13 de abr. de 2009

SABEDORIA DE MULHER




SABEDORIA DE MULHER



- Carla, não aguento mais ficar de arranca-rabo com o Tony! – Desabafou o pai.

- Calma, Elias! É a idade... – Justificou a mãe.

- Idade... Quando Tony tinha oito anos e aprontava você dizia que era a idade... Quando ele ficou adolescente e começou a ficar respondão, você dizia que era a idade... Agora com dezoito anos ele está um homem feito e você continua a dizer “é a idade”, mas que droga de vida é essa? – Bradou o pai alterado.

- Elias... Como mãe e enquanto mulher preciso ser ponte para unir vocês dois, cabeças duras. – A mãe compassiva tentava abrandar a agitação do marido.

- Fica botando pano quente nas atitudes desse rapaz que ele vira uma cobra e ainda pica você! – Zangou-se Elias.

- Deus me livre, Elias! Não diga umas sandices dessas... Morde na língua! Sabe muito bem que a palavra tem poder. De tanto ficar pensando coisas ruins é que elas se realizam. Ainda bem que enquanto você o amaldiçoa eu vou o abençoando! – Carla repreendeu o marido.

- Eu falo de preocupação... Mas, eu amo nosso filho. Ele foi uma criança desejada, só não entendo nem aceito a rebeldia gratuita dele.

- Se nós que somos pais não tivermos paciência com ele aí é que corremos o risco de afastá-lo para sempre da nossa presença. – A mãe disse pensativa.

- Essa casa quando chego do trabalho parece uma torre de babel... O som alto até quase estourar meus tímpanos e o Tony que, apesar de estudar numa ótima faculdade, usa uma linguagem para mim incompreensível, se é que se pode chamar aquilo de linguagem! Daqui a pouco surge uma nova lei em defesa dos direitos da juventude e liberdade de expressão e introduz ao nosso vocabulário essa pobreza de linguagem. – Protestou o empresário.

-Ah, chega Elias! Até parece que você não usava gírias. Como você me chamava mesmo, hein? Ah... Era de “tetéia” e olha que coisa mais feia! - Brincou Carla.

- Feia... Você adorava quando a chamava assim... – Elias até relaxou a expressão sisuda com as lembranças da mulher.

Carla sabia que precisava dar um jeito naquela situação. Quantos casais se separam por causa dos temperamentos dos filhos. Lembrou-se da amiga dizendo: "Antes da nossa filha ter crescido, nunca havia brigado com meu marido... A situação saiu do controle e você sabe como alguns homens agem, se não tá bom, eles nem se importam com os filhos, largam a família na hora em que mais se precisa de ajuda..."

Carla olhou para Elias e disse:

- Tá bom... Agora vai trabalhar que já está na hora...

Já ia entrando no carro quando Carla o chamou:

- Querido...

Ele olhou e esperou que ela dissesse:

- Hoje vou conversar com o Tony, peço que não desista dele nem perca a paciência. Pense que é fase de transição de conflitos... Daqui a pouco ele vai ter que caminhar com as próprias pernas, trabalhar, entrar no mundo adulto, ter responsabilidades e isso assusta e você sabe disso. Há muitos pais que abandonam os filhos aos primeiros sinais de rebeldia. Eu não farei isso, jamais. Ele é meu filho e o amo demais. Vou lutar por ele. Vou resgatá-lo. Trazer de volta aquele menino maravilhoso que ele sempre foi...

Elias era metido a durão. Entretanto, ao ouvir aquelas palavras vindas de um coração de mulher, de uma mãe, deixaram-lhe os olhos vermelhos. Nada disse. Aproximou-se da mulher, deu-lhe um beijo carinhoso depois disse:

- Desculpe pelas durezas que disse, estava nervoso...

- Quando você tinha vinte dois anos e nós brigamos por que eu perdi, acidentalmente, as entradas do jogo, você pedia desculpas e dizia que estava nervoso... – Brincou a mulher falando do mesmo jeito que ele a havia acusado por defender o filho.

