7 de ago. de 2011

ANIMAIS SUICIDAS!


Imagem do meu arquivo pessoal – “Da horta”

ANIMAIS SUICIDAS!

Outro dia uma amiga reclamou que o filho com nove anos ainda se alimenta como um menino enjoado, pois não come nenhum vegetal. Nada que vem da horta entra em sua boca. Nem mesmo um tomate ou uma tenra folha de alface. E que fica de cabelos brancos de tanto forçar o filho em ao menos experimentar novos sabores. Frutas? Só poucas. Alguns anos passei pela mesma situação (e ainda passo).
Com doze anos, só consegui introduzir cenoura e alface ao cardápio seleto do meu filho. Bem, isso é o que crê! Escondida no feijão está a couve e nos sucos de uva tem beterraba. Até no strogonoff de frango que ele adora tem brócolis americano. Para cada torcida de nariz dele tem a minha astúcia em mascarar alimentos. Ah! Tenho que ter minhas técnicas, do contrário ele que ganha essa batalha!
Quando meu filho tinha uns seis anos e na casa da avó foi servido um cozido, aproveitei e coloquei em seu prato um pedaço de tudo que havia. Engraçado era ver sua careta a cada prova. A cara de nojo para o quiabo e o desprezo pelo jiló é memorável. Na hora me perguntou:
“- Mãe quem disse que essas coisas são para comer?"
Respondi que o homem descobriu o que se pode comer com os animais e pássaros. Se eles comiam, era seguro comer. Não satisfeito com a resposta, meu filho depois de “lavar” a boca com o suco, sustentou suas considerações:
"- Para comer essas coisas babentas horríves e amargas esses animais só podem ser suicidas!".
 Foi um dia bem divertido aquele!

4 de ago. de 2011

AMOR TODO SENTIDO!


Imagem do meu arquivo pessoal - A Pedra do Cão Sentado.



AMOR TODO SENTIDO!


 Se amor pudesse ser visualizado, seria algo grande assim feito a Pedra do Cão Sentado. Quem sabe o Morro do Pão de Açúcar? O Cristo Redentor com seus acolhedores braços abertos! Não importa a representação que eu use. Apenas sei que amor é sentimento imenso que ocupa de um polo ao outro do nosso corpo. Ele todo. Completamente.

Amor faz tremerem os sentimentos. Dança alma em êxtases. O espírito adquire e trepida luz própria, tão irradiante que é amar! Amor é dia de Sol onde sorrisos são vistos em rostos por todos os lados. E as horas ficam gostosas como a boca de criança lambuzada de sorvete de baunilha! Amor é festa todo instante. É também dia de inverno onde corpos desejam ficar agarradinhos aquecidos debaixo de lençois macios.

Amor é vida pulsando nos olhos a brilharem mostrando que tudo fica mais bonito quando a visão é a da pessoa amada.  Amor é achar o canto da vizinha até bonito, pois para quem ama, nada é feio porque se aprende a amar o outro inteiro. Mesmo que detalhes possam ser melhorados.

Amor é quando a gente ri só de pensar na pessoa amada ou em algo que foi dito e que só os dois podem entender. Amor é cura! Para os males da alma e da mente. Quiçá do corpo!

Amor todo é bom sentir em grande quantidade. Até mesmo a sua lembrança!


Djanira Luz

2 de ago. de 2011

FORA DE CASA...



Imagem do meu arquivo pessoal. By Ana Catarina Luz.


FORA DE CASA...


É a segunda vez que não me sinto em casa. Pudera! Duas vezes fui abortada do meu lar sem que estivesse preparada para sair de onde estava. Na primeira vez foi a violência humana dos bandidos que me pôs para fora. Agora, a força da Natureza.

O primeiro endereço que morei nesta cidade foi um apartamento e, apesar de ser amplo e lindo, não me senti em casa. Faltou algo por lá que não me acolheu. Depois quando encontrei  a casa do jeito, tipo que parece nos abraçar, eu me senti de volta para casa. Mas veio o tempo furioso e abalou a estrutura da casa e da minha vida. E nesta casa atual com tudo de bom que há e pela amizade que me trouxe até aqui, mesmo com tudo isso, não estou novamente em casa!

