15 de ago. de 2009

TRAIÇÃO!


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TRAIÇÃO!




Olho para trás e vejo na minha vida que não traí nenhum amigo. Quero continuar seguindo olhando para trás livre desse peso...






Djanira Luz

14 de ago. de 2009

AQUI CHEGUEI, CRIEI RAÍZES...


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AQUI CHEGUEI, CRIEI RAÍZES...

Vim do outro lado do oceano em busca de uma nova terra, um novo lar, uma nova vida, novas esperanças...

O clima tropical contrastou com a neve que tinha na memória desde meus tempos de menino. Estranhei, chorei, tive medo. Era homem, mas só por fora. A dor, a perda, a distância da pátria-mãe não me fez forte. Fez-me frágil, saudoso e cheio de receios. Haveria de superar. Aliás, tinha por obrigação. Minha família ficara no meu país de origem com a mesma saudade que trazia em meu peito.

Para ter ânimo ficava pensando: juntar-me-ei aos colonos, vou plantar. O que der. O que a terra abençoar. Irei plantar sementes e junto, os desejos secretos do meu coração que só eu mesmo conheço. Hei de vê-los brotar: frutos e sonhos.

E de novo, poder ter em meus braços a minha amada, a delicada presença amiga que torna minha caminhada mais fácil e branda. E nossos filhos queridos, a soma de nós dois. Darei a eles manhãs sorridentes de Sol; tardes com a algazarra dos pardais e noites serenas iluminadas, pingadas de olhares cintilantes das luzinhas das estrelas.

Passaram-se os anos e agora eu me vejo aqui, numa terra distante, num país estranho que se tornou minha paixão e que hoje é meu. É minha vida, minha terra, meu chão, meu berço. Sou seu, pertenço a você, Brasil!

Um brinde à terra generosa que me retribuiu com frutos, flores, cores, sabores, beleza, música, amizade, encanto, um canto, um lar. Sonho realizado!

Hoje, depois de tudo que passei e conquistei, sei que tenho uma dívida enorme de gratidão. Não quero mais voltar para o meu país, já me sinto em casa.

Sou como aquela primeira árvore que plantei. Aqui cheguei, criei raízes...


***


PARA OS COLONOS DE TODOS OS LUGARES DO MUNDO QUE VIVEM NO BRASIL, O MEU CARINHO, RESPEITO E HOMENAGEM!


Djanira Luz

O FINAL DO ÚLTIMO ENCONTRO...


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O FINAL DO ÚLTIMO ENCONTRO...


(Continuação do conto - O ÚLTIMO ENCONTRO)


Alguns dias depois Anne recebeu uma ligação dele dizendo que aceitava sim aquele último encontro, onde ambos deveriam devolver os sentimentos, cheiros, gostos e a lembrança do que ficou do outro em si. Seria um encontro formal, rápido, poucas ou nenhuma palavra. Um abraço, talvez, para devolver o calor dos corpos tocados com carinhos nos dias onde o amor fizera dos dois, uma só carne.

Ambos acreditavam que seria fácil, coisa assim como quem devolve uma roupa que provou. Compra-se, porém, depois de uma análise mais detalhada no espelho, vê que não lhe caiu bem. Acontece que estamos falando de amor e nada pode ser comparado a esse nobre sentimento. As roupas podemos descartar, fazer a troca com naturalidade. Amor não! Amor quando forte como o que viveram não se desfaz com a facilidade imaginada por eles.

Escolheram o mesmo local do primeiro encontro na tentativa de apagar desde o início toda a boa lembrança para que não restassem resquícios do grande amor entre os dois.

Sempre pontual, Anne aguardava por ele no charmoso Blue Coffe Cyber Café. Ensaiou várias falas formais para não se perder no momento do adeus. Estava segura apesar do coração estar acelerado e sentindo no corpo um leve tremor. Como estava frio, usou o clima como desculpas para aquelas sensações. De longe o avistou. O mesmo jeito de sempre de caminhar, a maneira de se vestir e à medida que se aproximava, Anne ia sentindo aquele conhecido aroma sedutor e presença em belos momentos.

A visão dele dosada com o seu perfume fez com que Anne ficasse receosa e vulnerável com as lembranças. As boas e adoráveis recordações.

