10 de dez de 2009

O VENTO, A MULHER, A MONTANHA...


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O VENTO
, A MULHER, A MONTANHA...


O olhar vazio contrapunha com a cabeça cheia de preocupações. Pela janela, a Mulher via se por ela poderiam surgir soluções. Gostava de ficar debruçada ali horas a fio
contemplando a natureza, sentindo o Vento afagar-lhe
os cabelos e lhe beijar o rosto.

O céu estava azul com algumas pequeninas nuvens brancas,
sol à pino. Uma tarde agradável num lugar aprazível. Era mais ou menos três da tarde.

De onde estava não se via rua, trânsito, pessoas.
A natureza ali imperava livre da crescente destruição poluidora. Parecia miragem tão bela visão. Era seu momento mágico de contemplação.

Do olhar vazio, rolaram lágrimas. Amigo Vento veio lamber-lhe a face. Secou-lhe as gotas salgadas que deslizavam apressadas. As lágrimas transbordavam do peito sufocado de sentimentos nocivos que entristecem o espírito e adoecem o corpo.

Foi então que o Vento sussurrou-lhe ao ouvido:

- Vá até a senhora Montanha, ela deseja ver-te, Mulher.

-Ah... Estou triste... Não tenho vontade para nada.
Não quero falar com ninguém, não estou boa companhia...
– respondeu a Mulher desanimada.

- Quando se está triste é quando mais temos que falar...
– Filosofou o amigo Vento.

- Para fazer o outro sofrer junto? Não... Deixa-me só!
– Rebateu a Mulher.

- Não... Para desabafar. Para que saia a angústia
e entre a esperança... – Quis confortá-la o Vento.

O Vento continuou:

- Muitas vezes alimentamos pensamentos destrutivos,
vamos nutrindo a vida com decepções, desilusões,
desamor, ausências, carências e acabamos nos
afundando em nós mesmos. Aí, precisamos do outro,
da palavra-mão-amiga para nos tirar das profundezas
que a dor vai nos enterrando. – Soprou o vento sobre
a Mulher uma aragem de ânimo.

Sentindo a boa vontade do amigo Vento, a Mulher disse:

- Levarei água, sentirei sede pelo caminho...

- Não te preocupes com isso. Dá-se um jeito!
– Advertiu o Vento.

- Levarei algo para comer, sentirei fome,
o caminho é longo até a Montanha... – A Mulher justificou.

- Por que te preocupas tanto, Mulher?
Esvazia-te por ora. Siga somente em frente,
tenha confiança. Não sabes quem deseja tudo alcança?
– Brincou o Vento.

A Mulher fez menção de riso. E partiu para ouvir o que
a Montanha tinha a lhe dizer.

No meio da subida, a Mulher teve sede.
O Vento assoprou-lhe a face, então ela olhou em sua direção, viu brotando da pedra uma mina de água.

- Puxa! Água cristalina e fresca!
Já subi muitas vezes por aqui, não havia reparado nela.

- A vida atribulada, a cabeça ocupada com inquietações fecha-nos os olhos de modo que deixamos passar muitas boas e belas oportunidades.
– Suspirou o Vento.

A Mulher percebia que à medida que o amigo
Vento ia expelindo suas ideias, sentia-se mais aliviada
dos problemas que carregava em si.

Algumas subidas a frente, a Mulher teve fome.
O Vento fez-se pequeno vendaval, então caíram goiabas e pêssegos das árvores frutíferas próximo a mulher.

A Mulher ficou maravilhada. Percebeu ali que o
Vento tinha razão. Não deveria mesmo preocupar-se
demais com o depois. Tudo a seu tempo.
Tudo no tempo certo! Se fizesse desse modo
com suas tribulações haveria de ser mais fácil
solucioná-las. Assim como fazia com as frutas,
a Mulher ia saboreando também as palavras do
amigo Vento. “Vento sabido!” – Pensava ela.

Após saciar-se do alimento que a gentil Natureza
ofertara, a Mulher e o Vento seguiram até o topo da Montanha.

- Que dádiva amorosa, Vento amigo, essa da Mãe Natureza!
Dá-nos frutos, água, contemplação sem nada cobrar.
Quisera ter no mundo um amor gratuito assim...

- Há, amiga Mulher! Basta saber onde encontrar...
É preciso ter o dom da paciência e da observância.
As pessoas não querem perder tempo, estão impacientes.
Por isso estão sempre tendo uma companhia mais ou menos, uma amizade mais ou menos, um amor mais ou menos... Quase ninguém mais tem um amor que se doa plenamente; um amigo leal que não traia; uma doação gratuita, sem cobrar nada nem favores em troca. – Sussurrou o Vento no ouvido Mulher.

O Vento percebeu na expressão facial que a Mulher parecia outra. Quase não se assemelhava aquela feição taciturna que estava debruçada naquela janela horas atrás. Então, o Vento novamente fez-se ventania e deixou pousar sobre a Mulher uma diversidade das mais lindas e perfumosas flores multicolores.

A Mulher rodopiou numa dança de liberdade onde o corpo
quase era tão leve quanto seus pensamentos.
Momento de rara alegria. Leveza de alma. Belo. Singular.

Nem percebeu que já estava a um passo do topo.
A Mulher deslumbrou-se:


- Vento! Que encanto estar aqui, só vejo belezas a alegrar
e a preencher meu coração!!!

- Penso que o Vento fez com êxito o que lhe fora confiado!
- Disse a alegre Montanha. A Montanha estava radiante
de satisfação. O Vento, seu companheiro, havia devolvido a alegria, a esperança e a vontade de viver àquela Mulher.

- Ah... Senhora Montanha, há muito não sentia meu coração
tão leve e sereno! Já não sabia o quanto é gostoso o barulho de uma feliz risada. Por que acho que meus problemas são tão microscópicos agora?

- Porque na vida, querida Mulher, precisamos de um amigo.
Nos momentos de alegria para rir conosco; nos momentos de dor ou perda, para nos secar as lágrimas, para nos ajudar a levantar. E quando tudo parecer sem saída, o amigo mostrará um novo caminho. Muitas vezes a solução dos problemas está dentro de nós, somente precisamos nos abrir, desabafar e falar para que o amigo nos ouça e nos ajude a clarear as ideias.

A velha Montanha continuou sua explicação:

Aprenda, Mulher que um bom amigo precisa ter as qualidades do Vento:

Às vezes precisa fazer-se Tufão, usar de palavras enérgicas
para não nos deixar cair e, no caso de já termos caído, reergueer-nos. Em outras vezes ser uma Aragem para nos secar as lágrimas,
de tal  modo que os olhos possam enxergar melhor uma nova ou
melhor solução ou ainda, um outro caminho a seguir.
Por fim, o amigo tem que ser por toda vida, uma Ventania
para que faça você desabafar, dançar, sorrir, cantar,
sonhar e acreditar sempre que pode contar com uma
mão amiga para todos os momentos.

A Mulher desceu da Montanha agradecida pela
gratuidade das palavras da velha e sábia Montanha.
Foi seguindo sempre em companhia do amigo Vento.
Olhou pare ele e disse:

- Querido amigo Vento, sinto-me tão leve quanto você,
pois meus problemas já não pesam tanto!

Rodopiando, o vento assoviou e foi descendo
em companhia da Mulher. Ambos dançavam livres,
leves, animados, felizes, renovados...
Djanira Luz

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