- Nem me lembre daquele jogo que dói até hoje! – Disse rindo e entrando no carro seguiu para a empresa.

Depois que Tony chegou da faculdade de Medicina, a mãe já havia planejado sair com ele, pois queria pôr em prática uma ideia que lhe ocorreu:

- Tony, meu filho, vamos ao circo? – Perguntou de uma só vez para dar impacto e o filho não pensar em um desculpa para não ir.

- Circo? Qual é, Mãe... Tá pensando que ainda tenho cinco anos? Viajou, maluco! – Zombou o filho.

A mãe, viva, esperta, cheia de artimanhas, fez uma encenação. Pôs no rosto uma tristeza sem fim, dessas de fazer cortar o coração, olhando para o filho foi falando pausadamente como se tivesse aquele nó na garganta de vontade de chorar até o amahecer:

- Está bem... Eu vou sozinha mesmo. Aliás, estou sempre só... Já estou me acostumando com essa realidade. Virou as costas e foi andando cabisbaixa.

O filho era rebelde, respondão... Mas, no fundo era um ótimo rapaz e a mãe sabia disso. Mãe sabe até onde vai a agressividade de um filho, por isso ela fez aquela manha de mãe carente.

Arrependido e incomodado por ter magoado a mãe, Tony diz antes dela sair do seu quarto:

- Mãe... Espera... Vou só trocar a camisa, guenta aí...

- Não precisa, eu entendo que não queira sair comigo e... – Foi interrompida por ele.

- Nada a ver... É que circo não curto muito. Mas, quer saber? Vai até ser “manêro” ver umas palhaçadas. Só que vou avisando... Vou zuar legal lá! – Avisou Tony.

- Eu é que vou! Paga pra ver, só! – Divertiu-se a mãe.

Palhaços, mágicos, corda-bamba, trapezistas... Ainda não era aquilo que Carla queria que o filho visse. “Será que não vai ter?” A mãe estava um tanto ansiosa. Tony com pipocas e churros nas mãos lembrava mais aquele gurizinho de oito anos de idade que morria de medo dos palhaços.

Foi então que vieram eles. Leão e seu simpático domador. Carla sorriu satisfeita com aquela visão, pois era justo que precisa no momento para pôr seu plano em prática.

-Olha, Tony! Quero que preste bem atenção na fera e no domador.

-Por que, qual é a parada? – Tony ficou curioso.

- Apenas olhe... – Disse a mãe.

Ao fim da apresentação, Tony diz para a mãe:

- Foi “manêro”! Deu maior agonia ver aquele maluco enfiando a cabeça dentro da boca cheia de dentes do leão. – Comentou Tony.

- É que o domador, meu filho, domou o leão... Só que o domador só conseguiu isso por que antes o leão “domou” a fúria dele. – A mãe ia falando de maneira detalhada para que o filho entendesse o ensinamento que ela tentava lhe passar.

- Puxa, mãe... Bacana o que você disse aí. – Tony olhou para mãe como se descobrisse nela uma mulher cheia de virtudes.

A mãe aproveitou aquele momento de serenidade do espírito do filho e comentou:

- Tony... Hoje seu pai foi trabalhar muito aborrecido.

- O que foi? Reclamou de mim, já sei... – Nas outras vezes Tony já retrucava aos berros, saindo de perto da mãe, indo para a rua ou para a casa de algum colega ou da namoradinha. Ali ele só ficou de cara fechada.

- E com razão que seu pai tem reclamado dos seus modos. Você já não tem cinco anos como você bem disse, você precisa fazer como o leão. Você precisa domar a sua fúria.

Carla continuou:

- Quando você era pequeno, muitas vezes, seu pai e eu fizemos as vezes do domador. Por várias vezes eu domei sua fúria com conversas, com músicas, com orações... Agora é chegada a hora de você dominar seus ímpetos de agressividade. Precisa respeitar mais seus pais. Nós amamos você, estamos do seu lado, não somos inimigos para sermos tantas vezes atacados. E para piorar, nada fizemos para merecer essa fúria. Toma cuidado, filho, para essa agressividade não se tornar uma ingratidão com seus pais. – Carla era uma mulher sensível, porém, firme no agir. Por mais vontade que estivesse de chorar, ela mantinha-se firme para não demonstrar fraqueza. Pois ali naquele momento não era hora de fraquejar. O momento exigia pulso firme. Era tudo ou nada. Carla estava apostando alto naquela relação amorosa.

