13 de jan. de 2012

HORA DO FIM...





Imagem do admirável fotógrafo Severino Silva

HORA DO FIM...


Tenho nos olhos o adeus
mas meus pés não sabem seguir em frente
Sinto o desejo de partir
mas o medo prende-me onde estou
Sei que é hora da despedida
mas há mil interrogações atrás dos muros
Vejo o fim nos meus dias sem brilho
mas penso menos em mim do que deveria
e aí vou carregando nos ombros felicidades de outros
enquanto a minha vai voando para longe de mim
no adeus da coragem que me falta...

12 de jan. de 2012

AS RUÍNAS DE NOVA FRIBURGO...

                                Imagem do amigo, o brilhante fotógrafo Severino Silva Silva, Jornal O DIA.


AS RUÍNAS DE NOVA FRIBURGO...

12/01/2012

Um ano se passou e, na verdade, parece que o velho ano continua aqui com seu corpo cansado e doentio. Sinto isso em cada rua que passo. Vejo a sombra de 2011 nos rasgos dos morros, nos montes de entulhos e nas estradas destruídas. Triste chegar a 2012 com a mesma roupa velha do ano passado na geografia da cidade!

Um ano se passou e nada de melhorias a não ser disfarces para “inglês ver”. Como se turistas fossem idiotas cegos desinformados. Vejo marcas e feridas nos rostos de gente de bem sofrida pelas perdas de parentes, de amigos, de vizinhos e de seus bens materiais. Gente maltratada pelo descaso das autoridades que nada fizeram e pouco se importam com a dor dos órfãos, das viúvas e dos viúvos, dos desabrigados. Até quem nada perdeu sofre em ver a cidade abandonada como está!

Nova Friburgo, lugar de ser feliz!? Sério? Acho que não mais. Ao menos por enquanto, não. Lugar sim, infelizmente, de gente preocupada e com medo. De gente com incertezas do amanhã e de como será o depois. De gente desacreditada em conversas e mais conversas. Gente querendo ver ações concretas em obras sendo feitas e finalizadas. Do contrário é melhor as autoridades investirem é no turismo das ruínas de Nova Friburgo, pois a cidade parece abandonada com seus restos de destruição por todos os lados...



Como ficou minha roupa na hora do desabamento da casa onde eu morava. Antiga residência do Olney Botelho, rua General Andrade Neves.




























8 de jan. de 2012

TRISTEZA DE FÉRIAS!

                                                          Imagem do amigo e brilhante fotógrafo SEVERINO SILVA

TRISTEZA DE FÉRIAS!

Nem tudo sonhado virou verdade. O que o desejo queria pouco foi realizado. Nem todas as vitórias foram minhas. Não sorri todas as alegrias. Nem dancei todas as músicas. A voz desafinou tantas notas e não cantei o melhor tom. Nem tudo saiu como esperado. Não obtive todas curas, nem me livrei dos perigos. Nem tudo foram milagres... Mas eu vivi intensamente o que me veio!

Não dividi as dores, mas partilhei minhas horas felizes e vi brotar risos em quem nem sabia sorrir! Não contei dos meus fracassos, mas espalhei minhas conquistas aos quatro cantos e animei quem já estava sem esperanças! Não mostrei minhas cicatrizes, mas publiquei minhas melhores imagens e olhos extasiados vibraram junto por tanta beleza! Não revelei as mágoas, mas demonstrei o perdão e vi perdões serem dados a partir do meu!

Os dias foram mais para lágrimas que para gargalhadas, mas eu preferi deixar a tristeza dentro da gaveta da memória bem trancada e abri portas e janelas para a felicidade entrar, mesmo que ela fosse assim passageira visita de médico. Quando o choro queria chegar amargando a boca e vida, eu engolia seco e pedia licença para a tristeza dizendo que o meu coração não combina muito com dor...

Nem tudo foi só alegria, mas ainda bem que tristeza tirava umas boas férias de mim!

6 de jan. de 2012

Obidel i clos-clos, prima Inês!



