A imagem desta página foi retirada da busca Google. Caso seja sua criação e não autorize postá-la, por favor avise-me que retirarei imediatamente. Obrigada!
MEU ROMANCE...
Assim de repente chegam
tomando-me de emoção
e me tocam suavemente
aquecendo o coração,
são lembranças...
E depois elas sobem
em lágrimas sentidas
ligeiras, volumosas
enchendo-me os olhos
de saudade...
Por fim partem
levando pedacinhos
dos romances meus
nobre sentimento
é o amor...
Djanira Luz
Eis que vim envolta Em Quatro Elementos - Sou maioria água, ser humano é assim; sou fogo quando necessário; sou terra, de mim brotaram frutos; sou ar, minha imaginação me permite voar... Sou feminina e forte como a mulher Mãe Natureza! ;Djanira Luz Todos textos, poesias ou frases neste Blog são de minha autoria. dj@
14 de set. de 2010
ALEGRIA GUARDADA NA BOCA...
A imagem desta página foi retirada da busca Google. Caso seja sua criação e não autorize postá-la, avise-me que retirarei imediatamente. Obrigada!
ALEGRIA GUARDADA NA BOCA...
A tristeza toma conta das letras
e a poesia foge para fora de mim
o vazio da mente exclui vivas ideias
no meu coração uma noite infinita
nem lua, nem estrelas surgem
nenhuma luz aqui
a clarear os pensamentos
comigo somente negras nuvens
tornando horas longas e frias
Névoas cobrem meus olhos
que turvados de saudade
não enxergam esperanças
senão este imenso nada
dos que têm por companhia
a solidão ferindo alma.
Devo encontrar outra vez
trazê-la de volta
a alegria dos meus versos
esquecida, conservada
dentro da gaveta
onde na moldura
está a boca que
por muito tempo
e de tanto amor
beijei...
ALEGRIA GUARDADA NA BOCA...
A tristeza toma conta das letras
e a poesia foge para fora de mim
o vazio da mente exclui vivas ideias
no meu coração uma noite infinita
nem lua, nem estrelas surgem
nenhuma luz aqui
a clarear os pensamentos
comigo somente negras nuvens
tornando horas longas e frias
Névoas cobrem meus olhos
que turvados de saudade
não enxergam esperanças
senão este imenso nada
dos que têm por companhia
a solidão ferindo alma.
Devo encontrar outra vez
trazê-la de volta
a alegria dos meus versos
esquecida, conservada
dentro da gaveta
onde na moldura
está a boca que
por muito tempo
e de tanto amor
beijei...
10 de set. de 2010
ELE QUE ME ABRAÇA EM LEMBRANÇAS...
ELE QUE ME ABRAÇA EM LEMBRANÇAS...
As imagens desta páginas foram retiradas da busca Google. Caso seja sua criação e não autorize postá-la, avise-me que retirarei imediatamente. Obrigada!
Em sonho ele me abraça
beija a tez com requinte
a saudade forte enlaça...
Em tudo o que penso ou sinto
pelos caminhos por onde for
sigo para seu corpo labirinto...
Ajo sem razão, desejo por instinto
embriagada desse imenso amor
paixão aquece, é vinho tinto...
Ele não sai da minha cabeça
pois o coração nunca permite
que dele eu me esqueça...
Djanira Luz
9 de set. de 2010
HELGA, A VIDA SEM SISO...
A imagem acima foi retirada da busca Google. Caso seja sua criação e não autorize postá-la, avise-me que retirarei imediatamente. Obrigada!
HELGA, A VIDA SEM SISO...
Perdia-se a conta do tanto conselho ignorado ouvido da mãe. Com incansável recomendação de que desse valor aos estudos, aos pais e a própria vida, dona Nina tentava por juízo nos miolos moles da filha. Desde muito nova demonstrava aptidão para vida fácil e dom nenhum para tudo que rimava com responsabilidade. Coisa mais imbecil de certos adolescentes! Acreditam na eterna juventude. No ritmo do “deixa a vida me levar” que amanhã eu penso em coisa séria. O agora para eles é só festa e muito beijo na boca.