Tony parecia envergonhado. Aproximou-se da mãe e abraçou fortemente, então disse:

- Mãe, vou tentar melhorar a partir de hoje...

- Ainda bem que você disse “vou tentar” e não vou mudar! – A mãe ria nessa hora.

- Por que ainda bem, então? Mudar não é melhor que tentar, não? – Estranhou o filho.

- Não, meu filho... Mudança leva tempo. Ninguém muda da noite para o dia a não ser que aconteça uma tragédia, uma coisa que abale muito a ponto de mover uma mudança radical. Quando disse que ia tentar, então vi que você vai tentar e vai conseguir, pois seu pai e eu vamos fazer de tudo para que essa mudança seja uma realidade.

- Obrigada, mãe, pela confiança, pela força e principalmente, por essa lição do leão. Não vou esquecer nunca mais. Vou guardá-la para sempre e ensinar para meus filhos, netos bisnetos... – Tony parecia mesmo disposto a tentar “domar” seu espírito agressivo.

- Sabia que você tinha puxado a mim! Seus defeitos são do seu pai... – Brincou a mãe.

- Ihhh... O pai fala a mesma coisa, ele diz que eu só puxei dele, as coisas boas e que eu herdei os seus karmas. – Tony falou achando maior graça dos pais.

- Ai que danado! Seu pai falou isso? Deixa ele comigo... Os defeitos são deles! Mas, filho feio... Quem os quer? – Carla estava satisfeita com aquela conversa. Sentia-se revigorada e feliz por ser uma mulher forte e cheia de boas ideias na cabeça.


Djanira Luz

9 de abr. de 2009

TUDO DE BOMBOM PARA VOCÊ!!!

Texto

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TUDO DE
BOMBOM PARA VOCÊ
!!!



Quero que fique contente
Com o meu doce presente
Meu amor aos pedaços
Envolto de belos laços...

Todo lugar, em qualquer parte
Envio felicidades e chocolate
Vai também muita emoção
Amor, fraternidade, união...

O Recheio dos ovos é de beijinhos
Regado de abraços quentinhos
Numa grande confraternização

Seguro feliz sua mão!

Nesta Semana que é Santa
Onde a dor de Jesus é tanta
Deus nos guarde do pecado
Caso se tenha que seja lavado...

Depois do Sábado da Paixão
Celebramos nossa redenção
O Domingo de Páscoa é animado
Temos o Cristo ressuscitado!

O Amor venceu, aleluia, Ele vive
Que de todo mal Deus nos livre
Nossa vida seja mais abençoada
Possamos ter a alma renovada...


Djanira Luz

PLANETA TERRA? "TÔ FORA!!!" (HUMOR NEGRO)


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PLANETA TERRA?
"TÔ FORA!!!"
(HUMOR NEGRO)



De volta ao planeta de origem, os Alienígenas foram mostrar o resultado do relatório de pesquisas para o ET Supremo.

- Então meus jovens pesquisadores... Como foi a viagem científica? Produtiva? – perguntou o Superior da galáxia.

- Nem tanto senhor. – respondeu o ET Cétera.

- Então, diga-me, qual parte do planeta Terra escolheram para realizarem a pesquisa?- quis saber o chefão.

- Nossa intenção era chegar às Índias, mas um vento forte nos levou para o Brasil que...- tentou falar o ET Zinho.

- Aaarahh... Deixa disso Zinho! Pára de palhaçada de ficar copiando as coisas da Terra... Essa mentira já foi contada há mais de quinhentos anos por um tal Cabral!- interrompeu o ET Cétera.