Sou levada a crer que essa sensação ultrapassa o estado da matéria. É algo espiritual. Na verdade tem que haver casamento entre casa e morador. E vejo que não ocorreu comigo. Incompatibilidade... O pior é que não se encontra casa na cidade depois das chuvas do último verão.

Gosto de Nova Friburgo, mas este lance de me sentir fora do ninho é desagradável. Parece que estou aqui de passagem ou dormindo e que a qualquer momento me vou embora ou desperto deste pesadelo.


“Quem casa quer casa”, pois é! Pode ser que a casa é que não queira nada comigo e fica me deixando assim, fora dela...  



30 de jul. de 2011

UM CURTA, UMA VIDA...


Amy Winehouse tira um cochilo na piscina do hotel em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, durante passagem pelo Brasil
Amy Winehouse é fotografada tirando um cochilo na piscina do hotel no Rio de Janeiro, durante passagem pelo Brasil.
 Imagem de Mastrangelo Reino/Folhapress Caso o autor da imagem não autorize a postagem , avise-me por favor, que retirarei imediatamente. Obrigada!



UM CURTA, UMA VIDA...



Desejei-lhe uma vida Longa Metragem quando ouvi seus primeiros vocalizes. Amei aquela voz. Algo em seu timbre tocava-me profundamente a alma. O destino, porém, pôs diante de si a fama de fenomenal tamanho abrindo-lhe caminhos para o mundo viciante das drogas e do álcool. Apesar do seu intenso brilho de Estrela, sua vida fora breve. Seus atos inconsequentes reduziram os seus dias num Curta.

  
Djanira Luz

20 de jul. de 2011

FATOS - PREVISÕES QUASE ACERTADAS!



Imagem do amigo fotógrafo Severino Silva do Jornal O DIA. O local destruído é onde estive no momento do desabamento na madrugada de 12 de janeiro de 2011, aos 45 anos de idade.

FATOS - PREVISÕES QUASE ACERTADAS!

Estava certíssimo  William Sheakespeare em sua espetacular obra Hamlet quando afrimou que “ há mais mistério sobre a Terra do que supõe nossa vã filosofia”.
Toda vez que me recordo daquela manhã feliz de dois mil e seis com meus filhos em que fazíamos o desjejum, penso que há mesmo muitos mistérios que desconhecemos. Aquilo que o caçula dissera deixou-me intrigada por anos:

"- Mãe, você vai morrer com quarenta e cinco anos!"
É verdade que levei um choque ao ouvir aquilo vindo do meu filho. Falávamos de coisas alegres.  Lembro-me ainda de estarmos elogiando o bolo de frutas que eu havia feito. Não havia por que falar de algo funesto!Em meu rosto ficou expresso a surpresa e o susto com a afirmação de sentença de morte com data marcada. Na mente, sombras de receios.  Morte!? O que tinha de morte com tanta vida naquele café da manhã?
Fiquei parada sem reação. Sabe aquelas cenas de desenho onde tudo fica imóvel quando algo surpreendente toma-nos de assalto? Foi assim o que me aconteceu. Foi como fiquei. Sem saber o que dizer ou reagir. O que mais me intrigou naquela hora, porém, foram as feições de pavor no rosto do meu filho. Assustado com o que dissera, afirmou:

