26 de jul. de 2012

VOVÔ ANTÔNIO E VOVÓ ALMIRA...





 
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VOVÔ ANTÔNIO E VOVÓ ALMIRA...



Minha avó tinha uma trança grande e vivia de coque. Era a avó com mais cara de vovó do mundo! O cabelo do meu avô era igual a neve e macio como veludo. Usava um chapéu de feltro que eu tirava toda a vez que ia visitá-lo para acarinhar os cabelos macios. Ele gostava disso. Minha avó tinha mão boa para cozinhar. Até o simples arroz com feijão preparado por ela era um banquete e tanto! Meu avô fazia orações de cura. Do corpo e da alma. Sempre que o via com um raminho em mãos, já sabia que alguém precisava de suas rezas. A casa ficava cheia de gente com pedidos de orações. Minha avó também era muito religiosa. O véu denunciava hora da missa. Meu avô gostava de fazer umas batidas. Um dia deu-me só um pouquinho do que preparara. Estava frio e disse que me aqueceria. Era doce. Tinha gosto de chocolate e canela. Queimou-me a língua e a garganta e meu rosto ficou vermelho como se pegasse fogo. Nunca mais quis provar outras das suas misturas de pinga! Minha avó amava as plantas. Havia de tudo em seu quintal. De flores às ervas para chá. O cheiro era sempre bom. O aroma adocicado vinha das flores e os cítricos das plantas medicinais. Meu avô fumava e eu vivia apagando seu cigarro. Ele nunca brigava comigo. Ria e acendia outro. Entendia que meu gesto era carinho de neta que se preocupa com o avô que ama. Minha avó vivia bonitinha com saias e vestidos coloridos. Tinha cuidado especial com seus cabelos longos. Usava óleo de Bourbon neles. Mamãe sempre levava para ela. Ainda posso sentir o cheiro quando penso em vovó. Lembro das suas zangas quando alguma neta pegava um pouco do seu óleo. Quanta saudade boa e divertida me vem nesta minha memória! Mas nem de só boas lembranças vivo. O cigarro levou embora de mim meu avô que não entendia em sua ingênua ignorância que a nicotina, na verdade, era uma guilhotina que lhe concedeu o câncer na garganta. Pobre vovô que vi definhar com o buraco da traqueostomia. Doía vê-lo com a cânula em sua garganta, tendo dificuldade para tudo. Para comer. Beber. Falar. Respirar e viver. Estava tão difícil viver que a morte o levou de nós. Da minha vó foi triste o dia em que cheguei ao hospital e a vi sem as longas e bem cuidadas tranças. Cortaram-na! Corria o risco de contaminação e lá onde se encontrava, com seu estado debilitado era difícil manter os cabelos compridos. Não havia mais o coque sempre bem alinhado. Ali somente cabelos curtos. No lugar do aroma do óleo de Bourbon, o éter do ambiente invadia minhas narinas. Assim, de uma forma forte e fria fazia-me ver a realidade ruim. Sim, eu quis fugir daquela visão, embora adultos não possam escapar de cenas doidas. Quando criança, eu podia esconder-me em algum canto e brincar do meu faz-de-conta-que-é-sonho-depois-eu-desperto. Mas naquele momento, não. Ali no leito da minha avó era realidade a ser enfrentada. E inalando aquele odor desagradável, eu me preparava para os últimos momentos ao lado dela. E foi assim que me vi sem meus avós queridos. No entanto, apesar do triste fim que geralmente nos roubam pessoas queridas, sempre que penso nos meus avós, só coisas boas surgem em minha mente. As ruins e tristes não preciso recordar, a não ser aqui neste meu registro de amor e saudade de neta.


Adenda: Tive mais proximidade com meus avós maternos. Os paternos, só conheci minha avó que passou um tempo em nossa casa quando deixou a Bahia para nos visitar. Meu avô era falecido.
 
Djanira Luz

12 de jul. de 2012

TODA FEITA POESIA...


                                                                Imagem de Sandro Gomes

                                                    


TODA FEITA POESIA... 

Mirava o céu e o mar e acreditava que a poesia provinha do infinito azul que a enchia de suave paz. E se pousava os olhos sobre as flores do campo, também imaginava vir de lá todos os poemas. Mas quando a noite negra e linda pontilhava seu manto de cintilantes inúmeras estrelas, tendo como atriz principal a exuberante Lua, já lhe surgia nova certeza. Deveria ser lá, então, a morada da poesia! O céu à noite é tão inspirador! E no amanhecer, a luz aquecida do Sol, dourando as horas alegres de viver, punha-lhe dúvidas a real origem da poesia. Porém, quando seu coração disparou extasiado diante de todas essas visões, percebeu que não era no exterior que a poesia acontecia, mas no íntimo da sua alma! Compreendeu ali que era feita noventa e nove por cento poesia. Nesse momento descobriu-se plenamente POETA! 

