7 de jun. de 2011

TODA FEITA DE MÚSICA!

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TODA FEITA DE MÚSICA!

A vida toda foi assim. Movida por música. Para cada palavra ouvida, saía uma canção de sua boca.  Havia quem rejeitasse essa mania de música para tudo.  Pediam-lhe, não raras vezes, que largasse mão da chatice em cantar palavras ditas. E ela? Divertia-se sem se importar com opiniões contrárias. E cantava e cantava e cantava cada palavra por alguém falada.

Incrível sua capacidade de perceber música em tudo à sua volta. O vento varrendo as folhas secas no outono era orquestra. O rio, uma sinfonia de correnteza deslizando ligeiramente feliz. Os pássaros com algazarras, divinas cantorias. Até mesmo as buzinas, apitos, gritos, estampidos, trens, toda essa sonoridade tresloucada da cidade grande era melodia para os ouvidos da apaixonada por musicalidade.

Por tanto amar música, diziam os amigos gozadores, que a Canção de Protesto de Caetano Veloso fora composta todinha para ela. Tomando para si a irônica homenagem, em resposta vivia a cantarolar ”(...) sei que só sei querer viver de amor e música”. E cantava e cantava e cantava qualquer palavra dita. E ria feliz que só ela!

HOMENS AO CHÃO NO FRIO DA NOITE...

      
Imagem do amigo fotógrafo  Severino Silva do Jornal O DIA.
HOMENS AO CHÃO NO FRIO DA NOITE...



Noite fria. Úmida. Retornávamos para casa depois de uma tarde agradável na companhia de amigos queridos.  Desejei um banho bem quentinho e cobertores para aquecer o corpo. Mais adiante, porém, uma cena esfriara completamente minha alma. Dois homens, deitados no chão duro e frio, enrolados em cobertores rotos.
Consternados, o carro encheu-se de silêncio e olhares compassivos para eles. Tantas perguntas silentes em nós. Meu filho querendo entender com perguntas o motivo daqueles homens lá fora na fria noite de chuva. O que os levara a uma carência de vida? Vício? Desamor? Desilusão? Insanidade? Desemprego? Tragédias naturais que destruíram muito mais do que um lugar para morar? Não importa qual a razão daquele fim. Eram vidas jogadas como restos dos destroços nas enchentes. Tipo coisa que ninguém quer por não estar em bom estado ou aquilo que não se deseja ver nunca mais.
Dilacerante esta dor de impotência por não poder fazer muito. Um prato de sopa. Um cobertor. Um agasalho. Uma palavra que inflame o espírito. Mas e a dignidade do ser? A integridade do homem? Quem pode devolvê-la? Há quem possa! Mas haverá quem faça?
Aquela cena não se apaga. Está bem viva ali, lá, aí, aqui e além. Em toda parte corpos estendidos no chão. E estão vivos! Ou não!? Talvez os corpos estejam vivos, mas a alma... Ah, pobre dessa alma que se deita sem esperança do amanhã ou cuja esperança, se houver, seja por mais um prato de sopa ou um cobertor que lhe cubra outra noite fria de alma congelada.
Sinal abriu e vivi a noite mais fria da vida. Olhei aqueles homens no frio da noite com olhos de amor fraterno. É! Eles poderiam ser um filho meu. Uma irmã. Meu pai. Meu amigo. Ou até ser mesmo eu e você.


3 de jun. de 2011

LETRAS CONFORTÁVEIS DE SÊDA...


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LETRAS CONFORTÁVEIS DE SÊDA...
Feliz, as palavras escorriam ligeiras. Soltavam de dentro de si macias como macios eram os lençóis de seda que confortavam seus sonhos. As letras seguiam por diferentes direções. Cada um que lia os textos do escritor, compreendia de uma forma distinta.
Fosse criança que lesse, só enxergaria a pureza e graça nas mensagens. Adulto, malícia que é, veria mais do que as letras queriam transmitir. Ah, o idoso... Ele leria as palavras feito bula querendo remédio para suas amarguras.  Fosse um sonhador a ler, veria castelos com suas bonitas princesas ou navios com piratas e runs em cada vírgula. Já o solitário, oh dó, avistaria um deserto sem oásis mesmo lendo sentenças completas de esperança cristalina!  Fosse o triste a ler, nem enxergaria lá além do mar azul ou os campos de flores em escritas multicolores, as suas lágrimas embaçariam toda frase de felicidade possível. Para ele tudo é o fim. Nada de continuação ou possibilidade do melhor depois. Só vê o ponto final. 
Apaixonado que dá gosto de se ver lendo cada sílaba, pois esse tem o dom de ver tudo mais belo, tornando poesia as reticências por conta do amor no peito. Seus olhos não conhecem o feio ou a dor. No coração de quem ama, só alegria e beleza.  Felicidade lá não tem fim.
Ah, as palavras... Correm soltas do escritor na medida certa, feito lençol macio de sêda envolvendo leitores. Deite você os olhos sobre as letras de um livro e aproveite o conforto das mensagens!rs