Aviso não ouvido, geralmente chega a hora da cobrança. Com a morte do pai, apesar de já estar com vinte e dois, Helga persistia com o mesmo gênio forte e teimoso da adolescência. Conservava o semblante altivo de quem a nada e a ninguém ouve ou dá atenção. A sua má fama corria solta. Amizade só com os rejeitados do bairro que, como ela, não tinham respeito por ninguém nem com eles mesmos. Eram péssimas companhias que as outras mães azedavam a cara só de mencionar seus nomes. Queriam mantê-los distantes dos filhos. Tinham consciência do estrago que a influência negativa era capaz de fazer na família.
Quando se viu bater na porta do único irmão é que teve real consciência da vida miserável que se encontrava. A casa simples denunciava vida modesta. Sabia que ele não tinha muito, embora nada lhe faltasse, nem para a mulher e os filhos. Ao ver a irmã no portão demonstrou desejo nenhum em recebê-la. Para a maior humilhação de Helga, apiedou-se dela a cunhada. Justo ela, meu Deus! Foi a primeira vez na vida que Helga sentiu-se envergonhada. Lembrou-se do quanto ofendeu aquela que naquele momento abria a porta e o sorriso em seu auxílio. Sem demonstrar qualquer repúdio ou ressentimento por tudo que Helga lhe havia feito sofrer, a cunhada ajudou-a carregar para dentro do quintal as poucas tralhas que trazia. O irmão disse-lhe que por ele não daria guarida, mas pela insistência da mulher, deixaria ficar. Naquela noite dormiria no sofá da sala.
Logo cedo, Helga foi até os fundos da casa. Viu que o irmão levantava uma parede de tijolos onde antes estavam telas de arame. Era o canil que antigo proprietário da casa mantinha doze cães. A cunhada ajudou a lavar o local que passaria a ser seu quarto. O irmão ainda teve capricho de pintar o pequeno cômodo.
Helga incomodou-se com a real dureza. Bem ali, diante da sua nova morada lembrou-se da mãe e dos conselhos não ouvidos. Triste sina. Tarde para o arrependimento. Muitas recordações confusas na mente. Entendera que a vida irônica escolhera local adequado para lhe acomodar. Num canil! Acreditou ser merecedora das tantas ofensas recebidas dos homens que teve e das pessoas que reprovavam seu modo leviano de viver. Amargurada, proferiu para si num rompante de fúria:
- CADELA!
Djanira Luz
6 de set. de 2010
SOLIDÃO INTELECTUAL...
imagem acima foi retirada da busca Google. Caso seja sua criação e não autorize postá-la, por favor, entre em contato comigo que retirarei imediatamente. Obrigada!
SOLIDÃO INTELECTUAL...
Julga-se superior pelo seu intelecto. Como ele não há. Confia piamente nisto que ostenta o ar medíocre e esnobe dos que desprezam quem não sabe muito. Ignora quem não tem sabedoria. Seleciona a dedo as companhias para trocas de conhecimento.
Do outro lado do salão onde acontecia bonito evento, a pequena menina com seus belos cabelos cacheados mostrava-se atenta a tudo ao que via. De testa franzida não tirava os olhos do intelectual. Parecia querer entender o motivo de alguém estar solitário numa festa com tantas pessoas alegres e comunicativas.
Da minha mesa, por algum momento, eu a observei com igual curiosidade com que ela fitava o homem perto da janela central do salão. Tive vontade de me aproximar da menina e lhe dizer que o intelectual era um homem que estudou sobre muitas coisas, porém, pouco se preocupou aprender como lidar com o outro. Eu diria a menina dos cachos negros que se a inteligência que não for aliada a humildade leva-nos a soberba.