- Hehehe... Peço desculpas, Superior das Galáxias, mas achei a história bonitinha que resolvi copiar. – justificou-se o ET Zinho.

- Você bem ouviu aquela ensinadora falando para as crianças sobre mentira. Se ensina a criança a mentir, ela vai crescer uma mentirosa. - alertou o ET Cétera .

- E não é “ensinadora”, Cétera, é professora! - corrigiu o ET Zinho.

- Ora... Apesar de sermos anos-luz mais evoluídos do que os terrestres, uma semana foi muito pouco para assimilar tanta novidade e conhecimento. – resmungou o ET Cétera.

- Já chega! – disse o Supremo ET Mor- É muito falatório e pouca explicação! Prossigam com o relatório.

- Sim, Superior, queira nos desculpar. - disse o ET Zinho.

- Bem, escolhemos o Brasil porque pela nossa pesquisa era um país que tinha variação de clima, diversidade de raças. Porém, o que foi decisivo para escolha é que ouvimos de um dos habitantes produzindo um som agradável mais ou menos assim: “Moro num país tropical, abençoado por DEUS...” – explicou o ET Cétera.

- Você tem certeza? Falaram em DEUS? – quis saber o ET Mor.

- Absoluta Superior! - Responderam os dois ETs numa só voz.

- Então essa raça é mais evoluída do que imaginava... Conhecem o Ser Divino Supremo de Todas as Galáxias! Muito bem escolhido o local da pesquisa Zinho e Cétera! – concluiu o ET Mor.

-Prosseguindo então, não agradamos muito porque estávamos pesquisando justo onde entrava e saía muitos humanos fêmeas, mulheres – dizia o ET Zinho – elas entravam num laboratório chamado “SALÃO” e lá eram torturadas, coitadas!

- Torturadas? Que cometeram para merecerem castigo? – quis saber o ET Mor.

- Não deu tempo de pesquisar – falou ET Cétera – sabemos que elas entravam mostravam as mãos e uma outra mulher arrancava pedaços de carne dos dedos delas com um aparelho de tortura fino chamado alicate. Algumas fêmeas gritavam e até sangravam...

- Que país... E eles conhecem a DEUS! Que decepção! – lamentou o ET Mor.

- E tem mais – prosseguiu o ET Zinho – depois elas deitavam numa mesa e jogavam um líquido quente e derretido sobre todo o corpo, em seguida, arrancavam-lhes os pêlos. Como elas gritavam, pobrezinhas...

- É mesmo... – completou o ET Cétera – quase desistimos de assistir aquela sessão de torturas... Mas o pior estava por vir!

- Aiiiii, estou passando mal – revelou ET Mor – não suporto tanta crueldade!

- Pois é, ET Mor, antes de saírem de lá, as mulheres passavam por mais um e terrível sofrimento. Um aparelho barulhento com vapor exageradamente quente, era aproximado da cabeça delas. Era tão quente, tão quente que cozinhavam as orelhas até ficarem bem vermelhas... Só vendo! Para finalizar, antes de saírem do “SALÃO”, os cabelos das mulheres eram puxados e esticados. Todas elas saíam de lá do mesmo jeito. Concluímos que era assim que eram marcadas como sinal de tortura... – falou comovido o ET Zinho - ...Pior que ainda eram obrigadas a pagar para deixarem aquele local, um absurdo!

- Barbaridade! De forma alguma iremos tentar relacionamento com um planeta assim – declarou o ET Mor.

- ET Mor, nem falamos o mais terrível... Vimos alguns humanos machos, homens, entrando numa “CLÍNICA DE CIRURGIA” e saindo de lá com dois peitos enormes como os das mulheres e faltando o órgão reprodutor! – revelou assustado o ET Cétera.

- Pode parar!!! Morreu assunto de Terra, definitivamente! Planeta Terra? Tô fora!!! - Afirmou ET Mor.



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Djanira Luz

QUEM MENTE...


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QUEM MENTE...




Mentira, novelo de lã... Uma hora quem faz uso, acaba se embolando...

Djanira Luz

NOSSO AMOR É CAMPEÃO!