Djanira Luz

A BORBOLETA AMARELA QUE AMAVA O CÉU! (A lenda da rosa azul por Djanira Luz...rs)


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A BORBOLETA AMARELA QUE AMAVA O CÉU! (A lenda da rosa azul por Djanira Luz...rs)


Uma bela Borboleta amarela há dias voava desolada entre as flores de um bonito jardim sem lhes dar a mínima atenção. O motivo de visível desamparo era a paixão sentida pelo Céu, cujo maior desejo era beijar-lhe a face azulada de felicidade. Suas pequeninas asas a impedia de alcançar seu maior desejo. Como conseguiria ela,  frágil que sendo,  viajar ao infinito?
Ziguezagueando em voos rasantes seguia ela seu solitário destino de viver sem conseguir estar bem perto do Céu amado. E de lá do alto, o Céu, o amor pela Borboletinha correspondia.  Conhecia, assim como ela, as impossibilidades que impediam de acontecer aquela excepcional união. Como poderia ele, imensidão que era, conseguir viver o amor com aquele pinguinho de Sol alado? Havia muito mais do que a distância nessa incapacidade de amar.
Em um dia de muitas nuvens, onde o cinza roubara o sorriso do Céu, ele com o coração cheio de amor, chorou. E uma lágrima delicada azul desceu quentinha penetrando no chão fofo da Terra. Algum tempo depois, no lugar onde lágrima do Céu caíra, nasceu uma flor de beleza extraordinariamente singular. Uma rosa azul!
Era manhã de Sol claro,  voava solitária e desiludida a Borboleta amarela. Entre choros e lamentos, ela se deparou com algo realmente belo. Imaginou como pôde não ter notado antes tamanha graça entre as flores do jardim. Uma rosa azul! Era um pedacinho do Céu em flor. E pela rosa azul suas asas bateram apaixonadas.
E bem lá nas alturas, o Céu em esplendor explodia  com
intenso azul jamais visto! O Céu inteiro sorria por conseguir viver o amor entre a Borboleta amarela e ele através do pedacinho do céu na Terra, a rosa azul.
Feliz, a Borboleta ficou a bailar em tono da flor amada, azul de paixão!
Djanira Luz

27 de mai. de 2011

PESSOAS E PESSOAS, DIFERENÇAS NOS GESTOS...

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PESSOAS E PESSOAS, DIFERENÇAS NOS GESTOS...

Pessoas nos dizem geralmente as mesmas coisas. Por que será que algumas nos tocam profundamente tornando-se especiais para nós? É que suas palavras não saem da boca simplesmente, elas vêm de um coração gentil.

Pessoas abraçam-nos comumente.  Por que então umas nos deixam a sensação de estarmos o dia todo perto delas? É que umas nos abraçam com a frieza dos corpos e, outras, com o calor das almas.
Pessoas cumprimentam-nos com apertos de mãos diariamente. Qual o motivo de umas conseguirem melhorar nosso humor e outras não?  Acontece que umas simplesmente apertam nossa mão pela força do hábito. Já outras nos passam boas energias nesse gesto.
Pessoas beijam-nos em qualquer momento ou toda ocasião. Qual o segredo de ficarmos com o sabor de certas pessoas e nem lembrarmos das outras que nos beijaram igualmente? É que algumas pessoas beijam por mera formalidade. E os outros tipos de pessoas beijam doando amor.

Gestos automatizados se vão  e rapidamente são esquecidos. Sentimentos sinceros eternizam-se. Ficam conosco.


Qual o tipo de pessoa você é?rs

24 de mai. de 2011

NÃO SOMOS FILHOS DE DEUS!!!