Ah, garotinha! Eu poderia lhe dizer que de nada serve a intelectualidade se não for para a partilha, para a integração. De que adianta possuir tamanha sabedoria e ficar assim numa festa como aquele senhor com cara de poucos amigos? Quem suporta ficar diante de alguém que acredita saber mais que qualquer um e fala com formalidade linguística para se gabar ou humilhar a quem o ouve? O verdadeiro intelectual é aquele que sabe usar a linguagem própria para cada indivíduo conforme seu grau de instrução e, não aquele que a qualquer custo tenta convencer o outro do quanto sabe de tudo.
Mas, voltei para a complexidade dos meus pensamentos e preferi deixar a cândida menina com suas imaginações. Na verdade ela poderia nem estar importando com a solidão intelectual do homem. Seu olhar curioso talvez fosse simplesmente pela sisudez da face ou pelos seus cabelos desgrenhados. Por eu ter conhecimento da personalidade dele imaginei que a menina como eu, estivesse incomodada pela ausência de companhia naquela mesa.
O fato é que aquela cena perturbou-me grandemente. O intelectual tinha sobre a mesa um prato cheio de vaidades e um copo frio vazio pela ausência de amigos. A solidão ali era o preço alto pelo orgulho enraizado.
Veio-me então a mente a frase de quem dotado de imensa sabedoria conservou a simplicidade dos que têm nobreza e sensatez. E desejei que o homem solitário da festa imitasse o gesto de Sócrates que mesmo sendo grande filósofo, foi humilde ao dizer "(...) só sei que nada sei”. Se agisse assim, certamente a mesa do intelectual seria disputadíssima a noite inteira!
Afinal, quem não gosta de uma boa companhia e ótimas conversas?rs
Djanira Luz
31 de ago. de 2010
COMISERAÇÃO
A imagem acima foi retirada da busca Google. Caso seja de sua autoria e não autorize postá-la, por favor entre em contato comigo que retirarei imediatamente. Obrigada!
COMISERAÇÃO
Tenho pena deste mundo onde só vejo lobo a devorar lobo.
Tenho pena de quem desiste da realidade da vida para viver a ilusão no mundo das drogas.
Tenho pena de quem não tem fé em nada. Nem em Deus, nem na vida ou em si mesmo.
Tenho pena de quem é escravo das futilidades das modas, dos consumismos enchendo o exterior de supérfluos enquanto anula e esvazia o essencial conteúdo interior.
Tenho pena de quem desiste do grande amor e se conforma com o destino do mais ou menos feliz na vida.
Tenho pena de quem se aliena enlameando as mãos, a cara e todo corpo para obter vantagens efêmeras e corrompidas.
Tenho pena de quem tem chance de melhorar o país e desperdiça a oportunidade com ambições particulares egoístas.
Tenho pena de quem gasta seu precioso tempo ofendendo, atacando religião, seita, opção sexual, raça, cor pelo inútil e simples prazer de exercitar a crueza pobre de espírito.
Tenho pena de quem passa mais tempo proferindo palavras ardis sobre a vida ou crença alheia ao invés de propagar o amor que muito desejamos e pouco percebemos no mundo.
E tenho pena também de mim em acreditar que amanhã poderá ser ainda mai belo do que hoje. Que seremos irmãos sem fronteiras respeitando os limites e as escolhas do outro com singular concordância. Onde a justiça será realidade respeitada e idealizada pela política do país e não a lástima miserável que somos obrigados a entalar na garganta, por ser tão ruim que não desce!
Sim, tenho pena de mim por me manter alegre, otimista mesmo quando as notícias frescas de cada dia dizem “não espere por dias melhores, nada de novo e belo amanhã, mulher”.
Tenho pena de mim por acreditar e lutar por dias sim melhores poderão vir. Tenho pena de mim por fazer orações por quem não acredita no poder da fé ou por quem não mereça tais bênçãos.
Em suma, tenho pena de mim porque a vida toda serei assim do jeitinho que tenho sido – eterna ingênua otimista a crer em possíveis finais felizes sim!