(By Djanira Luz) 


6 de jul. de 2012

BELEZA POR UMA BOA CAUSA!



                   BELEZA POR UMA BOA CAUSA!


Quando Gisele Bündchen plantou uma árvore dias antes da abertura Rio+ 20, muita gente comentou que só porque ela ser famosa estavam evidenciando tal ato. E por que ela não fazia isso anonimamente sem holofotes? 


Não sou de entrar em conversas evasivas que não me levam e nem a ninguém a lugar algum, mas dessa vez tive que sair em defesa da bela! Ainda bem que a Gisele apareceu fazendo algo que poderia ser imitado por muitos! Todo artista ou profissional da mídia deveria ter o dever e se sentir na obrigação de incentivar boas atitudes. 


Depois da reportagem, pode apostar como milhares de meninas e meninos, senhores e senhoras encheram suas cidades com mudas diversas imitando o belo exemplo da bela modelo! Aliás, a beleza precisa ser maior do que os olhos conseguem ver. E a Gisele tem demonstrado bem isso: seus sentimentos e pensares parecem ser tão bonitos quanto a sua parte física. E pode apostar também que até eu plantarei uma árvore em homenagem a ela ter permitido uso da sua ilustre imagem para tão nobre ato!



Djanira Luz

Imagem: http://www1.folha.uol.com.br/

4 de jul. de 2012

AS LIÇÕES DO MEDO...



Imagem arquivo pessoal. Meus sobrinhos Ana Júlia e Davi.

AS LIÇÕES DO MEDO...


Sentou-se ao lado dele.
- Tenho medo.
- Medo de quê?
- Do escuro...
- Também tenho.
- Sentir medo junto fica menos escuro, não é?
- Quando estou com alguém perto de mim, nem ligo para o escuro!
- Segura minha mão?
- Hã!?
- Assim não sentiremos medo...
- Ah... Melhor então eu abraçar você... Pode?
- Pode. Estou tão assustada que meus olhos estão assim arregalados!
- Pronto. Está bem assim?
- Muito! A minha mãe diz que abraço cura muita coisa...
- Curou o medo?
- Sim. Estou me sentindo tão protegida.
- Eu também!
- Quantos anos você tem?
- Sete.
- Eu tenho seis até setembro.
- Daqui a dois meses você terá a minha idade...
- Por que você está aqui fora sozinho?
- Meu pai foi ao banheiro. E você?
- Alguém chamou minha mãe e ela entrou.
- Que andar você mora?
- Não moro aqui, vim na festa da Sarah! Você conhece?
- Ainda não. Tem só três dias que ela mudou para cá...
- É! Por isso os pais dela estão dando uma festa. Para comemorar a nova casa.
- Ah...
- Quer ir lá comigo?
- Não posso... Hoje é dia de ficar na casa do meu pai.
- Ele não mora aqui com você?
- Não... Preciso ir, meu pai está me chamando!
- Vou sentir medo se me deixar sozinha!
- Sentir medo juntos manda o escuro embora, lembra?
- Mas você vai embora...
- Pensa que estou ao seu lado... É o que eu vou fazer quando sentir medo. Vou me lembrar você.
- Você nem sabe meu nome!
- Mas nunca mais esquecerei o seu rosto...
- Meu nome é Mariana.
- É lindo, eu gostei do seu nome.
- E o seu, qual é?
- ...

O pai apressado fez o filho correr até o carro sem tempo para responder a pergunta. Mariana ficou sem saber o nome do menino que levara embora o medo do escuro.  No lugar do medo, porém, ficou uma sensação estranha em seu coraçãozinho que jamais havia sentido. Tanto Mariana quanto o menino, naquela noite tiveram as primeiras lições do que é sentir saudade...
- 
Djanira Luz

29 de jun. de 2012

SE NÃO FOR VOCÊ...


 

Imagem retirada da busca Google. Caso seja sua criação e não autorize postá-la, por favor, avise-me que retirarei imediatamente. Obrigada! 



SE NÃO FOR VOCÊ...


