5 de fev. de 2010

VIOLÊNCIA PARA EDUCAR!?


VIOLÊNCIA PARA EDUCAR!?

Aos oito anos de idade, a vida não sorriu farturas para João Batista. Na verdade, ele conhecera desde os primeiros anos, a feia face da pobreza.

Algumas vezes, pela carência de tudo, sobretudo da alimentação, antes de ir para escola via-se obrigado a ingerir no lugar do farto desjejum, um copo com água morna e açúcar. “Para enganar o estômago”, dizia consolando-lhe, a mãe. Tola ingenuidade imaginar ludibriar a fome.

Cansou das vezes que os pés enchiam de bolhas e cortes por não ter sapatos. Até para a aula precisava ir de pé no chão. Vida dura. Triste. Resignada.

No fim de tarde de mais um dia sem opções, no fundo do quintal, procurando talvez respostas para a miséria familiar, João Batista encontrou um ovo que a galinha do vizinho havia posto em seu quintal. Imaginou um presente. Talvez tenha passado em sua mentezinha pueril que poderia ser Deus atendendo umas das inúmeras preces chorosas da mãe sofrida.

Pegou o único ovo, como se fosse realmente o ovo de ouro da galinha encantada e chamou pela mãe:

- Mãe, achei um ovo! Frita ele pra mim?

O que o menino sequer imaginou foi a reação violenta da mãe. Começou a gritar, a chamá-lo de desonesto, que o ovo era do vizinho, que não teria filho ladrão! Zangada, ordenou ao menino que devolvesse o “roubo” no devido lugar. Enquanto caminhava obediente e choroso, João Batista sentiu um forte impacto atrás da cabeça, na altura das orelhas. Percebeu que escorria algo quente em sua nuca. Era sangue!

A mãe num ato impensado de fúria havia atirado uma leiteira que tinha em mãos na direção do menino atingindo-lhe numa área perigosa e delicada. Ao ver o sangue escorrendo, a mãe tomou consciência da violência estúpida investida no pequeno filho. Como o sangue escorria pelo corpo do menino, o remorso escorria corroendo a alma daquela mulher.

Não teve intenção de ferir o filho. Quis antes ensinar-lhe a ser honesto. Sem cultura, órfã, sem saber como agir, cometeu um grande erro que marcaria com uma cicatriz para a vida toda a cabeça do filho e a sua alma.

Contrariando suposições da família e amigos, o menino não cresceu revoltado, não se envolveu com o lado obscuro das drogas, não seguiu por sendas errantes. Cresceu honesto, bondoso, filho exemplar. Possuidor de um coração que não lhe cabe.

Passados os anos, um dia a mulher de João Batista acarinhando-lhe os cabelos, pergunta perto da sogra, sem saber da história de anos passados:

- O que é isso na sua cabeça?

Ele revela com graça para a mulher, sem qualquer vestígio de mágoa o triste fato - da miséria dos dias difícies e da ignorância da mãe, pois não soube agir adequadamente para educá-lo.

A sogra, num sorriso doído, sem jeito por recordar aquele momento que nunca conseguiu apagar, confessou:

- Como arrependo de ter feito aquilo, meu filho! Sofri todos esses anos. Se fosse hoje, além do ovo, eu mataria até uma galinha do vizinho para você não passar fome... Como fui ignorante, meu Deus!

Há quem ensine da pior maneira. Por ignorar o jeito certo de agir ou por estupidez de alma, por ser violento. Devemos ter cautela se quisermos criar bons filhos. Ensinar com brutalidade para que o filho não cometa erros não é o caminho mais sensato.

João Batista tornou-se um homem honesto e bondoso. Mas, nem todos os filhos são como João Batista que teve compaixão da mãe entendendo e perdoando seu ato infeliz.

Por isso, procure pensar bem antes de tomar decisões precipitadas. Educar com amor é sempre a melhor opção. Faça a escolha certa, viu?rs


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Djanira Luz

4 de fev. de 2010

COMO TORNAR-SE UM ÍDOLO!





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COMO TORNAR-SE UM ÍDOLO!

Se alguém sabe as respostas para esta questão, diga-me. Quem conhece a receita certa? Qual será o ingrediente secreto capaz de transformar uma simples anônima da noite para o dia em celebridade?