Djanira Luz
27 de ago. de 2010
AUTENTICIDADE EM TEMPO DE ELEIÇÃO...
As imagens desta página foram retiradas da busca Google, caso seja sua criação e não autorize postá-la, favor entrar em contato comigo que retirarei imediatamente. Obrigada
AUTENTICIDADE
Prefiro ser rejeitada pelas verdades proferidas a ser bajulada por condescender com mentiras.
22 de ago. de 2010
NA QUIETUDE DAS HORAS...

As imagens desta página foram retiradas da busca Google, caso seja sua criação e não autorize postá-la, favor entrar em contato comigo que retirarei imediatamente। Obrigada
NA QUIETUDE DAS HORAS...
Silêncio
é fim de noite
ouço vozes
na quietude das horas
são nossas almas
a se encontrarem
elas se buscam
enquanto nós dois
serenos adormecidos
efetuamos
o que em pleno
e real amanhecer
é impossível
pois nossos corpos
vivem separados
embora desejos
pensamentos
corações seguem
em comunicação
e sintonia
em igual compasso
nas batidas do peito
a expressar
“nós nos pertencemos"...
Djanira Luz
14 de ago. de 2010
EM DESALINHO...

EM DESALINHO...
As imagens desta página foram retiradas da busca Google, caso seja sua criação e não autorize postá-la, favor entrar em contato comigo que retirarei imediatamente
Chega
beija-me a boca
revolve os cabelos
eriça minha pele
sussurra ao ouvido
As imagens desta página foram retiradas da busca Google, caso seja sua criação e não autorize postá-la, favor entrar em contato comigo que retirarei imediatamente
Chega
beija-me a boca
revolve os cabelos
eriça minha pele
sussurra ao ouvido
melodia suave
de tão extasiada
enterneço...
O seu amor
igual ao vento
areja-me a alma
infla de paixão
meu coração
e o deixa assim
em completo
desalinho...
Djanira Luz
de tão extasiada
enterneço...
O seu amor
igual ao vento
areja-me a alma
infla de paixão
meu coração
e o deixa assim
em completo
desalinho...
Djanira Luz
13 de ago. de 2010
MÃES DOS MEUS FILHOS

As imagens desta página foram retiradas da busca Google, caso seja sua criação e não autorize postá-la, favor entrar em contato comigo que retirarei imediatamente। Obrigada!
MÃES DOS MEUS FILHOS
( Um conto de LOOONGA LETRAGEM...rs)O dia estava estonteantemente lindo e agradável, daquele jeito em que sentimos vontade de curtir a vida sem pressa, sem compromisso, sem culpa para nada. No olhar de Thereza, porém, a dor física já não podia ser oculta com sorrisos. Mulher forte se abatera repentinamente devido a gravidade da doença maligna, incurável.
O pequeno Joel enquanto brincava no quintal da casa, através do bonito vitral das tulipas amarelas, pôde ver a mãe ajoelhada. Em sua inocência a mãe conversava com Deus como bons e velhos amigos. Seu pai Vicente, porém, enternecido sofria com aquele sincero diálogo.
- Bom Deus, não desperdice milagre comigo. Sou consciente da minha parcela de culpa pelo mal que me acometeu. Adiei visitas médicas, fui irresponsável com o corpo saudável com o qual fui agraciada. Muitas vezes, por inconsciente orgulho não ouvi conselhos da família, dos meus amigos para procurar tratamento logo no início das primeiras discretas dores. Senhor, apesar dos meus trinta e oito anos, sei que tenho pouco tempo para viver e tanto para ser feito. Por isso, Deus, não desperdice milagre comigo, guarda-o para meus meninos que ainda são pequenos e, certamente, em algum momento da vida precisarão da sua mão generosa de Pai. Troca justa, não concorda, meu Pai? Reserve milagres para o tempo em que meus filhos precisarem. A tempo e a hora deles sim, seja generoso em suas graças. Quanto a mim peço apenas que seja minha partida suave e que não sofram muito os que ficarem sem minha presença.