NOSSO
AMOR É CAMPEÃO!


Que torcida mais animada
Vibrando na arquibancada
Nas jogadas da vida
Não se perde uma partida!


Unida com a mesma intensidade
A vitória é certa de verdade
Vibrando com tanta alegria
O sucesso é uma garantia!

Pulando juntos de emoção
Isso sim é que é paixão
Pude sentir a harmonia
Em cada lance eu via...

Que maravilha de belo gol
Foi nosso time quem marcou
A felicidade entrando em campo
Um sorriso no rosto logo estampo!

O time está muito animado
Sintonia segue lado a lado
Nosso amor sagrou-se Campeão
Valeu torcer por nossa união!






Escrevi, durante a partida BrasilXPeru, em Porto Alegre...रस

Djanira Luz

500 DE MIM POR VOCÊ...


500 DE MIM POR VOCÊ...

Por mais que eu diga
Ainda fica o que dizer
Não me importo com a fadiga
Tento expressar o amor por você...

Seja com cem ou quinhentos
Em versos, esses meus inventos
Ainda que pelas letras me declare
Sempre falta algo por mais que eu fale...

Já me fiz até raio X
Coloquei os pingos nos “is”
Para que veja com clareza
Do meu amor e tenha certeza...

Em prosa, crônica e humor
Declarei ao mundo meu amor
Em cada sílaba ou estrofe, enfim
Revelei com lirismo, um milésimo de mim...



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ESTA MANIA DE DESENHAR CUBOS MAQUINALMENTE...



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ESTA MANIA DE DESENHAR CUBOS MAQUINALMENTE...




Basta tocar o telefone e já pego um papel e caneta e começo a desenhar vários cubos. Separados uns dos outros, encho uma folha deles. Além dos cubos desenho também estrelas e olhos. Manias, saem maquinalmente. Ás vezes nem sinto, quando vejo a folha está tomada com uma série de cubos.

Minha filha outro dia perguntou:

“- Mãe, por que desenha tantos cubos?”

Respondi que deve ser por que minha cabeça não para de pensar. Então, ela completou:

"- Como o cubo mágico que precisa pensar muito para encaixar?"

Sim! Ela tem razão, o cubo mágico obriga-nos a pensar em possibilidades. E gosto disso... Gosto de possibilidades, chances, criatividade. Imagino que deva ter alguma ligação do cubo com meu desejo de criar textos, pois desenho cubos maquinalmente desde que me lembre...

Quantas coisas não faço assim, maquinalmente, sem que eu perceba. Algumas coisas são benéficas, outras nem tanto.

Descobri que estava “banalizando” o amor, esse sentimento nobre, lindo, escasso. Bem, na verdade, não o amor em si, a maneira como utilizava verbalmente para demonstrar carinho para pessoas queridas.

Bastava despedir-me de alguém querido para dizer:

“-Tchau, te amo!”

Até que uma pessoa muito querida minha revelou-me que dizia poucas vezes que amava, pois, segundo ele, “o amor é a coisa mais linda e importante que rege o Universo”. Nessa hora senti um desconforto ao dizer amar da forma maquinal que vinha utilizando...

Não que a pessoa a quem eu dizia não merecesse ouvir a frase, mas agora penso que para dizer “eu te amo”, o coração tem que arder, bater diferente. A pessoa que me segredou isso, estava certa.

Atualmente só digo “eu te amo” para algumas seletas pessoas, outras chamo de “queridas” ou “gosto muito” de você. No mais, é um “vai com Deus”.

Por que precisamos amar o outro sim, mas sem tornar essa frase, esse sentimento tão lindo e significativo numa coisa maquinal, banal.

Já não digo “eu te amo” maquinalmente, resgatei o valor do amor. Afinal, não posso dizer que amo maquinalmente assim como desenho meus cubos, não é?

Você, leitor, o que desenha maquinalmente quando está ao telefone? E sabe utilizar bem o “eu te amo”?




ACREDITA EM COELHINHO DA PÁSCOA E MEGA SENA?