Ao vê-la, ele reconheceu que não seria fácil o adeus, pois sentiu o quanto de amor trazia em seus olhos, em sua boca, em suas mãos, no corpo e na mente por ela. Aliás, os cinco sentidos dele, eram dela e desejavam-na. Ele constatou que nunca antes sentira tanto amor assim por nenhuma outra mulher.

Diante da Anne não foi possível dizer nada. Ficou imóvel como se o tempo tivesse parado para ficar contemplando sua amada. No fundo da sua alma tinha plena convicção de que ela era sua mulher e seu grande amor. Sabia que ali não seria o último encontro, mas o reencontro do amor do qual nunca deveria ter se distanciado.

Estendendo-lhe as duas mãos, sem nada dizer, a não ser pelo olhar que pedia para que Anne pousasse as suas sobre as deles. E, ela que aprendera a ler nos olhos, nas expressões do rosto, nos tiques que ele fazia, compreendera o pedido e num gesto delicado sem qualquer pensamento em relutar, pôs suas mãos sobre as deles e sentiu dois corações pulsando na mesma intensidade. Sem perceberem, as mãos desprenderam-se para envolverem-se em abraços quentes, apaixonados e cheios de saudades.

As falas decoradas, frias e breves deram lugar ao silêncio que durou bem mais de um minuto com aquele beijo atrasado, esperado que dizia tudo, sem palavra sequer.

O último encontro não houve nem haverá. Anne e ele combinaram que daquele momento a cada dia, a cada novo encontro seria como se fosse o início. Pois, amor quando é bastante é preciso vivê-lo a cada nova manhã como se fosse o último encontro e aproveitá-lo bem com a emoção do primeiro...


Djanira Luz

13 de ago. de 2009

A ENCOMENDA DO SENHOR DESTINO...


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A ENCOMENDA DO SENHOR DESTINO...


- Uma entrega para mim? O que será? Não me lembro de ter encomendado nada...

Melissa levantou-se da cama, pegou o roupão foi até o entregador para receber aqueles pacotes. Estranhou a quantidade de caixas.

- Bom dia! O senhor está certo do endereço? Quem é o remetente, pode me dizer, por favor?

- Bom dia! Melissa? É você?

- Sim, eu mesma. Em carne, osso e sentimentos!

- Bem, penso que é para você. Por acaso não acabou de se separar do seu grande amor?

- Sim, mas... O que tem a ver com isso? – Melissa reparou que em cada caixa havia a descrição do conteúdo. Foi pegando uma a uma e leu espantada:

- DESILUSÃO? SAUDADE? TRISTEZA? Mas que coisas são estas que o senhor me trouxe?

- Ué, essa é a encomenda que sempre entrego para quem está sofrendo... Aliás, foi me incumbido de entregar um pacote completo de DST!

- Quem mandou e o que significa DST? Algum partido político? – Divertiu-se ela.

- Não! Eu mesmo, o senhor DESTINO envio justo aquilo que cada um busca... Como a senhora anda triste, chorosa, esses serão seus companheiros daqui para frente!

- Que companheiros? Fale com clareza, pois não estou entendendo nada...

- Bem, toda vez que uma pessoa está infeliz e fica assim feito você, abatida, eu entrego o pacote de DST, que vem com DESILUSÃO, DESÂNIMO, DEPRESSÃO, SOFRIMENTO, SAUDADE, SOLIDÃO, TRISTEZA, TENSÃO e TÉDIO.

- Deus me livre! O senhor está totalmente enganado a meu respeito! Choro sim e quem não chora a perda de um amor verdadeiro? Amar assim como amei é coisa rara e ter perdido esse amor me doeu... Chorei e choro, mas não vou me entregar ao desespero. Posso sofrer um tempo, mas não do jeito que está insinuando!

- Todos dizem a mesma coisa, no final, vão fazer uso de cada conteúdo das caixas!

- Mas não vou mesmo! Sabe por quê? Por que tenho ESPERANÇA de que vou encontrar novo amor que me trará de volta o brilho dos olhos, a alegria do sorriso feliz e que andarei por novos caminhos!

Ouvindo isso, perplexo com as certezas daquela mulher e por ter errado o endereço de entrega, o Destino disse:

- Nossa... Como pude me enganar! Com você aprendi que nem todo aquele que chora a perda de um amor, de algo precioso para si é que vai ficar mergulhado em tristezas e vai se enterrando a cada dia mais em dor, desistindo de encontrar motivos para viver dias de alegria...