Abro emails. Tantos nomes, nenhum é o seu. Muitos convites e nada me atrai para ir aos encontros. Atendo o telefone, não é a sua voz. Muita conversa, pouca coisa me interessa. Na rua uma multidão indo e vindo. O seu rosto não vejo no meio dela. Olhos, bocas, passos, sorrisos e abraços em minha direção. Inúteis. Se não for você, não me importa! Ninguém consegue o bem que sua presença me traz. 
 
Djanira Luz

28 de jun. de 2012

E NENHUMA NOITE MAIS SEM VOCÊ!

Imagem arquivo pessoal - By Ana Catarina




E NENHUMA NOITE MAIS SEM VOCÊ! 

Não me fale das dores do mundo. Não quero saber. E de nada contrário ao róseo da aurora ou do branco Lírio da paz. Conte-me de cheiros! Seja do jasmim que desabrochara nesta manhã, da maçã mordida pela boca infantil ou do incenso de sândalo espalhando aromática fumaça pela sala. Diga-me, por favor, delicadezas... Como a mudez elegante da cigarra que silencia o canto para o inverno reinar. Do menino Vinícius embalado pelos avós felizes que só eles! Ou da irmã sorrindo do outro lado do mundo por ouvir vozes de Minas, onde mora sua saudade. Essa noite excluirei desenganos ou que não sejam amores, doçuras, abraços, coragens, beijos, carinhos, sorrisos, brindes, certezas e afagos. Por isso de todo bom sentimento cubro-me agora como alento da alma. Pois quando o céu fechar a cortina do entardecer e as estrelas surgirem felizes para o espetáculo noturno, com todas as letras, melodias e gestos, fixando-me em seus olhos lhe direi: - Essa noite e nos dias que se seguirão, eu não quero mais ficar sem você!


Djanira Luz

22 de jun. de 2012

IMPOSSÍVEL ESQUECER!



Imagem free para sites pessoais



IMPOSSÍVEL ESQUECER!


Quanto mais tento, menos consigo
e se do pensamento não me sai
imagine você nas minhas emoções
tomando posse, fazendo companhia
trazendo lembranças, avivando saudades
Por que garanto esquecer esse amor
se a certeza conseguir é jamais
De que adianta dizer até nunca mais
se é para sempre que lhe quero
É impossível evitar o que sinto
nem há como fugir dessa grandeza
Porque é no íntimo do meu coração
nas horas tantas, em dias esticados
você diuturnamente habita...
 
 
Djanira Luz

19 de jun. de 2012

SERÁ?




Imagem ARF autorizada do site Catequisar

SERÁ?


Suas mãos lembram
o toque das minhas
e a boca o gosto do meu beijo
A pele sente o calor da minha tez
e treme de saudade no vazio do peito
Os ouvidos guardam em si
o som do meu canto
que arrepia inteiro seu corpo
na recordação desse momento
onde a minha voz penetrou você
aninhando-se  no coração
Os olhos sentem a falta
da luz dos meus refletida nos seus
O amor é o mesmo
que nos fez fusão
um para sempre do outro
Será que a distância e o tempo
conservaram intactas
essas coisas tantas de nós dois?
Será?
 



 
Djanira Luz

12 de jun. de 2012

OLHOS DO MEDO!



                           Imagem arquivo pessoal.

                OLHOS DO MEDO!

Vi um vulto no quintal. Não identifiquei o sexo, mas pressenti ser masculino. Assustei-me e, por cautela fingi que não o via. Acho que ele fez o mesmo em relação mim. Ficamos imóveis e distantes nos olhando. Se real ou assombração, não consegui saber. Sei que parecia só espírito. Já eu era só corpo naquele momento. Pois minha alma, aquela infeliz, de medo fugira de mim. Deixando-me sem pernas para correr!
Djanira Luz

2 de jun. de 2012

PARA TUDO LHE DIREI SIM








Imagem belíssima do fotógrafo singular, Severino Silva Silva

PARA TUDO LHE DIREI SIM 

Eu digo sim para suas ausências. Eu digo sim para seu silêncio. Eu digo sim para sua indecisão. Eu digo sim para seus medos. Eu digo sim para sua distância. Eu digo sim para sua passividade. Eu digo sim para suas iras. Eu digo sim para suas revoltas. Eu digo sim para sua apatia. Eu digo sim para suas tempestades... É! Para tudo lhe direi sim porque entendo que o amor é compreensível. Amor quando muito, a gente espera. E eu sei que ele tem hora certa para desabrochar e acontecer em plenitude...
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