem amado havia levado junto para onde partiu, o coração daquela mulher, deixando-a com o vazio na alma...



Djanira Luz

O HOMEM DA SAUDADE...


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O HOMEM DA SAUDADE...


Passava horas na sacada, solitariamente pensativo e triste. Tinha uma saudade traduzida no olhar. Entre um suspiro e uma espera, seguiam vazias as horas do homem.

Era comum vê-lo ali, naquele mundo cujo tempo havia estacionado no exato momento escolhido por ele, onde certamente acreditava ter sido a perfeição de seus dias. O tempo em que viveu ao lado da mulher amada. O único amor que provara verdadeiramente.

Incansavelmente contemplava o céu com suas estrelas reluzentemente belas, cujos brilhos traziam bem mais perto a luz do amor que se permitiu perder.

A Lua, inconsolada por testemunhar tamanha dor e incomodada pelo silêncio do homem, ela que era detentora de palavras magicamente apaixonadas e poéticas, disse-lhe:

- Homem, o que esperas? Que fazes dia após dia a contemplar o Universo com esse olhar de que tudo vê e nada tem?

Ele que, apesar da expressão distante e perdida, conservava no semblante um tênue ar de esperança, respondeu:

- Se fosse somente pela razão, cara Lua, não esperaria mais coisa alguma. Mas, como quem insiste em esperar é meu incansável coração, tenho confiança de que ela, a minha amada, venha para mim...

A Lua quase pôde ver uma luminosidade na face e nos olhos do homem quando mencionada a mulher amada. Então, ela suspirou ao homem:

-Ah... Já faz tanto tempo que ela se foi, ou melhor, que tu deixaste de amá-la, meu amigo...

- Não e não! Eu nunca deixei de amá-la, nem um minuto sequer desde o dia em que nos separamos. O meu amor ainda é dela. Eu só não soube conservá-la comigo... – Explanou o homem.

Após proferir aquelas palavras presas por muito tempo na garganta e na alma, a Lua percebeu nos olhos do amigo homem o brilho de mil estrelas apaixonadas luzindo nas lágrimas que brotavam do coração saudoso.

Diante daquela visão, a Lua ficou envolvida em névoa de compaixão pelo casal separado. A Lua comovida pelo sofrimento da mulher que foi abandonada e pela ausência de coragem do homem, sentiu que precisava agir para tentar ajudar duas vidas repletas de paixão.

Lua e homem emudeceram em melancolia. O silêncio tomou conta da sacada onde o homem aguardava e aguardava numa espera infinita e inútil. De repente a Lua aproveitou um tempo em que nuvens encobriam sua boa educação e gritou:

- Homem tolo! Desistir do amor não é uma atitude digna! Não sabes que o amor é o maior e mais nobre dos sentimentos? Do amor não se desiste e nem se pode viver sem! Viva o hoje amando para que o amanhã possa usufruir da companhia dele e das boas lembranças passadas. Olhe para si, homem cheio de saudade e me responda se valeu não ter lutado pelo seu grande amor? Não creio! Vives só dentro de si. Podes estar rodeado de mil queridos, mas a pessoa amada era a única capaz de lhe preencher o dia e a vida de alegria...

Surpreso com o destempero da tão amável Lua, o homem atentou para cada palavra pronunciada por ela.Compreendeu bem que se fizeram necessárias aquelas frases enérgicas da amiga celeste. Sim! O homem assimilou bem o recado cheio de verdades iluminadas.

Ele entendeu o grande erro que havia cometido. Além de fazer a mulher amada sofrer, também sofrera diuturnamente por longas datas. Bem melhor seria ter sofrido ao lado do seu grande amor! Pois, ao menos um secaria a lágrima do outro e seguir retirando os espinhos dos caminhos ainda é bem menos doloroso do que viver dias frios de solidão.

Se o homem reencontrou a mulher amada a Lua não me contou... Mas, eu sei que ele, depois da sacudida dada pela Lua, vive a alertar aos enamorados a não desistirem de seu grande amor por medo, covardia ou insegurança. O homem aprendeu a lição.

Como aquele homem, eu também aprendi que o amor quando forte é graça divina descida do céu, não devemos deixá-lo escapar. E que o amor não é feito a Lua com suas fases. Não. Amor não vem e vai. Amor permanece porque ele é certeza e garantia de uma vida inteira de eternos momentos de êxtase.


Djanira Luz

16 de nov. de 2009

O REFLEXO DA VAIDADE...



Créditos da Imagem: Marília L. Paixão


O REFLEXO DA VAIDADE...

Sou atraída pelo canto. Diariamente a cena se repete pondo-me nos ouvidos uma doce melodia e nos olhos um raiozinho de Sol. É ele! O lindo canário da terra que não cansa de admirar a sua imagem no reflexo do carro. Será que se admira ou admira o carro? Tem horas penso que deseja ver o que há no interior do veículo. Talvez queira ser homem para pilotar um carro. Digo-lhe que não. “Não queira isso avezinha! Nós é que desejamos possuir asas para conquistar a infinita liberdade de voar o mundo”. Ou será que ele acredita ser a sua imagem a de um macho rival do outro lado do vidro? Vai saber o que se passa na cabecinha de vento!

E ele permanece lá. Imóvel. Alheio a mim. Mas, eu bem sei o motivo do aparente narcisismo refletido na alma daquele canarinho. É que toda a vez que o vejo sou generosa em elogios. É um tal de bonitinho para cá, um tal de fofinho para lá. Outra hora o chamo de meu amor ou de meu Andrea Bocceli alado. Foi de tanto ouvir louvores que ficou assim envaidecido!