"- Mãe, não era que eu ia dizer! Nem sei por que falei isso..."
Nessa hora achei que deveria me preocupar! Talvez meu filho tivesse tido um insight e na dobra do destino ter pressentido que algo me ocorreria nessa idade de quarenta e cinco anos.
Em dois mil e oito, dois anos após o ocorrido, sonhei com a morte e me lembrei das profecias do meu menino. Aproveitei e escrevi uma crônica a respeito www.recantodasletras.com.br/cronicas/1316939. Pelos comentários ninguém acreditava que eu precisasse dar importância as falas de uma criança de sete anos de idade. Eu, porém, tive minhas dúvidas.
Quando conversava com minha família ou amigos sobre isso, dizia que queria fazer quarenta e seis e não quarenta e cinco! E, por cautela, temendo que se concretizasse o que meu filho premeditou, preocupada com ele em se sentir culpado, dizia-lhe que a culpa não seria dele se eu morresse. E que ao invés de achar que era uma maldição a capacidade de prever algo, mesmo que o previsto não fosse coisa boa como a morte. Na verdade era um dom especial e que procurasse desenvolvê-lo quando estivesse maior de idade.
Depois da crônica relaxei. Parece que expondo temores ele se vai da gente ou fica mais suave. Acabei esquecendo-me disso. No entanto, algo pavoroso me faria lembrar para toda vida aquelas palavras ditas pelo meu filho na manhã de dois mil e seis. “Você vai morrer com quarenta e cinco anos”.
Uma semana antes das enchentes de janeiro deste ano em Nova Friburgo, meu filho com o pai assistia em nosso quarto o seriado Walk Dead (veja o título, uma ironia do destino). Ele acabou adormecendo em nossa cama. Parecia tão confortável lá que não quis tirá-lo do quarto. Fui dormir em seu quarto.
No manhã seguinte acordei e estranhei a casa. Não sabia onde estava. Acho por nunca ter dormido no quarto do meu filho. Senti-me fora de casa e só depois que despertei bem lembrei de ter dormindo lá. Como ainda era cedo, resolvi ficar mais um pouco na cama. Cobri-me novamente. Foi aí que senti uma pressão como que dois dedos deslizando sobre minhas costas, parando na metade da coluna. Acreditando ser meu filho, descobri a cabeça sorrindo. Qual surpresa e espanto! Não havia ninguém. Então olhei para baixo, imaginando que meu filho estivesse brincando comigo escondendo-se ao lado da cama. Não havia ninguém no quarto além de mim.
Levantei correndo. Fui até meu quarto. Vi que meu filho ainda dormia. Dirigi-me para o outro lado da casa, indo para o quarto da minha filha. Abri duas portas. A do escritório e a do quarto dela. Ela também dormia um sono bom. Retornei para a outra ala da casa. Vi que a porta que ia para a copa estava fechada. Abri a porta. A porta que ia da copa para a cozinha também fechada. Tornei a abrir. A porta que ia da cozinha para a escada na parte exterior da casa também estava fechada. Abri e perguntei ao meu marido, sem subir ao andar de cima, se ele havia me acordado. Resposta negativa. Respondeu-me estar um pouco mais de meia hora cuidando das nossas cadelas. Arrepiei-me. O corpo inteiro. E gritei para ele em tom de brincadeira, mas em meu interior acreditava no que havia sentido:
- Um anjo me tocou!
Meu marido riu e pelo jeito não me deu crédito, achando-me uma perfeita lunática!
O que aconteceu no dia doze de janeiro em Nova Friburgo, o desabamento da casa onde eu morava, há uma semana do meu aniversário do dia dezoito me fez repensar sobre os mistérios da vida.
Quando a casa começou a desabar na escura madrugada, acreditei não sobreviver. O barulho da morte era insuportavelmente assustador. Eu nem sei descrever direito o que senti naqueles minutos de agonia em que caíam pedras, lamas, grades sobre mim. Lembro-me de ter me encostado na porta do escritório. Ter posto o braço sobre a cabeça na tentativa inútil de me proteger. Foi tudo tão rápido. Tão de repente que só me vem lembranças em flashes. Apesar de todo desespero ao redor e por cima de mim, inacreditavelmente não tive medo. Era como se eu aceitasse a morte. Para mim, não havia mesmo saída. Pensei “vou morrer”.  Senti uma paz mesmo entre escombros. Tive a nítida sensação da presença de alguém junto a mim naquela hora. Não sei explicar. Mas soube sentir esta sensação na hora do terror. 
De repente, uma voz na minha mente dizia “olhe para o lado”. Não sei explicar. Não sei. Sei que obedeci e olhei. A visão que tive me fez entrar em pânico. O quarto da minha filha, com o pouco que pude ver sem luz. Iluminado apenas pelos tantos relâmpagos. Vi o quarto tomado de pedras enormes. Estava totalmente destruído.  Foi aí que reagi e comecei a gritar por meus filhos e, de repente, sem saber como, atravessei os escombros e cheguei até a sala. Até para socorrer estava difícil sem luz. Senti alguém me puxar pelo braço. Era meu marido com meus filhos. Sem ferimentos conseguimos sair para rua.
Hoje acredito. Sim! Havia alguém ao meu lado. Um anjo! O mesmo anjo que havia me tocado o dorso no quarto do meu filho. E quando me fez olhar para o lado na hora da tragédia, foi para que eu entendesse que ainda não era a minha hora de morrer. Eu precisava sair dali viva com meus filhos.
O mais interessante de todo esse fato, é que no dia doze de janeiro eu estava com quarenta e cinco anos! E quase morri com a idade que meu filho aos sete anos havia me dito. Dia dezoito de janeiro, abrigada na casa dos amigos Estrela e Rogério, celebrei a vida de quarenta e seis anos.