Imagem arquivo pessoal - 02/01/2012

Obidel i clos-clos, prima Inês!


Muita risada surge quando olho para trás dos meus dias e me lembro dela. A prima Inês. Era uma figura! Engraçada, uma porralokinha que só ela e mais ninguém neste mundo. Tinha uma lábia para inventar histórias e um talento para nos fazer acreditar em cada sílaba saída de seus lábios. Não era perfeita. Aprontou tantas e todas quanto pôde. No entanto, Inês era amada por muitos. Meus irmãos e, principalmente minhas irmãs e eu a amávamos uma quantidade. Ela nos seduzia com seu jeito fácil de inventar histórias e brincadeiras. Era mais que nossa prima, era nossa líder! Mais velha e mais esperta, era grande a admiração que tínhamos por ela que seus deslizes tornavam-se tão microscópicos às nossas críticas.

O que eu mais admirava na Inês, era o seu coração. Tinha um coração enorme! Vivia sorrindo e contando casos cômicos fazendo-nos rir com seu modo divertido de tornar as coisas mais engraçadas. Era também muito bondosa e despojada. Mesmo gostando de um objeto, doava-o para fazer feliz alguém triste ou doente.

Creio que minhas irmãs e eu nunca nos esqueceremos daquela linguagem que prima Inês inventara. Na mente dela, era uma nova a forma de falar outra língua, já que não sabíamos falar o Inglês. Então Inês nos ensinou a  falar assim:  “Obidel i clos-clos”. Com um detalhe importante, não podia simplesmente falar “obidel i clos-clos”, era preciso falar forçando a garganta. Por ser bem pequena, eu não conseguia falar tão bem quanto minhas irmãs de dez ou doze anos de idade, pois doída minha garganta. Não importava, eu falava do meu jeito pequena de ser!

Hoje a lembrança da Inês veio machucar meu coração. Enquanto a chuva caía sobre o solo, as lágrimas escorriam de mim. De repente aquela palavra estranha que a Inês inventara saiu da minha garganta fazendo-me rir.  Enquanto voltávamos de Minas contei esse episódio da minha história para meus filhos que não pararam de rir. Acho deve ser arte dela quando cai tanta chuva assim. E olhando para o céu, falei para Inês:

- É prima, você deve estar fazendo os anjos chorarem de rir aí em cima!

Prima Inês era assim, toda doida e toda alegria. Nem muito santa, nem toda certa, mas de um coração que não me cabe!

27 de dez. de 2011

GRANDES BESOUROS E OS SEUS PROBLEMAS...



As imagens desta página foram retiradas da busca Google, caso seja sua criação e não autorize postá-la, favor entrar em contato comigo que retirarei imediatamente. Obrigada!


GRANDES BESOUROS E OS SEUS PROBLEMAS...




Um besouro intrometido invadiu o quarto da Aninha que de um só pulo da cama foi parar na sala de assustada que ficou com o inseto a voar de um lado para o outro sobre sua cabeça.

Visto do alto, de asas abertas, o besouro parecia mesmo um bicho medonho e perigoso. Bastou que de tonto dos voos em círculos caísse no chão para que víssemos, na realidade, ele nem era tão grande e assustador assim!


Como o besouro que voava assustando a menina, são os nossos problemas. Quando medrosos e desesperados, enxergamos os problemas bem maiores do que são! Se mantivermos a serenidade,  a lucidez, tudo terá o tamanho do besouro caído no chão. O que faz os problemas gigantes, não são as situações, mas a proporção e importância que damos a eles.

Caso esteja passando por momento assim de besouros grandes, procure manter a calma e olhe novamente para ele. Certamente a tranquilidade fará com que veja o problema como algo controlável e bem menor do que o desespero mostrou ser.

Besouros grandes surgem a toda hora, sobretudo inesperadamente. O segredo é não aumentar o seu tamanho. Devemos enxergá-los como desafios a serem solucionados  e não obstáculos intransponíveis.