Thereza mal podia terminar aquela prece. Estava resignada com sua situação, porém a tristeza de deixar filhos órfãos, antes de lhes ver crescidos, formados. E os netos que tanto sonhara ter em seus braços? Vida breve que a doença ia ceifando devaneios de longas datas tão bem planejados.
Em sua mente, por muitos anos, Thereza via-se em jardins esparramada, descalçada feito os netinhos, rolando na grama com sorrisos soltos e felicidade a irradiar preenchendo todo quintal de vida em festa. Agora ali, sonhos desfeitos! Cinzas da morte pairavam sobre o frágil corpo em dores insuportavelmente cruéis.
Em meio ao desespero por partir deixando filhos sós e num misto de brilhantismo racional, Thereza teve um insight! Uma idéia extraordinariamente louca e bela. Sem perceber a presença de Vicente na janela admirando-a, levantou-se lentamente. Dirigiu-se para a escrivaninha à cata da antiga agenda. Buscou por um nome. Pelo amigo fiel de muitas vivências partilhadas. Do lado de fora, o marido a acompanhava atento percebendo sua inquietação. Finalmente Thereza como se achasse algo valioso, exclamou:
-Guydo! - O amigo jornalista, âncora do maior jornal televisivo do país, certamente ajudaria a pôr em prática seu intento!
Da sala, Thereza foi para o quarto. Trocou a roupa. Vestira-se elegantemente com peculiar sobriedade. Dirigiu-se para o quintal da casa tendo em mãos a bolsa, o inseparável celular e alguns papeis ou documentos. Foi o que Vicente conseguiu ver. Antes, porém, que o marido perguntasse aonde Thereza iria, ela lhe deu um rápido beijo de despedida. Aproximando-se do filhinho, garantiu-lhe num confortante abraço de que logo voltaria. Para que não fosse impedida de partir ou para não ser envolvida em questionamentos, entrou ligeira no carro deixando a mente de Vicente cheia de interrogações e curiosidades. Por que se vestira daquele jeito? Para onde teria ido? Qual o motivo de tanta pressa?
O velho amigo a aguardava no charmoso Café da Grande São Paulo. Depois de ouví-la, a expressão do seu rosto era puro sentimento e lágrimas. Descomposto em emoções, Guydo mal conseguia conter as sensações do corpo e alma. Habituado a todo tipo de situação por conta da experiência da profissão, os tantos anos trabalhados, os treinamentos para manter o equilíbrio diante dos piores eventos não foram suficientes para conterem suas reações ao atender um favor tão sublime quanto ao que ouvira da querida amiga.
Guydo levantou-se. Aproximando-se de Thereza, arrastou a cadeira com delicadeza para que ela ficasse de pé. Abraçou-a com ternura, demoradamente . Com voz embargada conseguiu dizer:
O pequeno Joel enquanto brincava no quintal da casa, através do bonito vitral das tulipas amarelas, pôde ver a mãe ajoelhada. Em sua inocência a mãe conversava com Deus como bons e velhos amigos. Seu pai Vicente, porém, enternecido sofria com aquele sincero diálogo.
- Bom Deus, não desperdice milagre comigo. Sou consciente da minha parcela de culpa pelo mal que me acometeu. Adiei visitas médicas, fui irresponsável com o corpo saudável com o qual fui agraciada. Muitas vezes, por inconsciente orgulho não ouvi conselhos da família, dos meus amigos para procurar tratamento logo no início das primeiras discretas dores. Senhor, apesar dos meus trinta e oito anos, sei que tenho pouco tempo para viver e tanto para ser feito. Por isso, Deus, não desperdice milagre comigo, guarda-o para meus meninos que ainda são pequenos e, certamente, em algum momento da vida precisarão da sua mão generosa de Pai. Troca justa, não concorda, meu Pai? Reserve milagres para o tempo em que meus filhos precisarem. A tempo e a hora deles sim, seja generoso em suas graças. Quanto a mim peço apenas que seja minha partida suave e que não sofram muito os que ficarem sem minha presença.