A verdade é que ele pensa ser o próprio Sol em graça e beleza! Deixa que acredite nisso. Em dias apagados em mim, também me imagino uma estrela para me iluminar a vida. Então, deixo que ele seja feliz assim, vaidoso de si...rs




Djanira Luz

13 de nov. de 2009

COMO ESQUECER UM GRANDE AMOR


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COMO ESQUECER UM GRANDE AMOR


Se chorar fosse possível lavar toda a dor de amor, a mágoa da separação, choraria um dia inteiro, um mês inteiro, quiçá um ano. Mas, chorar não resolve nada e só me traria mais um desgosto, o de ficar com a cara vermelha e as pálpebras inchadas semelhantes às de um sapo olhudo.

Engraçado é que nessas horas aparecem muitos “especialistas” com as dicas mais variadas para curar o fim do amor. É! Todo mundo tem uma dica infalível como o inútil plano do Cebolinha para roubar o Coelhinho da Mônica dentuça. Nunca dá certo!

A lista de sugestões é bárbara! “Faz um curso de sei lá o quê, disso ou daquilo outro, você se distrai e tira essa ilusão da cabeça”, diz um. “Viaja! Nada melhor do que uma viagem para esquecer fim do amor”, garante outro. “Arranja logo outro amor e num instante você se esquece do traste que se foi”, mais um me consola.

Veja se vou seguir esses conselhos! Eu poderia fazer todos os cursos possíveis e inimagináveis, ainda assim o amor continuaria comigo. Amor igual ao que sinto não se esquece tão fácil. Para que viajar se tenho certeza de que tudo me faria lembrá-lo. Sua presença seria constante uma vez que não me sai do pensamento. Uma flor, nossa música, os aromas, sabores, uma piada, um conto, um detalhe, um objeto que ficou guardado, uma palavra mais carinhosa, aquela frase apaixonada. Tudo são lembranças que me acompanham por onde eu for.

Não. Não adianta viajar! A não ser que seja uma viagem para dentro de mim. Ir bem dentro do coração, apertar o “stop”, deletar quereres, acertar o ponto de equilíbrio que me deixou fora do eixo e recomeçar a vida. Só sendo mesmo esta viagem ao interior do corpo. Arrumar outro amor? Que pensam meus amigos? Que meu amor é qualquer coisa moderna de “ficar”, “tamu junto”. Essa coisa de beijo descartável, sem paixão, sem sentido, sem despedida ou certezas de nos veremos amanhã? Isso não é amor!

Amor é o que sinto... Essa coisa de arrumar outro alguém para esquecer o ser amado é brincadeira! Imagina se vou querer brincar com sentimentos alheios... E se esse alguém se apaixona por mim do mesmo jeito que estou apaixonada e, de repente, eu o dispenso por descobrir que o que sinto é apenas um carinho fraterno que valha uma relação sincera?

Depois de tê-lo enchido de esperanças, feito acreditar que meu amor era sincero, eterno, de repente, sem aviso prévio o dispensasse com um adeus mais frio do que a Antártica, dizendo-lhe com a voz mais suave:

- Quero conservar a sua amizade...


Fala sério! Quando alguém ama o que menos deseja ser do ex-amor é amigo. É como se a pessoa recebesse uma carta franca ou um bônus de consolo de eterna compaixão. Melhor seria ter rasgado o verbo:

- Escuta, descobri que o sinto não é amor, vamos terminar.

Deve ser assim. Ponto final sem piedade. Querer sair bem de uma relação, oferecendo ombro amigo não é boa atitude. Faz o outro sentir-se coisa nenhuma, um ser incapaz de despertar sentimento de afeto. Não que seja errado querer ser amigo de quem você recebeu amor. Mas, oferecer amizade nessas horas de fim de relacionamento, não funciona bem.

Meu coração está assim como uma bomba que implodiu. De fora ninguém percebe. Por dentro estou toda ferida, sangrando imagens de saudades, moída de decepção, repleta de caquinhos de tristeza. Sobras da ruína da separação.

É... Não adianta chorar! Devo tomar logo a decisão em restaurar os estragos, arrumar a bagunça que se instalou. Preciso construir uma fortaleza e proteger meu coração de possíveis novas investidas apaixonadas que hão de vir. O desprezo que obtive desse amor que se foi, a saudade que insiste em me machucar, as mentiras que provei e este medo de amar novamente que restou em mim vão me servir de redoma. Hei de cercar o coração a fim de evitar reter-me no passado e me acautelar do futuro caso entre um amor desavisado. Preciso me precaver das investidas de falsas promessas, do amor fugidio, das ilusões de meros momentos.

Ninguém tem a receita certa de como curar de um amor verdadeiro, mesmo que esse amor seja unilateral. Eu, porém, tenho umas ideias. Tomarei doses de amor próprio, olharei bem mais para mim, vou me redescobrir e assim, poder ver no brilho dos meus olhos a esperança luzindo bons motivos de querer amar outra vez.

Por isso não sigo os conselhos dos amigos, apesar de serem bem intencionados. Não adianta substituir o que sinto por cursinhos, viagens ou nova paixão. Porque sei que um grande amor não deve ser visto como um simples objeto de permuta.



Djanira Luz
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