E o besouro que assustou a menina, acabou sendo motivo de risada! Aninha viu como foi ridículo sentir medo de um bichinho tão inofensivo.

Assim como o besouro, à primeira vista os problemas nos deixam inseguros como meninos e meninas. Quando observarmos os problemas com a serenidade e a madureza de homens e mulheres, aí encontraremos as soluções

22 de dez. de 2011

A ANÔNIMA E O ILUSTRE LEITOR...


A Anônima e o Ilustre Leitor
 

É chegada a hora do balanço final, pois é dezembro. Olhar para trás e pesar os momentos bons e os que me roubaram sorrisos. Este ano tem sido um grande aprendizado. Eventos fizeram-me enxergar a vida por outros prismas.

Por algum tempo acreditei que o calendário jamais sairia do dia 12 de janeiro.  As chuvas fortes em Nova Friburgo. Os estrondos perturbadores dos trovões. A claridade ininterrupta dos relâmpagos. O barulho apavorante do deslizamento de barreiras e das casas. Os gritos desesperados pedindo por socorro. O choro de dor e lamento ouvido por toda a cidade. Tudo isso parecia interminável. O que jamais imaginaria era que algo extraordinário aconteceria levando de mim toda a tristeza. De repente o lamaçal deu lugar a límpidas e mansas águas! E o riso foi seco pelo calor de um ser que, na verdade para mim,  é um verdadeiro anjo.

Quando comecei a postar meus textos na internet não imaginei da força que as palavras teriam, nem da distância que elas pudessem alcançar. Quando li aquele comentário em um dos meus contos, notei que algo diferente havia naquelas palavras. Havia peso. Havia história. Havia sentimento. Havia nostalgia. Havia, acima de tudo, verdade!

Como sempre faço os leitores que comentam meus textos, enviei e-mail agradecendo ao gentil comentário e o incentivo deixado para mim em elogios generosos. O leitor retornou o e-mail. Quis saber se eu era professora pela qualidade dos textos. Acabamos trocando telefones para a venda de um imóvel, já que lhe informei sobre a imobiliária.

Este ano em janeiro, quando a cidade de Nova Friburgo estava assolada pela tragédia da cidade, meu celular tocou. Do outro lado, uma voz emocionada, embargada, comemorou: “Minha autora está viva!”

Um tanto perdida e sem reconhecer a voz, não o identifiquei. Foi quando disse que era o leitor que fora professor dos netos de Vinícius de Moraes e Carlos Drumond de Andrade. Quem ficou emocionadíssima nessa hora fui eu! Um ilustre leitor importando-se com uma simples anônima! Não. Uma cidadão do bem cujo coração que não cabe neste mundo cruel, preocupado com seu semelhante. É! Era um anjo encantador que viera saber de mim e da minha família em momento de perigo e sofrimento.Deixando o medo, a preocupação com sua própria segurança, o ilustre leitor veio até a serra do Rio enfrentando intempérie, riscos e toda sorte de infortúnio, foi até onde eu me encontrava com seu carro abarrotado de suprimentos para me ajudar! Que lindo! Que generoso! Que raridade hoje em dia um ser de luz assim! Que sorte a minha de atrair com minhas letras olhares extraordinários!

Antes que minha família ou amigos pudessem vir em meu socorro, ele passou na frente de todos com admirável coragem e singular desejo em auxiliar esta anônima que aqui relata esta retrospectiva.
Além das provisões, o ilustre leitor fez consideráveis doações de eletrodomésticos. E eu fiquei com uma dívida de gratidão que nunca serei capaz de pagar por não haver dinheiro que pague ações de ouro! 

Uma pessoa me disse quando soube da generosidade desse benfeitor:

“- Nossa! Imagino se você fosse a J.K. Rowling, autora do Harry Potter! Seria coberta de ouro!”.

Na minha grandeza humilde de ver a vida, pensei comigo:

“- Que tola... Não sabe ela que eu sendo anônima recebendo toda essa atenção do meu ilustre leitor, me senti melhor do que uma Best Seller. A glória decerto era minha! Receber doações e agrados quando se é famosa, que vantagem tem?”