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ACREDITA EM COELHINHO DA PÁSCOA E MEGA SENA?




Perdoem-me as crianças inocentes e apostadores de plantão... Mas, enquanto o Sr. Coelho não me trouxer pessoalmente ovos de Páscoa vou continuar incrédula quanto à sua existência. E até que eu ganhe na Sena, serei como São Tomé ou alguém feito doido que acha que por detrás de tudo, rola uma “teoria da conspiração”.

Veja bem... Algum parente seu já ganhou na Mega Sena? Algum vizinho ou conhecido? Na minha, ninguém. Ou os meus parentes e amigos são todos uns azarados ou tem alguma fraude nesse meio...

Pessoas conhecidas conversam à boca miúda sobre possíveis fraudes da Mega Sena... Comentam daquele assunto da adulteração do peso da bolinha para dar os números escolhidos pelos envolvidos nesse esquema.

Aí, eu fico de cá de carioca matutando... Como os mineiros são sortudos! O que tem de prêmio da Mega Sena saindo para Minas Gerais ultimamente, das duas uma: Ou os mineiros nasceram com o trevo-de-quatro-folhas nas mãos ou tem laranjada nessa história!

Numa breve retrospectiva, veio na memória o nome de muitos “sortudos” lá das Minas Gerais: Marcos Valério, Eduardo Azevedo, João Magno, Romeu Queiroz, Roberto Brant... Ah, não poderia deixar de mencionar aquele do “caso das pedras preciosas”, o Ibrahim Abi-Ackel... Gente de sorte essa, não concorda!?

Fiquei na dúvida: não sabia se postava como humor ou crônica, pois quando se mexe com política, tudo termina em pizza ou samba...

Pois bem... É melhor parar de falar porque tenho mineiro em casa que vai ficar “tiririca” e não vai gostar nenhum "cadinho" desta minha conversa...

Então, você vai continuar fazendo uma “fezinha” ou vai preferir espremer uma laranja? Acoooorda, Brasil!



6 de abr. de 2009

TODAS AS FASES DO AMOR...


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TODAS AS FASES DO
AMOR...

- Mãe, estou gostando de uma garota... – Disse com um pouco de vergonha, não de mim, do sentimento. Temos essa coisa bacana de liberdade, franqueza, transparência. Tudo às claras. Bom ou ruim tem que ser dito olho no olho, “face to face”...

Essa revelação seria normal não fosse pela idade. Ouvir de um menino de nove anos de que gosta de uma menina, até para mim que não me assusto com muita coisa mais neste mundo, fiquei estática. Será o Benedito!? Sim, era assim que se dizia noutros tempos em momentos de espanto.

Mas, não só pela fala do menino. Foi mais pelo brilho nos olhos, a palidez dos lábios, a voz quase inaudível. Dei uma sonora gargalhada. Ele pareceu não gostar, pois sentiu descaso com seus sentimentos. Então, recompus-me, parei com a “risaiada”...

Outro dia, quando a menina passou por ele na rua, só faltou desmaiar de tão enamorado que está. Coisas de menino...
Disse-lhe que também já tive vários amores meus, digo "meus" por que só eu amava secretamente. Nunca revelei nadinha para nenhuma das minhas paixões platônicas.

Minha primeira “paixão” foi aos cinco anos de idade, precoce eu, não acha? Bem, na verdade não foi por uma pessoa, eu me apaixonei pelos olhos do meu primo que é uns vinte anos mais velho do que eu. Eram aqueles olhos verdes bem parecidos com os do Chico Buarque de Holanda. A pele morena acentuava ainda mais o verde dos olhos do primo Joel. Contam que eu dizia que iria casar-me com ele. Pode?

Meus irmãos tinham bolinhas de gude e eu adorava aquelas verdes transparentes... Devia ser por isso, então, que me apaixonei pelos olhos do primo. Era fascínio pela cor, pela transparência. Será?