Depois de se desculpar pelo engano, o entregador Destino e a Melissa puderam ouvir aquela voz triste vinda de uma casa no final da rua, uma voz acompanhando Nora Ney cantar “Ninguém me ama”.

Uma voz que fazia doer a alma de quem a ouvisse, ela estava traduzindo nas letras da música a dor tamanha em si:

Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor. A vida passa e eu sem ninguém... E, quem me abraça, não me quer bem.”

Antes de se despedir, o entregador Destino disse ainda para Melissa, referindo-se aquela que cantava com a Nora Ney:

- Vejo que encontrei o endereço certo. A dor faz morada onde pessoas gostam de alimentar a tristeza.

E foi-se para o final da rua fazer a entrega naquela casa da cantoria triste, deixando Melissa cheia de esperança e com o desejo alegre. Pronta para recomeçar...



Djanira Luz

O ÚLTIMO ENCONTRO.




O ÚLTIMO ENCONTRO.




Anne precisava escrever aquela carta. Sabia se não o visse mais uma vez, uma última vez que fosse, ele jamais sairia da sua vida e sendo assim, estaria condenada a sofrer de amor pelo resto de seus dias. Relutou enquanto pôde, entretanto, Anne sabia que a mente quando deseja não adianta lutar contra, afinal é ela quem manda e desmanda em nossas vontades, não é?

- Ah, mente... Por que me faz sofrer? Por que não apaga de vez da memória aquele a quem tanto amo se é impossível vivermos juntos? Não me torture assim, antes, ajuda-me a esquecê-lo.

Perdeu as vezes que chorando pedia para que a mente apagasse ele da sua vida, mas quanto mais ela pedia, mais Anne certificava de seu amor. Diante disso, dessa resistência em amá-lo foi que optou em escrever...


...A CARTA


Oi!

Engulo vergonha, promessas de não lhe procurar para dizer que preciso vê-lo mais uma vez. Uma última vez que seja. Quero devolver o que de você ficou comigo e resgatar o que me deixei em você. Restituo seu cheiro impregnado em mim, o gosto doce dos seus beijos e o sal que provei do suor do corpo nos momentos de intenso amor...

Quero tirar da mente a sua voz que grita por meu nome e não para de dizer que me adora, que me ama e que nunca vai me esquecer... De tudo isso necessito olvidar! Preciso sair dos seus olhos onde me vejo feliz, sorridente com aquela expressão iluminada de quem ama demais reflete no outro. Preciso resgatar minha essência que você levou para dentro, bem fundo do seu coração, pois as batidas no meu peito já não são alegres com antes, então eu entendo que preciso tirar você de mim para que eu seja eu novamente, hoje sou mais você do que eu, de tanto amor que lhe dediquei.

Devolvo ainda, o toque das suas mãos. Essas mãos que me percorreram todo o corpo de um jeito que só você mesmo soube tocar, desvendando segredos ocultos, caminhos jamais percorridos por eu ter me entregue em confiança e amor a você.

Só peço e não me negue um último encontro para que em seus abraços possa fazer a devolução onde fico de posse daquilo que é meu e devolvo tudo que ficou em mim que seja seu... É o único jeito que surtirá resultado, pois ciente de que será nosso último encontro e não mais voltarei com promessas de belos dias felizes, nos amanhãs. Não perderei minhas noites de sono à sua espera que nunca vem.

A realidade abrirá meus olhos e minha mente irá, enfim aceitar que tudo voltou ao seu lugar, o que é meu já terei resgatado e não mais sofrerei por não tê-lo aqui ao meu lado...



Djanira Luz

12 de ago. de 2009

O MISTERIOSO VÍRUS MUTANTE DA GRIPE...



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O MISTERIOSO VÍRUS MUTANTE DA GRIPE...

(Crônica diálogo baseada numa conversa real entre amigos)


- Oi, Jô!

-Fala, Zé!

- Coisa tá feia, né?

- Ué, compadre, se olhou no espelho?rs

- Deixa de bobagem, homem, tô falando de coisa séria!

- Morreu quem?

- A pergunta certa é morreram quantos?

- Acidente? Valha-me Deus? Conta logo!

- Não dá para contar... Os homens tão escondendo tudo de nós!

- Vixi! Eu não tô entendedo vírgula nenhuma nessa nossa prosa! Acaso bebeu água que passarinho não bebe?