O que a moça do interior, a “caipirinha de Taubaté”, como a própria Hebe intitula-se, tinha para virar a amada Hebe Camargo? Depois que a apresentadora foi internada é que atentei mais para o seu sucesso. Fiquei encasquetando o que ela e outros têm diferentes de nós, meros mortais?

Será simpatia, carisma, irreverência, ousadia, amabilidade, talento, bom humor, sorte? Por que outras pessoas com as mesmas características ou até melhores e mais belas não fazem sucesso no mundo artístico? É justo este o ponto questionável! O “X” e o “Y” da controvérsia.

Se Fulana ou Cicrano têm todos os atributos das apresentadoras Hebe e Oprah ou dos cantores mega stars Beyoncé, Robbie Williams, Madonna, Ivete Sangalo, além da modelo Gisele, entre outros artistas, qual o segredo da fama, de serem admirados e queridos, ídolos das multidões?

Não sei a resposta sobre o certo para obtenção do glamour. Tenho uma visão do lado de cá, dos que colocam os famosos onde estão. Bem em frente aos holofotes.

No caso das apresentadoras Hebe e Oprah, penso que são duas mulheres que conquistam o público por serem simpáticas, por deixarem o telespectador com a sensação que estão numa conversa informal nas salas de suas casas. Este jeito natural de transmitir mensagens é acolhedor, por isso que muitas senhoras, homens e mesmo crianças falam da Hebe Camargo como se fosse uma grande e íntima conhecida. Nessa situação, o artista é tão carismático que começa a “fazer parte” da família de determinados telespectadores.

Agora, há fãs amantes alucinados por artistas que ostentam glamour. Quanto mais esnobe o ídolo, mais devoção ardorosa dos seus seguidores. Como no caso da Madonna e do cantor Robbie Willians. Penso que o fãs projetam seus sonhos na ousadia e brilho dos ídolos. Alguns gostam desses artistas por serem como eles na determinação, no jeito arrojado de agirem. Já outros, por serem justo seus opostos. Almejam imatá-los sendo – corajosos, superiores, poderosos como a ideia que os mega stars passam. Livre para fazer o que desejam sem importar com a opinião alheia! O que o simples indivíduo sonha em ser e não consegue, alegra-se parecendo ter empatia com a vida suntuosa do artista.

E, por fim, existe o fã mais centrado que admira, mas que não perde suas características naturais em função do ídolo. Este não adoto o artista ou o profissional como senda da família, nem se espelha em sua personalidade ou estilo de vida. Antes, aprecia seu trabalho com o desejo de ser como e não sê-lo. É o fá lúcido que não deixa envolver-se emocionalmente com o artista e nem permite que ele interfira em suas decisões ou gostos.

Bem, isto é o que percebi analisando diversificados grupos de fãs. Ah, se eu tenho um ídolo? Na verdade ela não está no topo da lista do estrelato. Não é o que chamaria de famosa, mas a admiro muito. É a jornalista Leda Nagle da TVE Brasil que comanda o programa Sem Censura. Assisto desde solteira, quando ainda nem era ela quem apresentava o programa. Gosto do Sem Censura por ser uma revista cultural onde abrange diversos temas interessantes. Como amo jornalismo já desejei ter um tiquinho do talento da Leda Nagle, pois o pouco do muito brilho que ela tem, basta-me.

Pensando bem sobre ser famoso, além do carisma, talento, bom humor, enfim, desta coletânea de atributos, aposto que tem o dedinho abençoado de Deus para fazer do anônimo um ídolo num estalar de dedos, não é?rs



Leda Nagle entrevistando Lima Duarte no Sem Censura.

3 de fev. de 2010

ALEGRIA EM FLOCOS DE ALGODÃO...




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ALEGRIA EM FLOCOS DE ALGODÃO...


Não é necessário tanto para me fazer feliz. Não ganhei prêmio milionário, nem uma gorda herança. Embora pequenas coisas que receba faça tanto efeito quanto um grande presente.