Ainda lembro o nome do primeiro garoto que acreditei gostar, aos oito anos, eu acho – Maurício. Tinha os cabelos negros, lisos e ele era lindo! Depois dele vieram outros e outros. Mas, era só aquele amor de menina que fica secreto no coração e ninguém sabe, ninguém desconfia. Eu era boa em dissimular sentimentos. Apesar de por dentro estar soltando mil fogos de artifícios e com borboletas no estômago, quando via algum garoto que gostava, perto dele me fazia a calmaria do mar... Nunca dei na pinta.

Sim, meu filho sente paixão! E penso que a paixão tem a mesma intensidade, independente da fase que se sinta. Criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso, quando a paixão chega, faz bater o coração do mesmo jeito.

Aí, quando bate a paixão, acabam-se as diferenças de sentimentos. A diferença pode ser visível na idade, no tipo físico, no cabelo que branqueou, mas o coração, esse bate da mesma maneira em todas as fases da paixão.

É por isso que quando estamos amando demais, quando sentimo-nos apaixonadíssimos, temos o hábito de dizer:

“- Pareço um menino apaixonado!” “-Pareço uma menina apaixonada!”

Sim, temos razão em dizer isso... A paixão nos faz coração de menino!

Então, quando alguma criança disser que está gostando de alguém, saiba que apesar de parecer engraçado é o amor iniciando a sua fase...

Com o tempo, com a idade, com as experiências vamos aprendendo a compreender melhor o amor e selecionar com mais particularidade nossos parceiros, pois a maturidade nos torna mais cônscio e seleto em nossas escolhas.


E você, ainda lembra o nome daquele amor da infância? Não vai me dizer que não...rs

5 de abr. de 2009

VOCÊ SE ENGANA!!!


VOCÊ SE ENGANA!!!

Quando tentou me convencer com aqueles grandes e arregalados olhos verdes feito aos da cantora Maysa e com uma maquiagem exagerada para compor o perfil esotérico, sorri e num gesto delicado, retirei a minha mão que já estava de posse das mãos ágeis dela. Interessante coma elas são rápidas, como têm o poder de persuasão incrível. Ao olhar em volta de mim, pude ver várias delas abordando jovens, homens e mulheres oferecendo por um preço meio salgado o serviço da quiromancia.

Ao deparar-me com essa cigana, fui reportada para meus dezoito anos quando eu e Cida passeávamos por um calçadão rindo de não sei o quê. Aliás, eu só vivia com as canjicas de fora. Até hoje sou assim. Acho que levei à sério demais aquele jargão “Rir é o melhor remédio”, pois procuro sorrir até para quem não conheço quando cruzo a rua e cumprimento transeuntes. As pessoas se assustam quando alguém sorri e é gentil porque hoje o normal é encontrar pessoas com cara de assustados segurando a bolsa como se fosse o último bem sobre a terra. O povo se não está assustado, está de testa franzida. É tanta violência, é tanto aumento que o povo antes alegre, descontraído, já anda feito Curupira, com o pé atrás... Se a coisa fica esquisita, “pernas para que te quero”! Zás... Cai fora.

O sorriso só não assusta a cigana. Para ela o sorriso soa como um convite, como um pode vir, a porta e o coração estão abertos às suas investidas! Mas, a cara fechada ou assustada, não se engane, não será empecilho para a aproximação dessa trapaceira.

Naquele dia no calçadão, ainda recordo aquela cigana que se aproximou de mim e da Cida com longos cabelos ondulados e na parte da cintura para baixo havia uma trança amarrada com uma fita vermelha, um lenço ou bandana também vermelho na cabeça. Trajava um vestido rodado vermelho florido com detalhes amarelos, umas tantas pulseiras de arco douradas nos braços, trazia pulseira no tornozelo tipo moedas douradas. Vários cordões que faziam barulhos ao seu movimento. Creio que tudo isso faz parte de encantamento para ludibriar a pessoa que a cigana vai interpelar. Havia um cheiro que naquela época não identifiquei. Era o aroma do incenso de patchouli. Deveria ter mais ou menos a minha idade hoje, uns quarenta e poucos anos.