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NÃO SOMOS FILHOS DE DEUS!!!



Parece-me que recordar com frequência os tempos de infância sinaliza estarmos envelhecendo.  Sério! De uns anos para cá dei para ficar relembrando muitas coisas feitas quando criança. Pensando bem, deve ser mesmo idade chegando, pois nunca vi uma criança dizer “lembra daquele dia” ou coisas do gênero. As crianças só falam do hoje e do amanhã.  E o amanhã, diga-se de passagem,  não se refere ao futuro quando estarão crescidas, mas o dia seguinte ou  dias que antecedem um evento próximo aguardado ansiosamente.

É! Relembrando esses tempos bons outra vez me vi às voltas com perguntas sem respostas que fazia. Dessa vez me lembrei das aulas de catequese  enquanto aprendia a oração do Credo.
Quando dona Elisa chegou na parte do “(...)e em Jesus Cristo,  seu único filho”, naquele instante me senti órfão de pai do céu, imaginando-me filha adotiva de Deus. Como “seu único filho” e eu!?  Na minha cabeça infante dúvidas e na língua inquietante fugiram de mim as palavras perguntadas à catequista:
- ENTÃO NÃO SOMOS FILHOS DE DEUS!?
Imaginem há quase quarenta anos explicar isso para uma criança. Atualmente o estudo sobre religiões é mais abrangente e uma enorme capacidade de explanar sobre a Bíblia. Ouvi como resposta qualquer coisa que-tudo-isso-era-mistério-da-fé e vai se sentar querida.

Lembro que voltei para casa desconsolada com perguntas outra vez não respondidas  ou que não me convenceram da verdade. Aí meu  avô Antônio, mais conhecido como Neném, leu em sua Bíblia para mim, a Criação do Mundo. Para quê fui ficar imaginando enquanto vovô lia! Milhões de dúvidas surgiram na minha cabecinha. E com as curiosidades vieram as muitas perguntas. Pobre da catequista velhinha, dona Elisa! No dia da catequese, fui lá com minhas questões espoletas. Ficava tão aflita querendo saber de tudo que estalava os dedos ansiosa por saber. Sem esperar por uma oportunidade mais favorável, interrompia a aula e descarregava as perguntas como quem atira com revólver:
- Dona Elisa! Dona Elisa! Pode me explicar como o homem que escreveu a Bíblia sabia de tudinho da criação do mundo? Se antes era o nada? Ninguém não estava lá para saber, não é!?
Silêncio no quintal onde acontecia as aulas de religião. Como se um anjo me soprasse ao ouvido para não deixar a dona Elisa sem jeito e sem resposta na frente das outras crianças, eu mesma respondi:
- Foi Jesus, não foi? Foi Jesus quando veio à Terra contou tudinho para o moço e ele escreveu como tudo aconteceu, não foi dona Elisa?
Recebi em resposta, um abraço bem carinhoso.
É! Como já escrevi outro dia, se não me dão respostas, as invento...rs


ADENDA:Ora, que diferença faz se somos criaturas de Deus e não filhos. Somos coisas criadas, porém muito amadas! Eu crio texto e cada coisa minha é feita com amor, carinho e tem grande valor e importância para mim.  Creio que Deus tem esse amor tão imenso por nós que foi capaz de enviar seu Filho Amado para nossa salvação. Quem se importaria com uma criação sua se não amasse tanto assim?rs

23 de mai. de 2011

MINISTÉRIO DESEDUCA A CULTURA!


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MINISTÉRIO DESEDUCA A CULTURA!

Num tem probrema mais pra nóis. Vou fala e escreve do geito qui eu quize, tá lá na cartilha do tau do MEC. E voçê dotôzinho que estudo horas sem diverção vai te que convive com os meu erros que agora vai ser acertos!
Pois é! Bem dizia Luciano Pires que o Brasil precisava ser despocotizado, mas acho que o pessoal do MEC, do Ministério da Educação e Cultura deve não ter entendido nada ou virou o Ministério da Deseducação e Sem Cultura! Só pode!
Veja bem, nada contra quem não sabe expressar-se corretamente, entretanto o que o MEC pretende fazer é  espezinhar quem se esforçou para ter o mínimo de cultura, de educação e dedicação em aprender a norma culta da fala e da escrita.
O que está por trás dessa triste realidade? Não consigo me situar em contexto assim. Ao invés de educarem o povo disponibilizando maiores e melhores condições de aprendizado,  o Governo quer nos injetar nas veias literárias essa coisa descabida. Posso prever o fim do magistério. Em pouco tempo a figura do professor irá virar histórias de museu. Afinal, quem precisa de professor se o Ministério de Educação e Cultura não deseja que sejam corrigidas os erros da escrita? Estaremos jogando no lixo as riquezas de anos em aprendizados?
O Brasil caminha para a ignorância e o retrocesso, o que muito me entristece. Não imagino um médico, um advogado, uma engenheira, uma comissária de bordo falando  de outra forma senão eloquente.