Passado o susto, agora até vejo graça na previsão. Costumo dizer que algum anjinho sapeca e linguarudo soprou no ouvido do meu filho um segredo divino. Então, Deus com seus mistérios, que não permite que sejam revelados planos futuros, decidiu mudar o rumo da minha história deixando-me mais um tempo por aqui.
E por aqui, cá estou nesta peça chamada vida terrena. Vivendo a cada dia um novo ato. Surpreendendo-me um pouco mais neste milagre de viver e reviver!rs
 Arquivo pessoal - Quarto da minha filha.


A roupa que eu usava na hora do desmoranamento da casa.

19 de jul. de 2011

FUGAS NAS FANTASIAS

Saudoso Cartola
Imagem do Blog do Acir Antão



FUGAS NAS FANTASIAS


Quando a Estação Primeira da Mangueira desfilava, o mesmo ritmo bum-bum-burum-bum-bum da bateria da Escola de Samba, batia feliz o meu coração.
Acho que meu amor pela Mangueira deu-se pela simpatia das cores e apreciação da fruta. De manga gosto muito e rosa toda menina adora. Depois tive a confirmação de ter escolhido certo a Escola de Samba para torcer quando ouvi Cartola cantar “as rosas não falam”. Justo no momento em que a poesia desabrochava em minha vida e me seduzia pela escrita.
 Sonhava em um dia desfilar com uma bonita fantasia. Seria toda rosa com detalhes verdes. O rosa todo brilho da alegria possível e o verde tão vivo quanto viva era minha esperança em desfilar pela Mangueira.
A poesia, porém, falou mais alto dentro em mim e, aos poucos, troquei as fantasias de Carnaval pelas vestes da imaginação. Lembro de ter criado um mundo todo encantado só meu. Era lá que me refugiava quando o real parecia feio e confuso com os problemas que os adultos criavam.
O mundo fantasiado era tão belo e confortável. Lá colori a alegria de rosa e não encontrei outra cor melhor para a esperança senão a verde mesmo. Podia me ver no futuro. Crescida. Feliz e realizada.
No meu mundo inventado tudo era bom sem as lembranças ruins do presente que vivia a fugir. Por isso amava a capacidade de fantasiar! O sofrimento era tão grande e real, diferente do que sonhei viver nos mágicos dias da infância. Com a imaginação tinha uma válvula que me permitia mascarar a tristeza.

18 de jul. de 2011

CONVERSA BEM TEMPERADA!


Imagem do Programa ChefTV, canal 17 da TVA, da Chef  Anna Elisa de Castro, cujo tema da abertura é o título acima. Caso o autor da imagem não autorize sua postagem, avise-me por favor que retirarei imediatamente. Obrigada!
CONVERSA BEM TEMPERADA!


 
Estavam com cara de cachorro carente, os dois sentados juntos no sofá. Um hipertenso, outro com níveis altíssimos de glicose no sangue. A mulher do hipertenso olhou para eles e espirituosa que é, sabendo da restrição alimentar imposta pelos médicos, disse para os amigos na sala de visitas:

- Olhem só para eles, os dois destemperados... Sem sal e sem açúcar!