Para mim basta receber uma ligação de um amigo dizendo – “sinto saudades de você”-, também um e-mail escrito - "apareça para uma conversa, saudades" - ou um abraço desinteressado de um filho, um beijo da avó querida, uma bênção da mãe que está longe, uma piada da irmã que não tem tempo, até ouvir o companheiro de longos anos usar aquelas sete letrinhas diariamente como se fosse a primeira vez ao seu ouvido – “Eu te amo”-. Ou simplesmente perceber em pequenos gestos, algum detalhe mínimo, uma frase na entrelinha, uma meia palavra que diz tanto, essas coisas que irradiam luz no dia deixando as horas alegres e o coração todo bobo de saltitar o céu de estrelas cadentes bagunceiras.

Alegria não tem preço e nem hora. Também não sei dizê-la com exatidão. Só dou uma noção porque o bom de ser feliz é sentir assim. Sem motivos grandes, sem esperá-la. E, ainda que seja transitória, que me venha vez em quando para levantar a alma, verdejando esperança na vida, no coração que não cansa de acreditar em dias azuis da cor do mar.

Hoje meu sorriso tem o tamanho do céu e mais além. Alcança estrelas, beija o mar, desliza no arco-íris e faz ciranda na curva do vento. Nossa! Sinto que minha alma está leve e parece dançar. Mal consigo terminar o texto! Descubro que a alegria é inquieta. Sim! Feito menino travesso que não para quieto, pois não pode perder nenhum sopro dos bons momentos fugidios.

Ah, seu eu pudesse escrever o que agora sinto, haveria de pôr sorrisos em cada rosto e fazer com que provassem do que tento, mas não sei dizer! Só sei ser feliz, não ouso descrever com minhas letras. Este talento é só para grandes almas. Sou apenas caminhante, uma aprendiz em definir sentimentos.

Enfim, em dias assim que estou vazando de felicidade chego achar que ofensas são fofos flocos de algodão onde posso me deitar e rolar abraçada a eles. E palavras feias são coloridas e macias jujubas. Fáceis e saborosas de serem digeridas. Desprezos são vidraças tão limpas que não as vejo, só as lindas flores do jardim através delas.

Não, eu não perco o juízo se fico tão feliz como estou neste momento. É que se estou flutuando em sorrisos não vejo erros, pois tudo fica assim tão bom!rs


Djanira Luz

COISAS DO INTERIOR...


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COISAS DO INTERIOR...


Semana passada voltava sozinha de uma viagem, dentro do ônibus via como a lua estava linda. Parecia cheia de vida. Sabe quando estamos apaixonados e sentimos que temos luz própria de tão iluminado fica o coração? Então! Deste jeito a Lua se exibia incrivelmente bela.

De repente ouço uma voz melodiosa, calma com um sotaque característico:

“- Oi, vó sou eu, fulana. Uai, não está reconhecendo a minha voz? Feliz Ano Novo. Quase um mêiss”. A jovem riu com aquela risada de felicidade e graça contagiando-me com sua alegria. Era dia vinte e nove de janeiro, por isso o motivo do riso. Imaginei que a avó havia perguntado pela vida na cidade grande, a jovem respondeu:

“- Tá bom demaiss, graças a Deuss”. Pelos uais e esticadas nas palavras, identifiquei-a como mineira. Logo em seguida ela mesmo foi dizendo coisas confirmando minhas certezas. Era inevitável não ouví-la. Parecia não se importar com os demais passageiros. E falava da família e ria e mais falava.

Havia ligado para falar sobre a festa de seu aniversário e da mãe. Na verdade a ligação foi para convidar a família a irem ao aniversário que irá acontecer no dia seis de fevereiro, sábado próximo.

Do outro ladao do ônibus, ouvia, absorvia a conversa e me vi rindo, sentindo-me feliz pela felicidade daquela jovem de voz suave e risada gostosa de quem realmente está alegre.

Pude contar cinco ligações para parentes. Ligava e pedia que avisassem aos outros familiares. Dizia que seria a festa do ano, com direito a bandas – de rock e MPB. Entre risadas e saudades, a jovem parecia tão amável com os parentes. Achei lindo aquilo. Foi o que me manteve atenta aquela conversa.