Ah! E não me acuse de preconceito linguístico, pois aqui sou meramente protestante com meu direito de liberdade de expressão.

Tenho visto muita coisa. Nem tudo me agrada, mas meus olhos continuam abertos! Toda essa mudança para quê? Eu bem sei a resposta! Descubra você a sua.

21 de mai. de 2011

IDEIAS ROUBADAS


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IDEIAS ROUBADAS! (Copycats)


Quando menino, bom aluno que era, os colegas copiavam suas respostas em cola na escola. Na adolescência inventou penteado agradando as meninas e outra vez foi copiado pelos colegas. Seguiu assim a vida toda. Fosse no trabalho, na escolha de um carro ou mesmo no lazer. Não tinha jeito! Era sempre copiado. O perfume que usava. As roupas que vestia, também. Até seu gosto pela leitura via nas mãos de quem mesmo dizia aversão a livros.
 Parecia mesmo um ícone pelo tanto que era imitado em tudo o que fazia.

No dia em que começou a ter ideias para escrever, sua mãe incomodada com todas cópias que o filho sofria anos a fio, irritada questionou-lhe?

- Não se chateia em ver copiados seus textos e ideias? Acaso seu nome é Xérox do Brasil?
Rindo com seu jeito simples de ver a vida, despreocupadamente respondeu:
- Não mãe... Tem muito mais de onde saíram as minhas ideias e textos! A mente se estimulada é uma fonte inesgotável de criação.

19 de mai. de 2011

AMORES DESPERDIÇADOS...



A imagem acima é criação do engenheiro elétrico turco Mehmet Ozgur que fotografa fumaça e a manipula transformando-a em esculturas interessantes.
AMORES DESPERDIÇADOS...


Não deu tempo para dizer que amava. Nem para demonstrar a beleza do sentimento. A coragem fez-se silêncio e as palavras calaram em sua boca. O silêncio tornou-se lei em sua vida. Era respeitado. Obedecido. Isolado como em redoma, passava  seus dias em solitárias horas frias. Não teve tempo de dizer do amor que nutria.  Morreu sem coragem de revelar o que sentia e, a sua amada viveu sem saber do grande amor sentido por ela...
Djanira Luz



18 de mai. de 2011

NÃO FICO MAIS SEM RESPOSTAS!




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NÃO FICO MAIS SEM RESPOSTAS!


Criança faz tanta pergunta, nem para todas obtêm respostas. É cada dúvida. É tanta curiosidade. Coisas muitas. Dizem que é da idade! Já fui assim, bem me lembro! Deixava algumas vezes os adultos sem fala e era obrigada e ficar igualmente calada com minhas perguntas guardadas na cabeça. No tempo dos porquês quase enlouqueci mamãe. *"Por que as estrelas não caem se estão soltas no céu?" "Por que comer se depois vai sair tudo de mim?" "Por que o leite é branco?" Por quê? Por quê? Por quê?  Coitadinha. Como todo mundo, mamãe não sabia tudo de tudo, nem dar todas as respostas como eu desejava saber.

Aos poucos muitas respostas vieram. Nos livros que lia. Nas conversas despistadas que ouvia. Nos programas da televisão que assistia. Até nas conclusões que tirava com minhas próprias ideias em descobertas diárias.
Ainda continuo como aquela menina cheia de questões na cabeça sem soluções. Claro que hoje as perguntas são bem mais complexas! E sigo buscando respostas. Com uma diferença. Se as respostas não vêm, eu as invento. Melhor, as transformo em histórias, poemas e coisas afins. Afinal sem resposta é que não fico mais!rs



* Qual criança nunca fez uma dessas perguntas?
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