Este ano não poderia terminar sem meu agradecimento por esta janela mundial, através deste  ciberespaço. Obrigada, ilustre leitor! Sei que não quer ser identificado, mas saber que você lerá o que escrevi e saberá ser para você, agradecendo aqui do tamanho que merece, isso me basta!

O  comentário que o meu ilustre leitor fez há dois anos:“19/07/2009 22:09 -

Djanira Luz,Boa-noite!Parabéns grudados: pela foto dos poetas; pelo texto que acabo de ler - ... sonhos que resgatam histórias. Da foto, guardo o convívio próximo com Drumond e Vinícius, cujos netos foram meus alunos. De Mendes Campos, a presença em alguns encontros e de Quintana o prazer das leituras. Agora ficam na memória junto com você. Esse andar por aqui me dá muito prazer.

Para o texto: UM CONTO REAL DE SONHOS QUE RESGATAM HISTÓRIAS... (T1707276)”
 

 

8 de dez. de 2011

O BRILHO E A COR DA PURPURINA...

Imagem retiradado Blog http://nataliafamil.blogspot.com/, caso seja sua criação e não autorize postá-la, avise-me por favor, que retirarei imediatamente. Obrigada! 


O BRILHO E A COR DA PURPURINA...



Purpurinas! Muitas! Queria ser! Poder iluminar, enfeitar e alegrar a vida dos que estão opacos, incolores e sem brilho, com cores e luzes.

Pela manhã o Sol iluminar-me-ia e eu ficaria toda acesa multicolorida a irradiar sorrisos rosas, azuis, violetas, brancos, amarelos, lilases, dourados... Toda mistura bonita de tons eu distribuiria pela vida afora!

E quando chegasse a hora do Sol adormecer apagando de mim o brilho colorido, a Lua reacender-me-ia a luz com seu olhar apaixonado. Assim eu continuaria noite adentro transformando rostos tristes em faces alegres de quem acredita que esperança nunca morre feito luz que não se apaga dia e noite. Acesa do Sol ou acesa da Lua!

Em minúsculos coloridos que eu queria ser, grudar-me-ia no corpo de quem desejasse participar da minha felicidade iluminada. Na pele enfeitada, feliz de tanta beleza, todo ser coberto de mim, contagiaria seu próprio interior em ver tão lindo externo. Deste modo, luziria a alma deixando-a tão bonita e feliz feito as cores e o brilho da purpurina!

Queria ser! Muitas! Purpurinas brilhantes, alegres e lindas. Toda cheia de cor e luz! Iluminar e refletir no outro todo brilho de gente que é feliz e que muito ama! Refletir todo brilho da vida e todas as cores das pessoas...

21 de nov. de 2011

NÃO QUERO PALMAS!

                                                                                                     
                                            
  Imagem do arquivo pessoal.

    NÃO QUERO PALMAS!

 
Não gosto de palmas. Não! Gosto de palmas quando aplausos, sobretudo quando de parabéns pela nova vida que segue. E gosto de Palmas do Tocantins. Não gosto de palmas flores. Elas têm suas belezas e cores adoráveis, mas não para meu gosto.

Tudo tem uma explicação nesta vida, eu acho. E a minha é que meus avós moravam próximos a um cemitério, o Jardim da Saudade. Era lindo, bem cuidado. Não me causava medo. Até ia lá com minhas primas ver as flores do jardim e as gramas sempre verdinhas.  Já quando passavam carros com coroas de palmas era sinal de morte certa. E de morte da minha vida e das pessoas que eu amava, queria mais era distância. Daí essa proximidade de palmas com cemitérios em minhas lembranças! Foi algo que marcou uma época da vida, por isso tomei ojeriza da flor. Explicado!

Quando eu morrer, já deixo registrado, não me enviem palmas! Rosas amarelas e todas as variedades de cores dessa flor mandem aos montes que serão apreciadas ou de qualquer outra espécie da nossa rica flora.