- Não, claro que não! A essa hora do dia sabe bem que só bebo é café, Jô! Tô falando é dessa gripe de que trocou de nome. Era gripe suína, depois virou tal de Influenza A do vírus H1N1. Ela está matando mais gente que anuncia o noticiário... Cada dia aumenta mais o número de vítimas da gripe!

- Chama gripe do porco porque a quem falta a higiene, ela ataca, faz morada e leva quem se descuida para a morada eterna... Doença se espalha assim dessa grandeza por causa de falta de higiene! O povo perdeu os hábitos de lavar as mãos antes de comer, depois de fazer suas necessidades fisiológicas, esquece de lavar as mãos antes de sair do banheiro e o que deixa meus raros cabelos em pé é ver gente comendo na rua com as mãos sujas de dinheiro!

- É verdade, Jô. Dinheiro é a coisa mais suja do mundo no mais amplo sentido da palavra! Quanta doença pode ser transmitida e quantos por ganância se sujam por causa dele...

- Tá com medo de morrer com essa gripe, Zé?

- Sabe, Jô, temos a péssima mania de achar que somos Super-Homens, que nunca vamos contrair essas porcarias e acabamos nos descuidando por desacreditar que podemos adoecer... Para falar a verdade, eu começo a perder sono com o crescimento de casos, porém, é a desinformação do governo que me deixa mais preocupado! Parece que estão tão perdidos quanto nós ou a coisa tá mais feia que se imagina, pois a cada dia noticiam informações diferentes sobre a gripe! Fico preocupado com os filhos, a mulher, meus pais idosos. Não só com os meus, mas com a população em geral...

- É mesmo. Sabe que você tem razão em dizer desinformação? Veja só no caso do retorno das aulas. Os alunos deveriam retornar das férias dia três, adiaram para dia dez, depois para dia dezessete e ainda não temos certeza da volta... É, você está certo, a coisa tá feia...

- Então, Jô, deixa-me ir que tenho que comprar álcool em gel e lenços descartáveis e estocar alimentos...

- Estocar alimentos? Vai hibernar igual urso?rs

- Mais ou menos, se fecharem comércios, bancos e tudo mais aqui como fizeram no México, acho bom me prevenir... Dizem que esse foi o único jeito que os mexicanos encontram para controlar a gripe.

- Caramba! Então guenta só um minuto que vou fazer o mesmo, vou abastecer minha dispensa!

- Só mais uma coisa, Jô... Se você ou alguém da sua família sentir esse trio de sintomas - FEBRE de 38º ou mais, DOR de GARGANTA e FALTA de AR, não perca tempo, corra para o pronto-socorro do seu Plano de Saúde ou o hospital mais próximo, pois se atingir o pulmão, a cura é quase impossível.

- Pode deixar, amigo, estou atento. Obrigado! E que Deus nos livre desse mal!

- Amém!




Utilidade pública - Em caso de dúvidas ou suspeitas da gripe,
ligue para 0800 28 10 100.




Djanira Luz

11 de ago. de 2009

PRESENTES EM DIAS DE NADA...


"Meu" Rei Julian

PRESENTES EM DIAS DE NADA...




Nada mais gostoso do que ser surpreendida com um presente inesperado. Sem motivo, sem comemoração, sem aniversário de nada. Bem, aliás, há motivo sim – AMOR é a razão.

Amor é aquilo que nos move a fazer pequenas surpresas para agradar alguém especial. É o que estou sentindo neste momento! Uma felicidade quase pueril por ter ganhado aquela personagem hilariantemente egocêntrica, o Rei Julian do desenho Madagáscar. Sim, eu sou apaixonada por ele! O seu convencimento exagerado e egoísta mesclado com seu humor faz deste lêmure, na minha visão, o bichinho animado mais fofinho que já vi!

Estou eu aqui abraçada ao meu Rei Julian de pelúcia e sentindo impregnado nele todo amor adocicado da minha filha que carinhosamente me presenteou.

Dias de nada são os melhores dias, a meu ver, de se ganhar um presente! Além da alegre surpresa que emociona por ser lembrado e por saber assim que se é amado de fato e que não recebemos apenas um agrado pela obrigatoriedade de uma data específica.