Enquanto falava, falava e ria ao celular, eu pedia a Deus que abençoasse a vida dela e que a festa seja um dia repleto de alegrias. Tudo saia melhor que o esperado. Depois de ter feito minha prece, ri sozinha porque havia feito uma oração para quem nunca vi, sequer conheço! A quem nem vi a face. Era uma voz e algumas falas que revelavam um pouco daquele coração e isto foi suficiente para desejar o bem e a felicidade a ela e a alguém mesmo não conhecendo ou estando próximo a mim.

E assim são aqueles que vêm para a cidade grande ou para outras cidades para trabalhar. Mesmo no corre-corre diário não esquecem a família e os amigos do interior. Não só do interior do estado ou do país, mas sim, daqueles que vivem no interior do coração.

Não pude ver seu rosto, quando desceu vi que era jovem, tinha os cabelos longos e cacheados. Durante as coversas usou os nomes Fernanda e Letícia. Não sei se dizia Fernanda ou Letícia para se indenfificar ou era a pessoa a quem se dirigia.

Bem, para a jovem que desceu em frente ao Hotel Bucsky‎ aqui na cidade, a
gradeço pela lição de amor e família que deu, sem mesmo desconfiar. E assim como desejo sucesso com a festa, tenha sempre motivos para sorrir, sonhar e ser feliz todo o dia ao lado dos que ama.

E você leitor também, viu? Seja feliz todo dia, ao menos um pouquinho!rs




Djanira Luz

31 de jan. de 2010

A FORÇA QUE ME ERGUE!



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A FORÇA QUE ME ERGUE!


Tem horas que o coração sangra tão forte dando a impressão que a dor faz-se física. Um aborrecimento, uma despedida, um plano que não saiu de acordo como imaginado, uma palavra proferida ou ouvida - sem pensar ou inesperada-, uma atitude intempestiva que nos corroi o âmago em arrependimentos. Em suma, tudo aquilo que fazemos ou deixamos de fazer, aquilo que dizemos demais ou covardemente calamos, todas as vezes que nos omitimos ou fingimos não ver, são sentimentos que vão espremendo o coração até torná-lo um bagaço enchendo-nos do vazio do nada sem vida. Finalmente descobrimo-nos ermos e errantes sem sentido ou motivos para viver. Temos a sensação de que somos lixos, sobras rejeitadas. Qualquer coisa estragada ou sem valor. Todos os maus pensamentos cobrem a mente com névoa destruidora de ideias positivas.

Transformamo-nos em imenso deserto onde os bons sentimentos partiram para longe de nós. Nessas horas precisamos resgatar o pouco do sumo que sobrou no coração. Fazer uma busca interior, tentar preencher a alma com bons pensamentos, harmonizar o interno com pitadas de coragem para que saibamos muitas vezes só diante de grande dor, de ausência da luz, da alegria é que vamos descobrir a força da fé, da esperança, do renascimento.

Feito semente que morre para crescer árvore forte, assim somos nós. Precisamos deixar morrer o sentimento pequeno e maculado para crescermos em alegria e beleza, em coragem e sabedoria, em graça e luz.

Nem todo dia será luz. Por isso devemos conservar a fé para que não fiquemos eternamente na escuridão. Nem todo dia será alegria. É preciso conservar o sorriso para que lágrimas não cubram a face em dor. Nem todo dia será de ganhos. É importante, então, conservamos a esperança para que acreditemos que amanhã poderemos recomeçar livres dos erros, das perdas ou danos.

E assim tenho feito! Entre tombos e assombros, continuo sorrindo e confiante. Deus é muito mais poderoso que o mundo tenta, em vão, diminuí-lo. Por isso só nEle creio. E espero. E sou feliz. Ele é a força que me ergue!



Djanira Luz

27 de jan. de 2010

VOCÊ ESTÁ PREPARADO PARA A LIBERDADE?


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VOCÊ ESTÁ PREPARADO PARA A LIBERDADE?


Chega uma hora em que todo adolescente manifesta o desejo de querer sair sozinho, distante da companhia dos pais. Comigo não haveria de ser diferente. Aos doze anos minha filha pediu para ir sozinha ao colégio e alguns lugares.