Thereza mal podia terminar aquela prece. Estava resignada com sua situação, porém a tristeza de deixar filhos órfãos, antes de lhes ver crescidos, formados. E os netos que tanto sonhara ter em seus braços? Vida breve que a doença ia ceifando devaneios de longas datas tão bem planejados.
Em sua mente, por muitos anos, Thereza via-se em jardins esparramada, descalçada feito os netinhos, rolando na grama com sorrisos soltos e felicidade a irradiar preenchendo todo quintal de vida em festa. Agora ali, sonhos desfeitos! Cinzas da morte pairavam sobre o frágil corpo em dores insuportavelmente cruéis.
Em meio ao desespero por partir deixando filhos sós e num misto de brilhantismo racional, Thereza teve um insight! Uma idéia extraordinariamente louca e bela. Sem perceber a presença de Vicente na janela admirando-a, levantou-se lentamente. Dirigiu-se para a escrivaninha à cata da antiga agenda. Buscou por um nome. Pelo amigo fiel de muitas vivências partilhadas. Do lado de fora, o marido a acompanhava atento percebendo sua inquietação. Finalmente Thereza como se achasse algo valioso, exclamou:
-Guydo! - O amigo jornalista, âncora do maior jornal televisivo do país, certamente ajudaria a pôr em prática seu intento!
Da sala, Thereza foi para o quarto. Trocou a roupa. Vestira-se elegantemente com peculiar sobriedade. Dirigiu-se para o quintal da casa tendo em mãos a bolsa, o inseparável celular e alguns papeis ou documentos. Foi o que Vicente conseguiu ver. Antes, porém, que o marido perguntasse aonde Thereza iria, ela lhe deu um rápido beijo de despedida. Aproximando-se do filhinho, garantiu-lhe num confortante abraço de que logo voltaria. Para que não fosse impedida de partir ou para não ser envolvida em questionamentos, entrou ligeira no carro deixando a mente de Vicente cheia de interrogações e curiosidades. Por que se vestira daquele jeito? Para onde teria ido? Qual o motivo de tanta pressa?
O velho amigo a aguardava no charmoso Café da Grande São Paulo. Depois de ouví-la, a expressão do seu rosto era puro sentimento e lágrimas. Descomposto em emoções, Guydo mal conseguia conter as sensações do corpo e alma. Habituado a todo tipo de situação por conta da experiência da profissão, os tantos anos trabalhados, os treinamentos para manter o equilíbrio diante dos piores eventos não foram suficientes para conterem suas reações ao atender um favor tão sublime quanto ao que ouvira da querida amiga.
Guydo levantou-se. Aproximando-se de Thereza, arrastou a cadeira com delicadeza para que ela ficasse de pé. Abraçou-a com ternura, demoradamente . Com voz embargada conseguiu dizer:
- A vida toda senti orgulho em ser amigo seu, querida! Você é linda! A sua alma é algo que não sei mensurar, Thereza. Amo você. Afirmo que a amarei até a outra vida.
Thereza agradeceu retribuindo com igual medida o carinho recebido. Despediram-se com promessa de Guydo jantar com a família da amiga em outra ocasião.
Seis meses se passaram, a saúde de Thereza a cada novo dia mais debilitada. Quase não andava, respirava com dificuldade. Nem com medicação a dor lhe dava tréguas! Os filhos Joel de seis anos e Serena de nove sofriam percebendo que a cada amanhecer menos mãe tinham. O sorriso de Thereza já não disfarçava a dor sentida. A sinceridade do olhar denunciava todo horror daquele momento ápice da doença. Pelas sensações e respostas do corpo, Thereza previa que pouco lhe restava de tempo. Diante desta certeza, pediu ao marido Vicente que lhe trouxesse a antiga agenda e o celular. Com dificuldade passou os dedos sobre o visor do celular. Discou o número de Guydo e disse:
- Amigo querido, precisa ser hoje. A hora é esta! Que Deus retribua em graça e virtudes tudo que agora me atende. Comovido, Guydo garantiu-lhe que cumpriria seu último desejo.
