20 de jul de 2011

FATOS - PREVISÕES QUASE ACERTADAS!



Imagem do amigo fotógrafo Severino Silva do Jornal O DIA. O local destruído é onde estive no momento do desabamento na madrugada de 12 de janeiro de 2011, aos 45 anos de idade.

FATOS - PREVISÕES QUASE ACERTADAS!

Estava certíssimo  William Sheakespeare em sua espetacular obra Hamlet quando afrimou que “ há mais mistério sobre a Terra do que supõe nossa vã filosofia”.
Toda vez que me recordo daquela manhã feliz de dois mil e seis com meus filhos em que fazíamos o desjejum, penso que há mesmo muitos mistérios que desconhecemos. Aquilo que o caçula dissera deixou-me intrigada por anos:

"- Mãe, você vai morrer com quarenta e cinco anos!"
É verdade que levei um choque ao ouvir aquilo vindo do meu filho. Falávamos de coisas alegres.  Lembro-me ainda de estarmos elogiando o bolo de frutas que eu havia feito. Não havia por que falar de algo funesto!Em meu rosto ficou expresso a surpresa e o susto com a afirmação de sentença de morte com data marcada. Na mente, sombras de receios.  Morte!? O que tinha de morte com tanta vida naquele café da manhã?
Fiquei parada sem reação. Sabe aquelas cenas de desenho onde tudo fica imóvel quando algo surpreendente toma-nos de assalto? Foi assim o que me aconteceu. Foi como fiquei. Sem saber o que dizer ou reagir. O que mais me intrigou naquela hora, porém, foram as feições de pavor no rosto do meu filho. Assustado com o que dissera, afirmou:

"- Mãe, não era que eu ia dizer! Nem sei por que falei isso..."
Nessa hora achei que deveria me preocupar! Talvez meu filho tivesse tido um insight e na dobra do destino ter pressentido que algo me ocorreria nessa idade de quarenta e cinco anos.
Em dois mil e oito, dois anos após o ocorrido, sonhei com a morte e me lembrei das profecias do meu menino. Aproveitei e escrevi uma crônica a respeito www.recantodasletras.com.br/cronicas/1316939. Pelos comentários ninguém acreditava que eu precisasse dar importância as falas de uma criança de sete anos de idade. Eu, porém, tive minhas dúvidas.
Quando conversava com minha família ou amigos sobre isso, dizia que queria fazer quarenta e seis e não quarenta e cinco! E, por cautela, temendo que se concretizasse o que meu filho premeditou, preocupada com ele em se sentir culpado, dizia-lhe que a culpa não seria dele se eu morresse. E que ao invés de achar que era uma maldição a capacidade de prever algo, mesmo que o previsto não fosse coisa boa como a morte. Na verdade era um dom especial e que procurasse desenvolvê-lo quando estivesse maior de idade.
Depois da crônica relaxei. Parece que expondo temores ele se vai da gente ou fica mais suave. Acabei esquecendo-me disso. No entanto, algo pavoroso me faria lembrar para toda vida aquelas palavras ditas pelo meu filho na manhã de dois mil e seis. “Você vai morrer com quarenta e cinco anos”.
Uma semana antes das enchentes de janeiro deste ano em Nova Friburgo, meu filho com o pai assistia em nosso quarto o seriado Walk Dead (veja o título, uma ironia do destino). Ele acabou adormecendo em nossa cama. Parecia tão confortável lá que não quis tirá-lo do quarto. Fui dormir em seu quarto.
No manhã seguinte acordei e estranhei a casa. Não sabia onde estava. Acho por nunca ter dormido no quarto do meu filho. Senti-me fora de casa e só depois que despertei bem lembrei de ter dormindo lá. Como ainda era cedo, resolvi ficar mais um pouco na cama. Cobri-me novamente. Foi aí que senti uma pressão como que dois dedos deslizando sobre minhas costas, parando na metade da coluna. Acreditando ser meu filho, descobri a cabeça sorrindo. Qual surpresa e espanto! Não havia ninguém. Então olhei para baixo, imaginando que meu filho estivesse brincando comigo escondendo-se ao lado da cama. Não havia ninguém no quarto além de mim.
Levantei correndo. Fui até meu quarto. Vi que meu filho ainda dormia. Dirigi-me para o outro lado da casa, indo para o quarto da minha filha. Abri duas portas. A do escritório e a do quarto dela. Ela também dormia um sono bom. Retornei para a outra ala da casa. Vi que a porta que ia para a copa estava fechada. Abri a porta. A porta que ia da copa para a cozinha também fechada. Tornei a abrir. A porta que ia da cozinha para a escada na parte exterior da casa também estava fechada. Abri e perguntei ao meu marido, sem subir ao andar de cima, se ele havia me acordado. Resposta negativa. Respondeu-me estar um pouco mais de meia hora cuidando das nossas cadelas. Arrepiei-me. O corpo inteiro. E gritei para ele em tom de brincadeira, mas em meu interior acreditava no que havia sentido:
- Um anjo me tocou!
Meu marido riu e pelo jeito não me deu crédito, achando-me uma perfeita lunática!
O que aconteceu no dia doze de janeiro em Nova Friburgo, o desabamento da casa onde eu morava, há uma semana do meu aniversário do dia dezoito me fez repensar sobre os mistérios da vida.
Quando a casa começou a desabar na escura madrugada, acreditei não sobreviver. O barulho da morte era insuportavelmente assustador. Eu nem sei descrever direito o que senti naqueles minutos de agonia em que caíam pedras, lamas, grades sobre mim. Lembro-me de ter me encostado na porta do escritório. Ter posto o braço sobre a cabeça na tentativa inútil de me proteger. Foi tudo tão rápido. Tão de repente que só me vem lembranças em flashes. Apesar de todo desespero ao redor e por cima de mim, inacreditavelmente não tive medo. Era como se eu aceitasse a morte. Para mim, não havia mesmo saída. Pensei “vou morrer”.  Senti uma paz mesmo entre escombros. Tive a nítida sensação da presença de alguém junto a mim naquela hora. Não sei explicar. Mas soube sentir esta sensação na hora do terror. 
De repente, uma voz na minha mente dizia “olhe para o lado”. Não sei explicar. Não sei. Sei que obedeci e olhei. A visão que tive me fez entrar em pânico. O quarto da minha filha, com o pouco que pude ver sem luz. Iluminado apenas pelos tantos relâmpagos. Vi o quarto tomado de pedras enormes. Estava totalmente destruído.  Foi aí que reagi e comecei a gritar por meus filhos e, de repente, sem saber como, atravessei os escombros e cheguei até a sala. Até para socorrer estava difícil sem luz. Senti alguém me puxar pelo braço. Era meu marido com meus filhos. Sem ferimentos conseguimos sair para rua.
Hoje acredito. Sim! Havia alguém ao meu lado. Um anjo! O mesmo anjo que havia me tocado o dorso no quarto do meu filho. E quando me fez olhar para o lado na hora da tragédia, foi para que eu entendesse que ainda não era a minha hora de morrer. Eu precisava sair dali viva com meus filhos.
O mais interessante de todo esse fato, é que no dia doze de janeiro eu estava com quarenta e cinco anos! E quase morri com a idade que meu filho aos sete anos havia me dito. Dia dezoito de janeiro, abrigada na casa dos amigos Estrela e Rogério, celebrei a vida de quarenta e seis anos.

Passado o susto, agora até vejo graça na previsão. Costumo dizer que algum anjinho sapeca e linguarudo soprou no ouvido do meu filho um segredo divino. Então, Deus com seus mistérios, que não permite que sejam revelados planos futuros, decidiu mudar o rumo da minha história deixando-me mais um tempo por aqui.
E por aqui, cá estou nesta peça chamada vida terrena. Vivendo a cada dia um novo ato. Surpreendendo-me um pouco mais neste milagre de viver e reviver!rs
 Arquivo pessoal - Quarto da minha filha.


A roupa que eu usava na hora do desmoranamento da casa.

Um comentário:

  1. Que coisa, Djanira! Eu fiquei assustado e ao mesmo tempo aliviado já que se passou um bom tempo e você está aqui firme , forte e saudável. E segundo os entendidos em misticismos , sonhar com a morte é sinal de Vida longa e é que lhe desjo. meu abraço. Paz e bem.

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;Djanira LUZ