Agora, se alguém me levar palmas, juro que me levantarei da urna funerária em protesto:

- Palmas, não! Palmas para mim, só aplausos!rs
 

 
Djanira Luz

18 de nov. de 2011

DESEJOS DE CARINHO...

                                             
                                             Imagem do meu arquivo pessoal.

DESEJOS DE CARINHO...

 
Hoje toco você através do vento que acaricia seu rosto e embaralha seus cabelos e meu abraço você poderá sentí-lo nas flores macias do seu jardim.

O Sol será meus lábios a lhe beijar quente com amor e carinho que lhe tenho. As estrelas, divertidas e sapecas, encherão seu dia de alegria com luzes cintilantes.

A Lua, misteriosa que só ela, lhe segredará o meu desejo de tantas luas passadas de tudo de bom e belo a vida toda para você!


 
 

8 de nov. de 2011

NÓ CEGO E GOSTOSURAS!


Imagem do arquivo pessoal- "Reproduzindo o passado".


NÓ CEGO E GOSTOSURAS!



Uma sacola de mercado bem fechada com um nó cego era a certeza de que dentro muitas gostosuras para minha tentação.  Parecia ouvir a voz dos meus pais: "Doce só depois das refeições, não mexam!" Vai dizer isso para mim que fui nascer com a curiosidade de um gato? Não era fácil desfazer os nós. Demorava um tempo bom. Ficava cansada e minhas unhas doíam.  Mas desistir, nem pensar!

Algumas vezes o conteúdo eram as balinhas formato de boneca ou Confeitos. Em outros momentos encontrava os deliciosos cigarrinhos de chocolate. E quando era Mirabel eu ficava toda feliz com a variedade de sabores que vinham nas caixas! Quando era pacote de balas, os sabores eram diversos: mel com recheio. Nossa que delícia! Côco queimado, cereja, Tutti Frutti
, pêra, morango, uva, damasco e canela.  Lá em casa só eu gostava das de canela, meus irmãos reclamavam da ardência na língua. Para mim acostumada com o ardor da pimenta desde os três anos de idade, bala de canela era refresco! 
E as balas Soft? O formato e a transparência me seduziam. Depois de quase morrer engasgada com uma bala Soft de caramelo não via mais graça nelas. Apavorava-me só de olhar! Aí eu comecei a questionar o motivo de terem criado uma bala redonda e escorregadia. Deveria ser para matar as crianças mesmo, pois ia direito para a garganta e ficava lá entalada deixando os pais desesperados!

Como temos um preço a pagar pela curiosidade e desobediência, meu dia haveria de chegar! Estava sobre a mesa mais uma vez, uma sacola com nó de gostosuras. Sem pensar em nada além do doce sabor, depois de tantas tentativas, desfiz o nós. É! Naquele dia, os doces estavam dentro de duas sacolas. Supresa! Não havia doce nenhum. Era uma lata de leite Ninho... Achei que papai havia posto os doces dentro da lata para ninguém mexer. E na minha cabeça de criança que muito imagina, imaginei ser algo delicioso para tanto segredo. Com a ajuda de uma colher abri a tampa da lata. Misericórida!!! Parecia haver mil demônios presos dentro dela e eu por descuido os libertara! O mau cheiro tomou conta da copa atraindo moscas para perto de mim. Dentro da lata vísceras de peixe e, pelo visto, estavam lá há mais de um dia. Aos poucos a cozinha foi ficando cheia também de gente. Meus irmãos, minha mãe e meu pai com sua cara enfezada. A coisa para mim ficou tão fedida quanto os restos mortais do peixe!

Ali todo mundo descobriu quem era a curiosa que abria a sacola antes das refeições. Bem feito para mim que aprendi a me conter depois daquele dia fétido, embora não comesse nada antes, somente gostava de ver o que estava à minha espera.

Levou-se tempo para sair o fedor da casa. Parecia impregnado em mim. O conteúdo da lata deveria ser gostosura sim para um gato de verdade, não para a mim, apenas uma menina curiosa...


Djanira Luz
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