Adorei o presente, pois gosto demais dessa personagem. Agora vou me remexer muito com ele mesmo que ele diga com aquele arzinho arrogante de ser: "Pode dar meia volta, aqui é a primeira classe. Não é nada pessoal, meu caro, é só que a gente é melhor do que tu". Ainda assim continuarei gostando dele por admirar pessoas autênticas, sinceras, transparentes, mesmo que nos pareçam assim feito o Rei Julian, uma pessoa esnobe...rs

Estou feliz com a lembrança. Adorei, mas o que amei e amo mais é a minha garotinha de coração cheio de bondade, de ouro puro!

Siga exemplo desse coração e faça o mesmo para quem você ama. Em dias assim de nada, sem motivos... Surpreenda!rs


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Djanira Luz

DESPERTEI COM SEDE DE VIVER!


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DESPERTEI COM SEDE DE VIVER!


Dormir com sede dá nisso. Estava tão frio que não quis levantar da cama para beber água. Sonhei que estava numa ilha desértica. Não uma ilha qualquer, era diferente. À minha frente aquelas imagens magníficas e esdrúxulas, surrealistas a la Salvador Dali.

Acordei com a boca mais seca ainda e para meu espanto, me vi na paisagem do meu sonho. Sentada. Sozinha. Uma mesa, quatro cadeiras e um vazio em mim que preenchia a ilha de interrogações. Vivo ou sonho tudo isso? O deserto diante dos olhos será a ausência de criatividade, de esperanças, de opções... O que me falta? Um medo nunca experimentado tomou conta do corpo, da mente e, mesmo sob o Sol, me arrepiei toda. Sentia medo e tive dúvidas diante daquela imagem que visualizava.

O medo fez descer dos olhos uma lágrima que me salgou os lábios. Então, senti que onde mais importava não havia se feito deserto: o meu coração! E, olhei novamente a paisagem com outro olhar e pude ver mais do que as areias que tentavam cobrir meus pensamentos bonitos e coloridos. Enxerguei aquela linda árvore imponente, soberba, sobrevivente a toda seca. Avistei ainda o mar que me dizia sem falar... “Se há amor, por mais caminhos áridos que se depare, haverá sempre de avistar uma vereda”.

Para todos meus receios obtive respostas. Só uma não ousei descobrir: se sonhei ou vivo tudo isso. Não importa! Não desejo saber. De posse das demais explicações já não interessa conhecer.

Certifiquei-me naquele instante de que sonhar, dormindo ou acordada, me ajuda a viver...


"La Reve" (O Sonho) 1931, Salvador Dali

Djanira Luz

O TEMPO CERTO PARA CADA SAUDADE...


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O TEMPO CERTO PARA CADA SAUDADE...


Dani tirou o dia para saudade. Ela era assim, cismava e escolhia um dia para sentir saudades! Mas, para ela dia de saudade alegre tinha que ter céu azul e aquele Sol lindo sorrindo com seus raios invadindo janelas e vidraças.

Aquele Sol esparramado que faz qualquer um sorrir pelo simples fato de estar ali lindo aquecendo os pensamentos. Não aquele Sol de fazer suar em bicas porque esse faz evaporar até os pensamentos mais refrescantes.

Dani era exigente para curtir suas lembranças, por isso além do céu azul, do lindo e sorridente Sol, deveria ter uma brisa suave para compor seu cenário de saudade. Já é difícil de entender a mente de uma mulher, multiplica por dez a da Dani! Cada uma com suas esquisitices, com suas excentricidades...

- Ah, que saudade daquele cheiro de bolo de fubá que minha vozinha fazia... Eu nem ligava muito de comer, só o cheiro era suficiente para me saciar o desejo de provar uma fatia daquela iguaria que de igual mesmo ninguém fazia! Só ela, a vozinha mais bela de toda serra gaúcha. – Suspirava Dani.

Era assim que se teciam as lembranças boas da Dani. Você já viu alguém sorrir com os olhos? A Dani sorria! Era só pensar nele, no seu grande amor que os olhos dela transformavam-se em formato oriental de tão esticadinhos.

Era o jeito feliz de rir quando ele surgia em sua mente saudosa. E se o olhar estava com olhar oriental, alma era só felicidade, pois o externo refletia apenas uma parcela do que ia em seu interior. Como ela o amava e sentia amada por ele! Por isso a saudade mesmo que doesse um pouquinho pela falta que sentia do amado, era boa de sentir pela certeza do amor e da possibilidade do reencontro.

Gostava de ver os olhos dela assim, aliás, gosto de ver felicidade assim visível aos olhos sorridentes de quem ama e que sabe viver doces saudades.