O meu filho de dez anos vendo a irmã, também quis ir a padaria sozinho quando sentisse vontade de um sorvete ou comprar qualquer outra besteirinha. Como a padaria fica próximo de casa, permiti. Foi duas vezes para não querer ir mais. É que outro dia ele assistiu uma reportagem sobre crianças e adolescentes desaparecidos. Uma mãe relatou que a filha havia ido a padaria comprar pães e nunca mais voltou para casa. Havia sido levada por um homem. Depois disso meu filho disse:

“- Mãe, eu não quero mais sair sozinho. Não estou preparado para essa liberdade.”

Achei maduro o pensamento, a atitude e a ciência dele em saber não estar preparado para a liberdade. Para se ter liberdade é preciso ter responsabilidade. Ainda que uma liberdade limitada como concedi a minha filha. Para alguns lugares e determinados horários.

Hoje pensando no que meu filho disse, lembrei-me de uma amiga quando resolveu morar sozinha logo que se formou advogada. Quando estava prestes a sair da casa dos pais confessou-me o medo da liberdade que teria. Dali em diante toda responsabilidade seria só dela. Acho que como meu filho, ela ainda não estava preparada para a liberdade.

Outro amigo imaginou que o divórcio lhe daria de volta a liberdade que pensou ter perdido com o casamento. Foi tanta insegurança que adiou a conversa com a mulher e decidiu apostar mais uma vez na relação, pois no fundo, temia a liberdade. Intimamente sabia que sendo livre poderia cometer os mesmos erros dos amigos divorciados. Voltar para vida boêmia, para a night, voltar a beber e, consequentemente, aquela liberdade o aprisionaria a uma triste rotina de vícios e relações desregradas.

Depois de duas semanas de empolgação de ser livre, minha filha admitiu não gostar de sair sozinha. Volta e meia convida-me para ir junto. Nem sempre posso acompanhá-la, entretanto, incentivo para que saia, que não deixe de ir.

Agora, se eu a proibisse de sair sozinha, certamente que minha filha ficaria revoltada, agressiva. Como dei consentimento, por si só viu que essa tal liberdade fora de época não é tão boa quanto se vendem por aí.

Coloca-se sal na carne para conservá-la. Fazem assim com a carne seca. Com meus filhos dá vontade de pôr uma pitada de sal em suas bocas para que preservem seus pensamentos. Conscientes, responsáveis, sabendo que liberdade sem juízo é prejudicial. Mas, como não são carnes, eu os salgo com minhas bênçãos, pedindo ao bom Deus que os conservem assim.

Diga-me, você sabe lidar com sua liberdade ou acha que ainda não está preparado para ela?rs





Djanira Luz

25 de jan. de 2010

ASAS DA LIBERDADE...(FOTOpoema)



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ASAS DA LIBERDADE...(FOTOpoema)


Antes, solitária no escuro
Inerte, aprisionada no casulo
Agora, refletindo luminosidade
Com asas da sonhada liberdade.

Antes, na dor da transformação
Sofrendo dias de total reclusão
Agora, coloriu-a de Sol, a aquarela
Virou a linda borboletinha amarela

Antes, o tempo cruel a trancafiou
Agora, pousa livre sobre a flor
Num mundo de cores e beleza
Feliz voa admirando a natureza.

Ontem, andei presa ao passado
Carregando nos ombros um fardo
Hoje, feito borboleta "metamorfoseei"
Voo livre pelos caminhos que sonhei...







Djanira Luz

CRÔNICA PARA OS SEMEADORES DA TERRA...



Córrego Dantas - Duas Barras (Foto do meu arquivo pessoal)

CRÔNICA PARA OS SEMEADORES DA TERRA...



Se a situação não melhorar logo voltaremos ao tempo em que cada quintal havia uma horta para consumo próprio da família.

Estive em Córrego Dantas, município de Duas Barras visitando uma família que considero extensão da minha, tamanho o carinho que lhes tenho. Nas andanças por lá pude perceber a escassez de mão-de-obra nas lavouras.

Quase ninguém mais quer trabalhar com o plantio. São raras as pessoas que plantam pelo prazer de ser lavrador. Alguns ainda preservam a profissão por falta de opções de trabalho ou por não saberem executar outras tarefas.