De tanto que insistiu, a Cida ficou curiosa e aceitou a leitura das linhas das mãos. A cigana falou qualquer coisa que deixou a Ci preocupada. Ci não disse nada. Só pelo fato de ficar fungando, eu sabia que ela tinha ficado assustada com alguma coisa. Então, a Ci falou:

“-Agora é a sua vez!”

Disse que não queria coisa e tal. Mas, para provar para a Ci que tudo aquela falação da cigana era balela, deixei que a cigana fizesse também a leitura das minhas mãos. Sabe o que ouvi? Confirmação de que tudo aquilo não passava de enganação. O que a cigana diz ser adivinhação, eu chamo de probabilidades.

Vamos lá as tais adivinhações:

Aquela cigana falou que eu casaria. Adivinhação? Probabilidade...

Disse que eu teria muitos filhos? Adivinhação? Probabilidades... Com ressalva: Durante oito anos tentei engravidar, fiz tratamentos, só então depois de longos oito anos, engravidei. Tenho duas dádivas de Deus. Embora quando eles estão muito barulhentos chego a dar créditos para aquela cigana, pois eles parecem bem mais do que apenas dois...

Eu ficaria muito, muito rica. Adivinhação? Probabilidades... Quem estuda, corre atrás consegue viver uma vida abastada. Mas, no momento sou rica sim, de saúde...

Que meu marido seria muito ciumento. Adivinhação? Probabilidades... Homem que ama tem sempre um ciumezinho que seja. Não é insegurança, é zelo, bem querer.

Foi basicamente essas adivinhações que a cigana me revelou entre outras coisas que não vale a pena revelar porque nada mais é que probabilidade.

Lembra-se do matemático Oswald de Souza que dava os números de acertadores na Loteria Esportiva? Então, Oswald não era adivinho. Ele não fazia adivinhações, eram probabilidades. Matematicamente Oswald de Souza calculava qual a percentagem de chances e quantidades de acertadores dos jogos de azar.

A cigana sempre vai olhar para uma jovem e dizer:

“- Você vai casar, ter filhos, seu marido será ciumento, vejo que você terá em sua vida um casamento e meio (traição), vai engordar...”

Essa mesma cigana irá dizer sempre para uma pessoa de meia idade:

“-“Você vai perder alguém na família (todos nós perdemos alguém na família, nem que seja um parente distante);

“Você terá hipertensão ou diabetes ou ou ou... (a maioria acima de quarenta e cinco se não maneirar na alimentação e não sair da vida sedentária, sofrerá de algum mal).

"- Vejo divórcio na sua vida..." (Raridade é casal que não se separa hoje em dia!)

E nem preciso ser Sherlock Holmes para investigar e dizer ao caro Watson que tudo isso não passa de probabilidades e não de adivinhação! Pois, isso é mesmo elementar, meu caro leitor!

E nem me venha cigana jogar feitiço sobre mim... Pois isso é o que elas melhor sabem fazer. É ficar rogando praga em cima de quem não aceita seus serviços.

De feitiço para feitiço então é bom que tomem cuidado... Minha avó baiana boa, da terra do povo místico, primitivo, antes de morrer, disse-me quem fizesse ou proferisse algum mal para mim sofreria um mal dobrado. Praga por praga, segundo ela, estou pra lá de protegida...

Agora, questiono a você, leitor... A minha avó rogou praga ou proteção em mim? Nenhuma das duas coisas. A minha avó era sabida. Ciente do verdadeiro provérbio: “Aqui se faz, aqui se paga!” Vovó sabia que todo aquele que faz um mal ou profere o mal a alguém, um dia esse mal volta impiedoso a quem desejou a maldade.

Mas, voltando a cigana do início da minha crônica, retirei a minha mão e ela começou a falar que se eu não permitisse que lesse minhas mãos, aconteceria isso e aquilo outro comigo. Então, eu novamente sorri e antes de me afastar, respondi:

-Cigana... Você se engana!!!

E você, acha que isso mesmo é adivinhação ou meramente probabilidades?









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