23 de jan de 2010

A MULHER QUE MENTIA...




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A MULHER QUE MENTIA...


Perdera a conta das vezes que juntava palavras mesmo sabendo que nenhuma delas seriam verdadeiras. Tentava convencer-se não ser amor o sentimento gigante e sincero em sua vida. Era amor. Era fato, mas ela vivia mentindo. Na verdade, fugia. Talvez fosse a forma de suportar as ausências, a saudade, o inevitável rompimento.

- Era ilusão minha, bobagem! Eu nem gostava tanto dele assim. Fogo de palha! Coisa de mulher boboca apaixonada, só isso...

Era o que dizia. Procurava convencer os ouvintes de suas falas. No fundo, tentava convencer a si mesma. Queria provar o fim do amor sentido. Considero-a mulher mais mentirosa que cruzou meu caminho. Aliás, uma péssima mentirosa!

Há quem minta e nos convença de serem verdades suas falsas palavras. Ela não! Em seus olhos havia amor. Muito. Toda vez que se referia a ele, algo raras vezes visto, pude ver no olhar da mulher que mentia dizendo não mais amar. Será que não percebe que a boca fala, porém, o coração é quem coordena e, se a alma for sincera, nem adianta encenar outros sentimentos se não os verdadeiros? Por muito tempo, com todo jeito, tentei mostrar-lhe as mentiras que dizia. Relutou, envergonhou-se, por fim admitiu:

- Sim, eu minto. Aliás, tento. Só eu sei o quanto amo aquele homem... Só eu sei tanto que ele está presente aqui no coração. Vivas estão as memórias na mente, em cada detalhe, cada gesto dele. Nenhuma palavra esqueci-me do que foi dito. Dele para mim e de mim para ele. É incrível como tudo vivido é tão atual, tão hoje, tão agora, percebe?

Naquele instante, onde o coração abria-se em verdades, eu era única testemunha a ouvir as confissões da mulher. Sem mais enganos, a graça daquele amor, externou-se emprestando à mulher uma beleza singular. Desejei amar como ela. Na verdade, quis sê-la. Poder provar das delícias que só quem muito ama sabe sentir. Eram tão intensas as descrições da mulher que foram capazes de transferirem para meu corpo todas as suas emoções. Era como se eu estivesse lendo livro, absorvendo a história, interagindo, fazendo parte dela. É! Foi justo o que senti. A sinceridade do relato tornava tudo tão belo. A verdade é intensa, toca-nos a alma. Com um sorriso que dizia bem mais que qualquer discurso, a mulher prosseguiu:

- Sabe como amo meu querido? Como nunca imaginei sentir amor. Estando distantes um do outro, ainda assim o sinto. Bem aqui ao meu lado. Seu cheiro. O gosto do beijo. O toque das nossas mãos entrelaçadas. Amor não passa, menina! Se passar, se forem embora as lembranças, as emoções e todo sentir de quando juntos dois apaixonados, não era amor. Gosto tanto dele. Beijo suas fotografias e sei que ele recebe em seus lábios os meus nessa hora. Teletransporto-me para diante dele, numa viagem mágica que só meu coração cheio carinho é capaz desse feito. Você acredita nisso? – Riu um tanto sem jeito. Pelo gesto expressado temia ser considerada insana ou infantil.

Havia algo realmente pueril naquelas palavras. E era isso que tornava a revelação ainda mais encantadora. Amor tem de ser puro para ser verdadeiro. Acreditar nela? Eu não ouso duvidar de quem ama muito! Uma admiração sem igual crescia em mim por aquela mulher. Aliás, por ela e pela história de amor que ia sendo desenhada ricamente em detalhes singelos. E lhe respondi:

- Aumenta minha admiração por você quanto mais sei desse amor. Além da minha afeição, tem meu respeito por sua história e se me permitir, assim que estiver boa das letras, quero dizer, souber escrever contos, pretendo transformar o amor que sente, em meu primeiro romance de amor. Concorda?

Pondo suas duas mãos sobre o rosto, cobrindo os lábios, deixando apenas os olhos à mostra, num misto de espanto e alegria, respondeu-me:

- Se for para divulgar o amor, se servir para que outros entendam o significado e a importância de amar intensamente e para ninguém tentar enganar-se, mentindo não amar como eu andei fazendo. Claro que sim! Promova o amor, o mundo carece deste sentimento.

Satisfeita com aprovação da mulher, dei-lhe um afetuoso abraço e segui meu destino. Ela permaneceu ainda por alguns momentos sentada no banco da praça. Parecia querer saborear aquele momento em que havia desprendido das mentiras em renegar o amor. Já não se enganava, pois do amor não há como escapar, muito menos fingir que nada sente. Amor é a verdade de duas vidas que assumem fundir-se numa mesma estrada.

Foi esta a lição aprendida que trago comigo. Mais do que o aprendizado de assumir o que sentimos, foi o de conhecer a felicidade de se viver uma linda história de amor. Um dia ainda escrevo romance sobre esse amor...



Djanira Luz

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;Djanira LUZ