O bom humor da mulher foi o tempero que melhorou o clima e o desânimo dos dois amigos. As feições preocupadas cederam lugar para boas gargalhadas. Depois disso, a conversa mudou de rumo deixando a reunião de amigos fluir bem agradável.

Na hora de irem para casa, a mulher divertida havia reservado mais uma gracinha de saideira. Antes de se despedir do diabético, quando ele ia lhe dar o beijo de boa noite, interrompeu-o alertando:

- Não! Você não pode me beijar porque eu sou muito meiga e doce! Seu açúcar vai aumentar muito!!!

Risada geral no ambiente. Foi uma noite muito animada onde o humor estava com os ingredientes certos sob medida para os amigos queridos.

15 de jul. de 2011

VISTOS NEGADOS! (HUMOR)



Imagem do amigo Severino Silva fotógrafo do Jornal O Dia

VISTOS NEGADOS! (HUMOR)



Os amigos comentavam da sorte que a mulher tivera sobrevivendo ao acidente.
- Sorte nada! Estou é com um danado complexo de rejeição! Não fui aceita em lugar nenhum...
Sem entender os queixumes da amiga, quiseram saber.
- Imaginem vocês que tive meu visto negado nas duas fronteiras da Terra. Achando-me merecedora do Céu, minha alma convencida dirigiu-se para as alturas na certeza de que era lá o seu lugar de descanso final. Qual foi minha surpresa quando o porteiro enviara-me o recado do seu Mestre e Senhor Nosso:
- Sinto muito, mas o Criador Nosso Deus, disse que a senhora não está preparada para adentrar esta tão casta morada. Sugiro que desça e siga para as profundezas do inferno. Veja se lá é o seu lugar.
E a mulher, orgulhosamente ofendida, achando-se melhor do que a opinião divina, sem poder protestar, obedeceu às recomendações celestiais. Abaixando degraus e murchando sua bola de vaidades, foi bater nas portas do capeta.
Ao ver a mulher na entrada do seu reino, o capeta pulou como que em cima de brasas. Aliás, brasa era todo inferno! Com sua voz estridente, vociferou:
- Deus me livre dessa mulher aqui dentro! A vida toda teve esse sorrisinho besta na cara e palavras de boba alegre. Desse jeito otimista que é vai querer fazer do meu inferno, um Paraíso! Credo em cruz! Vá de reto, mulher daqui!
Outra vez, tendo negada a entrada nas duas fronteiras entre o Céu e o inferno, a mulher recebeu a visita de um anjo que lhe tocou o dorso e avisou:
- Criatura de Deus, desperte! Diante da recusa de sua entrada na morada do inferno e tendo sido proibida de se juntar a nós no Lugar das Delícias, o Todo Poderoso permitiu que a senhora fique mais um pouco no plano terreno para que melhore no que precisa ser mudado em sua vida. Aproveite a oportunidade e vigie sua conduta para que mereça viver o descanso no Paraíso e não padecer nas agonias do inferno. Purifique-se. Harmonize-se.
Ao fim do seu relato, encarando os amigos, a mulher finalizou:
- Por isso sobrevivi, pois nem o céu nem o inferno me quiseram!
Os amigos riram com a espiritualidade da amiga e lhes disseram:
- Rejeitada coisa nenhuma! Para ter ficado aqui entre nós, ou precisa melhorar em alguma coisa como informaram lá nas Alturas ou você realizará algo importante neste mundo!
Mas quem lhe tira da mente o sentimento de rejeição!rs


Djanira Luz

14 de jul. de 2011

O MAIS MODERNO EQUIPAMENTO DE TODOS OS TEMPOS!



Escrevia sempre nas últimas páginas do caderno. Enquanto a professora corrigia algum colega de aula, aproveitava para deitar no papel uma criatividade que surgia da sua imaginação. E virava história.