No horário nobre, o jornalista Guydo fez uma chamada especial pedindo para que todos os telespectadores atentassem para o próximo bloco. Ao invés de reportagem sensacionalista ou política, surgiu uma mulher de olhar lacrimejado e fala sufocada com o seguinte pronunciamento:
- Boa noite, telespectador! Meu nome é Thereza Assis, tenho trinta e oito anos, sou artista plástica em boa parte das horas e mãe em tempo integral. Agradeço muito pela atenção e por me permitir adentrar no aconchego do seu lar. Saiba que é por motivo de amor maior que me trouxe até aqui. Não, eu não vou candidatar-me a nenhum cargo político. Na verdade venho convocar, conclamar a todas as mães do mundo para que cuidem dos meus dois filhos quando eu não mais estiver aqui entre vocês. É que estou com doença incurável. Tenho menos tempo que desejaria para viver. Não terei tempo para ver meus filhos crescidos, formados, dando-me netos que alegram e enfeitam a velhice. Sei o quanto faz falta uma mãe ao lado do filho para que ele cresça em segurança, forte e feliz. Por mais que o pai o ame, a mãe será sempre a mãe. Do mesmo jeito que uma mãe não substitui um pai, mesmo que ela se desdobre para suprir a ausência do pai que partiu. Então, mães do mundo inteiro, peço que olhem pelos meus filhos por onde quer que eles caminhem. Seja qual cidade ou país, que haja ao menos uma mãe que se preocupe e que cuide deles como eu cuidaria se viva estivesse. Em cada rua, em cada bairro, cidade, país ou continente, se houver uma mãe a zelar pelos meus filhos, estarei em paz e eternamente grata no plano em que eu estiver. Bem, era isso que precisava fazer por meus meninos, aliás, um casal, Joel tem seis anos e Serena de nove. São crianças adoráveis. Cada um com seu temperamento, cada qual com seu gênio diferenciado. Sei, porém, que se bem moldados, bem amparados, serão grandes humanos amanhã. Por isso, mães do mundo inteiro, conto com cada uma e todas vocês. Muito obrigada. Deus as abençoe. Por favor, não se esqueçam desta minha súplica! Pois concedo a todas boas mãe a guarda dos meus amados e as nomeio a partir deste momento, Mães dos meus filhos! Obrigada e boa noite.
Somente após tanto tempo o marido Vicente compreendeu o motivo daquela saída misteriosa de Thereza naquela tarde.
Um pouco mais de uma semana depois de ter sido veiculado na televisão seu apelo, Thereza faleceu. Vicente contou que no momento da morte ela parecia sorrir como se partisse feliz e confiante por algo bem realizado.
Enquanto isso a vida seguia. O vídeo da Thereza corria os quatro cantos do mundo. Foi visto pelos mais variados meios de comunicação. Houve comoção universal. Houve consenso entre as nações. Até mesmo países ditos inimigos foram unânimes em admirar tamanha demonstração de amor num mundo onde pai mata e estupra filha, filho desonra e agredi mãe, mãe joga filho no lixo ou pela janela. Uma mulher foi capaz de se expor, de se revelar as dores, as feridas do corpo e alma para que os filhos não ficassem desprotegidos e órfãos de mãe. Sim! O mundo compreendeu o recado. A paz é possível e basta apenas um pequeno gesto. Gesto sublime que move nações, que revigora e que suscita a humanidade a querer o bem. O bem do próximo, do irmão, de todo ser sem distinção. Pois o bem feito ao semelhante reflete os bons sentimentos que cada um preserva em si. O amor é a melhor arma. O amor desarma. Desata nós, derruba barreias e constrói pontes.