Uma coisa é fato, não é fácil ser lavrador. É trabalho braçal diário. Cansativo. Não pode descuidar um minuto, senão corre-se o risco ter uma colheita ruim. Em algumas fazendas, apenas um ou dois da família permanecem trabalhando no plantio, na colheita e manutenção das terras. A maioria dos filhos parte para a cidade ou Capital para estudar ou trabalhar em outras áreas.

É por isso digo que vai chegar a hora de sermos compelidos a plantar nossas próprias lavouras. Quase nenhum filho quer continuar com a dura lida da família. A modernidade, o progresso e as diversas ofertas de empregos, atraem bem mais porque o trabalho da empresa, do comércio ou mesmo o trabalho autônomo não é tão desgastante quanto se trabalhar na roça.

O emprego formal ou informal garante direito a férias, descanso e não diuturnamente como é o trabalho na lavoura. Se formal, carteira assinada, tem suas folgas e merecidas férias. Se informal, você sendo patrão, escolhe o melhor momento para gozar férias ou tirar uns dias livres para folgar. Bem diferente do trabalho braçal que não tem férias, feriado, dias festivos. Nada. Pelo menos um trabalhador precisará abrir mão do lazer para ficar de plantão cuidando da plantação.

Fico pensando que essa dificuldade em se ter escolas próximas às nas zonas agrícolas possa ser mesmo proposital para obrigar os filhos dos lavradores e dos colonos a continuarem com os serviços braçais de seus descendentes. Note bem nos tantos cidadãos que desistiram de estudar pela dificuldade de chegar ao colégio. Difícil pela distância da zona rural e difícil pelas estradas ruins para se chegar a cidade onde há oportunidades de estudos do ensino médio ao universitário.

Acontece que com a modernização, com a tecnologia, com o "boom" de informações, os filhos dos lavradores já não querem trilhar pelos mesmos árduos caminhos dos pais e saem em busca de dias melhores e menos cansativos.

Penso que o Governo precisa olhar com generosa atenção para todos os abençoados plantadores do nosso imenso Brasil dando-lhes apoio, recursos e incentivos para não desistam desta abençoado trabalho. São eles, os lavradores, que acordam antes do Sol apontar, que trabalham sob Sol à pino, incansavelmente para o sustento da sua família, para que não lhes falte o pão de cada dia, nem o nosso.

Através das mãos calejadas é que nos chegam o trigo para o pão quentinho, a batata para o desejado lanche do Mac Donald’s, o manjericão que dá o toque especial as mais variadas e deliciosas pizzas do país, entre outros benditos frutos da nossa santa terra.

Que o pequeno produtor rural não desista de plantar, de colher e de partilhar o bem que brota da terra através do suor de seu rosto, das suas mãos generosas e calejadas. E que todos os lavradores honestos tenham apoio dos governantes para que nunca desanimem do edificante trabalho que executam.

E que Deus abençoe ricamente suas terras com fartas e extraordinárias colheitas.


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Djanira Luz

23 de jan. de 2010

A MULHER QUE MENTIA...




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A MULHER QUE MENTIA...


Perdera a conta das vezes que juntava palavras mesmo sabendo que nenhuma delas seriam verdadeiras. Tentava convencer-se não ser amor o sentimento gigante e sincero em sua vida. Era amor. Era fato, mas ela vivia mentindo. Na verdade, fugia. Talvez fosse a forma de suportar as ausências, a saudade, o inevitável rompimento.

- Era ilusão minha, bobagem! Eu nem gostava tanto dele assim. Fogo de palha! Coisa de mulher boboca apaixonada, só isso...

Era o que dizia. Procurava convencer os ouvintes de suas falas. No fundo, tentava convencer a si mesma. Queria provar o fim do amor sentido. Considero-a mulher mais mentirosa que cruzou meu caminho. Aliás, uma péssima mentirosa!