Quando ganhou do pai a nova Remington, uma tristeza invadiu-lhe o coração. A intenção era de que a máquina de escrever lhe auxiliasse nos trabalhos escolares. Mas para ela era o fim de sua inspiração. Caderno e lápis eram seus colaboradores e confidentes. Os três conheciam cada letra nascida do ventre do lápis. Era através dele que conseguia pôr externamente as ideias da mente. Como conseguiria relatar em uma máquina as tantas fantasias desenhadas em seu interior?
Surpreendeu-se tempos depois em ver que novos textos surgiram mesmo sem seu lápis. A máquina tomara lugar do amigo lápis e com agilidade escrevia tantas letras fossem necessárias para infinitas histórias. Com direito a reticências, pontos e vírgulas!
Passaram-se anos, a tímida e criativa menina de ontem tornara-se jovem. Crescida, curiosa e falante já não tinha  dificuldade em manusear a máquina. Achava era uma beleza poder contar com o recurso da velha máquina de escrever.
Mas o tempo passa e com ele surgem novidades. Não foi diferente para a jovem que gostava das letras.  Com o voar dos anos, a jovem  deu lugar a mulher adulta. Responsável. Experiente. Bem, nem tanto experiente para as modernidades que surgiam no novo mundo. Outra vez deveria abrir mão da antiga máquina, assim com fizera com o lápis, para aquilo que revolucionaria sua vida – um computador!
Teve medo do novo.  Sentiu também o coração entristecido pelo abandono da máquina. E de novo, o medo de perder a habilidade com as palavras sem sua parceira datilográfica. Perderia sua inspiração! Não saberia criar sem a máquina. Como se adpatar ao novo instrumento? Aquele computador era Jornadas nas Estrelas demais comparado ao seu passado jurássico! Certamente secaria toda fonte da capacidade de criação.
Entre as incertezas das trocas, entre os receios do novo, a mulher finalmente descobriu que suas ideias não provinham do bom lápis, nem da antiga máquina de escrever, muito menos das multifunções de um computador. Elas vinham do mais perfeito e moderno equipamento de todos os tempos – o cérebro humano.


Djanira Luz

13 de jul. de 2011

SENTIMENTOS REPRIMIDOS...


Imagem do amigo fotógrafo Severino Silva do Jornal O DIA
 
SENTIMENTOS REPRIMIDOS...


Reprimir sentimentos nunca foi bom. Nem será.  Amor ou ira.  Prazer ou dor. Todos sentimentos precisam ser estimulados,  só desse jeito aprenderemos a controlar a intensidade seja da fúria, da tristeza ou da alegria.

Se evitarmos sentimentos que causem dor, se nos privarmos da alegria ou do amor, o corpo responderá de forma negativa. Desse jeito, se não chorarmos a perda de alguém querido ou mesmo de um animal estimado, vamos sufocando mágoas profundas no peito por termos oprimido a tristeza que deveria ter sido extravasada. Assim como se não nos permitirmos sentir a intensidade do amor, se o evitarmos colocando-o em algum canto da memória, sua lembrança ao invés de bem, só fará sofrer. Por isso, bonitos e dolorosos, devemos permitir que nosso corpo expresse-se integralmente com cada sentimento que venha ao nosso encontro diário.

Somos hábeis para enganar a qualquer pessoa sobre como nos sentimos. Mas somos incapazes de nos enganarmos . Lá dentro, onde ninguém penetra, há uma dor latente. Que fere e nos tira a paz. Bem no fundo da alma, aquela dor  surge por não estarmos ao lado de quem amamos, deixando-nos infelizes. Os dias transcorrem sem graça dando aquela interminável sensação de vazio e perda.

Sentir a dor momentânea ou a alegria em gotas diárias é melhor do que sufocar sentimentos. Se viver reprimindo sentimentos, uma hora você não irá suportar e a resposta virá nas doenças manifestadas em seu corpo. Por isso chore. Sorria. Prove. Expresse-se. Grite. Ire-se. Exorcize todos seus medos e fúrias e, acima de tudo, ame! Ame intensamente. Deliberadamente ame. Decida-se e se permita ser feliz com o mais belo e nobre dos sentimentos.

Liberte-se do temor em não sentir. Viver é ser capaz de provar intensamente todos os sentimentos. Então, esteja vivo! Sinta a vida!rs
 
Djanira Luz
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