Já para as saudades dos adeus sem volta, do amor que acabou e pode esquecer que ele não vai voltar,da morte que levou alguém querido e só iremos encontrar em outra vida que imaginamos que vamos e a saudade do amigo que partiu para não voltar para perto de nós ou para voltar tarde demais num tempo muito distante do amanhã que dura bem mais que dois anos de amanhãs, essas saudades Dani só sentia em dias nublados de muito frio onde a chuva podia se confundir com as lágrimas tantas que ela derramava.

- Sentir saudade alegre dá frio na barriga de bom demais que é! – Dizia Dani que era livre para falar o que queria. Muitas vezes inventava coisas para dizer e que fosse só delas as palavras, como se palavras fossem apenas de uma única pessoa. Mas Dani tinha dessas coisas, além de separar tempo para as saudades, gostava de criar palavras e frases suas. Queria ser original, queria ser ela sem ser ninguém dito antes. Coisa de quem viaja nas ideias de cometa que passa de tempo em tempo...

- Já a saudade de doer a garganta e amargar a língua de fel de tristeza, dessa não gosto... Fazer o quê? Deselegante que é vem sem pedir e dura o tempo de um temporal quase me desabando de melancolia... – Nessas horas a expressão do rosto de Dani era tão verdadeira que não necessitava palavra alguma para saber o que ia em seu coração. Sua alma era transparente, e quase posso confessar que via com meu olhar de compaixão, o coração dela sangrando de tanto sofrimento...

Olhando agora para ela, a vejo com aquele olhar esticadinho, oriental. Êita que saudade gostosa que ela sente neste momento! Saudade de amor a deixa tão mais bonita. Até o Sol está assim meio bobo alegre com olhar cerradinho de raios compridos celebrando a saudade de amor.

Uma graça de ver o Sol rindo com o olhar de chinês mergulhado feliz na tarde dourada! Aprendeu a rir assim com a Dani, acredita?rs




Djanira Luz

10 de ago. de 2009

DIAS DE BRINCAR COM A IMAGINAÇÃO!


Dom Quixote, de Miguel de Cervantes

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DIAS DE BRINCAR COM A IMAGINAÇÃO!


Voltando para casa, depois do almoço na casa dos meus pais em comemoração ao Dia dos Pais, vim observando as paisagens e brincava de imaginar cenas e objetos nas nuvens, nos formatos de árvores, em antenas telefônicas, em todo lugar. Então eu era Dom Quixote de La Mancha com suas alucinadas imaginações que via gigantes nos moinhos. E falava para meus filhos quando avistava umas torres elétricas em formato de “T”:

- Olhem, estão chegando os Transformers, se preparem para o ataque!

Ou quando um avião da Gol sobrevoando por nossas cabeças, eu brincava referindo-me ao “aviãozinho”:

- Se cair lá em casa, eu não devolvo!

Há quem ainda solte balões em dias festivos, apesar de admirá-los, reprovo pelo perigo das queimadas... Mas, aproveitei o clima fantasioso e disse:

- Olhem, um Disco Voador! Terra para Marte, Terra para Marte! Aqui é a Dja Anos Luz, co-piloto desta nave terráquea e vocês Alien Du Horizonte, sejam bem-vindos!

Rimos muito, foi uma volta cheia de aventuras e peripécias e cada um começou a enxergar as mais inusitadas figuras e imagens nunca vistas. E descobrimos que a Terra está cheia de alienígenas disfarçados em árvores, nuvens, construções, mas só quem tem olhos especiais conseguem ver e cujo coração de criança ainda se conserva independente da idade que se tenha.

A vida é bela e colorida, cheia de ideias divertidas! Tudo isso ao pequeno preço de uma rica e simples imaginação...

A imaginação tem asas, cara de bruxa, tem castelos de fadas, sapo que vira Príncipe e sapo que não vira príncipe coisa nenhuma, tem nuvem que vira sorvete sem dar cárie nos dentes... A imaginação faz coisas que deixa o dia mais lindo e azul como o céu que se fez hoje, uma beleza de ser feliz só de ver!

Então, você já brincou de ser Dom Quixote de La Mancha? Experimente a alegria de viver sendo um “maluco beleza” não importando com o que pensam os outros, pois o que importa é ser feliz com o que podemos ver, sentir e amar!rs



Djanira Luz
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