Há quem minta e nos convença de serem verdades suas falsas palavras. Ela não! Em seus olhos havia amor. Muito. Toda vez que se referia a ele, algo raras vezes visto, pude ver no olhar da mulher que mentia dizendo não mais amar. Será que não percebe que a boca fala, porém, o coração é quem coordena e, se a alma for sincera, nem adianta encenar outros sentimentos se não os verdadeiros? Por muito tempo, com todo jeito, tentei mostrar-lhe as mentiras que dizia. Relutou, envergonhou-se, por fim admitiu:

- Sim, eu minto. Aliás, tento. Só eu sei o quanto amo aquele homem... Só eu sei tanto que ele está presente aqui no coração. Vivas estão as memórias na mente, em cada detalhe, cada gesto dele. Nenhuma palavra esqueci-me do que foi dito. Dele para mim e de mim para ele. É incrível como tudo vivido é tão atual, tão hoje, tão agora, percebe?

Naquele instante, onde o coração abria-se em verdades, eu era única testemunha a ouvir as confissões da mulher. Sem mais enganos, a graça daquele amor, externou-se emprestando à mulher uma beleza singular. Desejei amar como ela. Na verdade, quis sê-la. Poder provar das delícias que só quem muito ama sabe sentir. Eram tão intensas as descrições da mulher que foram capazes de transferirem para meu corpo todas as suas emoções. Era como se eu estivesse lendo livro, absorvendo a história, interagindo, fazendo parte dela. É! Foi justo o que senti. A sinceridade do relato tornava tudo tão belo. A verdade é intensa, toca-nos a alma. Com um sorriso que dizia bem mais que qualquer discurso, a mulher prosseguiu:

- Sabe como amo meu querido? Como nunca imaginei sentir amor. Estando distantes um do outro, ainda assim o sinto. Bem aqui ao meu lado. Seu cheiro. O gosto do beijo. O toque das nossas mãos entrelaçadas. Amor não passa, menina! Se passar, se forem embora as lembranças, as emoções e todo sentir de quando juntos dois apaixonados, não era amor. Gosto tanto dele. Beijo suas fotografias e sei que ele recebe em seus lábios os meus nessa hora. Teletransporto-me para diante dele, numa viagem mágica que só meu coração cheio carinho é capaz desse feito. Você acredita nisso? – Riu um tanto sem jeito. Pelo gesto expressado temia ser considerada insana ou infantil.

Havia algo realmente pueril naquelas palavras. E era isso que tornava a revelação ainda mais encantadora. Amor tem de ser puro para ser verdadeiro. Acreditar nela? Eu não ouso duvidar de quem ama muito! Uma admiração sem igual crescia em mim por aquela mulher. Aliás, por ela e pela história de amor que ia sendo desenhada ricamente em detalhes singelos. E lhe respondi:

- Aumenta minha admiração por você quanto mais sei desse amor. Além da minha afeição, tem meu respeito por sua história e se me permitir, assim que estiver boa das letras, quero dizer, souber escrever contos, pretendo transformar o amor que sente, em meu primeiro romance de amor. Concorda?

Pondo suas duas mãos sobre o rosto, cobrindo os lábios, deixando apenas os olhos à mostra, num misto de espanto e alegria, respondeu-me:

- Se for para divulgar o amor, se servir para que outros entendam o significado e a importância de amar intensamente e para ninguém tentar enganar-se, mentindo não amar como eu andei fazendo. Claro que sim! Promova o amor, o mundo carece deste sentimento.

Satisfeita com aprovação da mulher, dei-lhe um afetuoso abraço e segui meu destino. Ela permaneceu ainda por alguns momentos sentada no banco da praça. Parecia querer saborear aquele momento em que havia desprendido das mentiras em renegar o amor. Já não se enganava, pois do amor não há como escapar, muito menos fingir que nada sente. Amor é a verdade de duas vidas que assumem fundir-se numa mesma estrada.

Foi esta a lição aprendida que trago comigo. Mais do que o aprendizado de assumir o que sentimos, foi o de conhecer a felicidade de se viver uma linda história de amor. Um dia ainda escrevo romance sobre esse amor...



Djanira Luz

22 de jan. de 2010

OUSADA SINFONIA...(FOTOpoema)




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OUSADA SINFONIA...(FOTOpoema)

Encostada ao violoncelo
Sonho contigo, te quero
Alma e tez totalmente nuas
Desejando que me possuas...
Como tu tocas o instrumento
Apalpa-me neste momento
Rege-me o corpo sobre cama
Em concerto de paixão que inflama.




Djanira Luz
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