Thereza não imaginava quando teve aquela idéia para proteger os filhos, o bem que faria. Não somente aos filhos, mas ao mundo inteiro que foi capaz de olhar com mais amor para quem estava a seu lado. Um filho, o marido, o vizinho, o varredor de rua, enfim. Todos eram merecedores do amor gratuito muitas vezes esquecido ou preservado egoisticamente no coração.
Num gesto humanitário, as pessoas pouco a pouco foram quebrando espelhos. Pararam de olhar para si. E sem perder tempo olhando para seus próprios interesses, enxergaram beleza no outro e o amor iatransformando orgulho em perdão, ódio em reconciliação, inveja em solidariedade, desprezo em esperança. Bastou um gesto de amor para que o mundo percebesse o quanto é mais fácil amar do que fazer a guerra.
Governantes de todos os países promulgaram decretos para que em todos hotéis, comércios, empresas e residências onde houvesse uma mãe de coração precioso, fosse anexada uma placa com os seguintes dizeres – SINTAM-SE ACOLHIDOS FILHOS DE THEREZA! Aquela frase era mais do que um gesto de acolhida para Joel e Serena. Represantava um símbolo. Um memorial para que ninguém mais esquecesse de nutrir amor pelo irmão sem fronteiras.Sem distinção, sem resquícios de preconceitos. E outros aderiram ao movimento solidário. Carros circulavam com adesivos tendo os mesmos dizeres de boas vindas. Podia-se ver em qualquer canto, em sucos de caixinhas, em diversos produtos, a saudação aos filhos de Thereza.
Um jornalista do New York Time publicou um texto sobre a mãe Thereza.
Raras são as demonstrações de amor incondicional que tenho percebido neste mundo. Há muito não me rendo a um gesto tão quanto o da mãe Thereza. Sua notável atitude fez-me lembrar uma passagem do Livro Sagrado. Cristo, pouco antes de morrer, ainda que sofrendo as dores da crucificação, por ser detentor de amor sem igual, compadecendo-se da mãe que sofria e sofreria a falta do filho amado, dirigiu-se a ela e em seguida ao discípulo amigo João e determinou: “- MÃE, EIS AÍ O TEU FILHO. FILHO, EI AÍ A TUA MÃE”. Diante disto, afirmo que depois de Cristo, Thereza foi o ser que verdadeiramente preocupou-se mesmo debilitada, fragilizada, com o bem estar dos filhos . Só alguém que muito ama é capaz de sublimar a dor. Só uma mãe que tem amor imenso é entende a falta que faz a presença materna para os filhos. Que este áureo gesto seja imitado pelo mundo inteiro! Não somente em relação a filhos, maridos, parentes próximos ou amigos. Mas a todo ser indistintamente. Se fizermos o bem ao nosso semelhante, bem receberemos em troca. Desta forma, promoveremos a tão desejosa paz. A vida é assim. Se você sorri, em resposta volta-nos um sorriso de quem o recebeu. Ao passo que se você dá um tapa, um guerra instala-se no mesmo instante. Cabe-nos optar por receber beijos e flores ou pedras e ofensas. Eternizada seja a memória da mãe Thereza e bem amados sejam seus filhos.
Os filhos de Thereza iam crescendo. Conforme passava o tempo, apesar da ausência materna, sentiam a presença da mãe no calor afetivo de toda mulher acolhedora. Num olhar, num sorriso, numa atenção, em cada palavra gentil pronunciada pelas mães do mundo inteiro, ecoava a doce voz da mãe Thereza, cuja presença permaneceu viva e forte através do amor comprometido das mães que adotaram Joel e Serena como filhos do coração.
Naquele momento o mundo parecia viver um sonho de paz. Mas, o que seria da humanidade se cansássemos de sonhar? Eu creio, só o amor será capaz de transformar pensamentos, ideias e ideais. E isto depende apenas de cada um e de todos nós.
Djanira Luz
Assinar:
Postagens (Atom)







